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Foto: Montagem Revista Oeste/IA
Edição 318

Turismo pede socorro e governo ignora

Enquanto isso, o petróleo é nosso, os seguros crescem e o campo entra em alerta

Ainda que em 2025 o número de turistas estrangeiros no Brasil tenha alcançado o número recorde de 9,3 milhões de pessoas, a situação do setor não é nada positiva. Segundo dados da Embratur, o faturamento deverá fechar por volta de R$ 200 bilhões. Algo próximo do melhor momento do turismo no Brasil, entre 2013 e 2014. Entretanto, se os valores fossem atualizados pela inflação (IPCA), o faturamento do ano passado deveria ser mais do que o dobro do que foi para ser comparável com o de 2013. “O setor não está crescendo. Os hotéis estão rendendo cada vez menos. Vivemos uma série de problemáticas graves e o governo Lula não quer enxergar”, diz à Oeste Márcio Lacerda, CEO do Grupo Hotelaria Brasil (HB Hotéis).

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Falta plano, falta visão, falta noção

Segundo o executivo, falta um plano estruturado para atrair turistas, permitindo o desenvolvimento de um setor tão importante, que hoje representa cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB), empregando mais de 8,2 milhões de pessoas (incluindo empregos diretos, indiretos e induzidos). “O turismo nunca foi prioridade para o governo. O setor de hotéis, muito menos. Não apenas para esse governo, mas para todos os dos últimos 20 anos. No caso do governo Lula, a situação é ainda mais grave, pois muita gente no PT acha que turismo é ‘coisa de rico’ e não dá atenção. É um erro enorme”, explica Lacerda. “A hotelaria emprega milhões de pessoas, e cada hotel é um polo de crescimento econômico próprio. Começando pela construção do prédio até a busca por novas tecnologias.” Lacerda relembra que o último plano concreto para a atração de turistas estrangeiros e a estruturação do setor foi o “Plano Aquarela”, lançado em 2003 pela Embratur para reposicionar a imagem do país no exterior. “Depois disso, o esquecimento”, lamenta o executivo, criticando as iniciativas lançadas nos últimos anos, que classificou como “superficiais”.

Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo, Embratur | Foto: Alexandre Siqueira/Shutterstock

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Apagão de mão de obra 

Entre os principais problemas que o setor de turismo enfrenta está a carência de mão de obra, provocada pelo excesso de programas sociais do governo. “Muitas vezes, o trabalho em um hotel é o primeiro emprego de uma pessoa sem qualificação. Ela vai aprendendo trabalhando. Mas se o Bolsa Família e subsídios públicos se tornam tão elevados como estão nesse momento, muita gente vai ficar desinteressada em trabalhar. E é isso que estamos vivendo. Tornou-se quase impossível achar garçons, faxineiras, arrumadeiras, ajudantes gerais, entre outros”, explica Lacerda, “um problema ainda mais grave para os hotéis pequenos e médios, a condução familiar, que não tem capacidade para aumentar o salário dos funcionários para fazer concorrência às benesses estatais”. A proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 apresentada pelo governo é considerada pelo executivo como um “golpe de misericórdia” em muitos hotéis já moribundos, principalmente os mais antigos e de menor dimensão. “Para muitos hotéis, é impossível contratar mais gente, terão que arcar com esse aumento de custos demitindo funcionários. Ou fechando as portas. Será um desastre”, diz.

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Caos tributário

Além disso, o executivo salientou o risco representado pela reforma tributária, aprovada nos primeiros meses de mandato do governo Lula. Isso porque os hotéis são sempre o último elo da cadeia de fornecimento e terão que repassar os Impostos sobre Valor Agregado aos clientes finais. “Isso vai aumentar os preços de forma brutal, em pelo menos 30%. Turismo se tornará, de fato, uma experiência de luxo”, diz Lacerda. Sem contar que a maioria dos fornecedores são empresas incluídas no Simples Nacional, que não terão como compensar os impostos entre compras e vendas. Tendo que mudar para outros regimes tributários, mais onerosos, ou optar pela informalidade.

Lula Bolsa´Família
Cerimônia de lançamento do novo Bolsa Família | Foto: Ricardo Stuckert/PR

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Concorrência desleal

Por último, a concorrência das plataformas de aluguel por curta temporada, como Airbnb, está devastando as contas dos hotéis. “Estamos batalhando para tentar deixar mais homogêneo o tratamento legal e tributário entre hotéis e apartamentos para alugar por dia. Conseguimos algum resultado, como por exemplo, o pagamento no Brasil de impostos sobre dividendos. Mas ainda estamos longe de ter uma concorrência leal entre hotéis e plataformas digitais de hospedagem”, diz Lacerda.

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O petróleo é nosso

A disparada da cotação internacional do petróleo terá um resultado positivo para o Brasil: a melhora da balança comercial brasileira. Segundo as previsões do BTG Pactual, o superávit do comércio exterior do Brasil em 2026 deverá aumentar de US$ 75 bilhões para US$ 90 bilhões. Patamar que deverá ser mantido também em 2027. O Brasil se tornou um exportador líquido de petróleo, com uma mudança estrutural nos últimos anos que transformou o país em um dos principais beneficiários do aumento dos preços internacionais da commodity. O relatório do BTG mostra como a cada US$ 10 de alta por barril é registrado um aumento aproximado de US$ 5,9 bilhões tanto na balança comercial quanto nas transações correntes.

Governo Lula estaria irritado com os postos de combustíveis; Petrobras | Foto: Shutterstock
O Brasil se tornou um exportador líquido de petróleo | Foto: Reprodução/Shutterstock

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Petrobras monitora terremotos

A Petrobras e seus parceiros no Consórcio de Libra investirão no maior projeto de monitoramento sísmico do mundo. Serão aplicados cerca de US$ 450 milhões em uma tecnologia inédita em águas profundas. Comparado a um “ultrassom” do subsolo marinho, o sistema será capaz de revelar estruturas geológicas e a movimentação de fluidos como óleo, gás e água, com foco no acompanhamento do reservatório do campo de Mero, na bacia de Santos. O sistema vai monitorar atividades de produção de petróleo e gás nos FPSOs Guanabara (Mero 1) e Sepetiba (Mero 2), com os primeiros dados previstos para o segundo trimestre de 2026. O objetivo é obter dados que permitam uma compreensão mais detalhada da dinâmica do campo e melhorem o gerenciamento da produção, com o objetivo de garantir a máxima recuperação de petróleo.

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Seguros crescem

O mercado segurador deve registrar um forte crescimento em 2026, com um ritmo de expansão de 5,7%. Muito superior ao 1,8% registrado em 2025. Segundo os dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o desempenho do setor neste ano poderia ser ainda maior se não fosse a taxação de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre planos de previdência. Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, esse imposto provocou uma redução de ​20% na captação de 2024 para 2026.

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Boticário é um foguete

O Grupo Boticário registrou mais um ano de forte crescimento no faturamento, com uma alta de cerca de 7% em 2025, alcançando R$ 38 bilhões em vendas ao consumidor (GMV). O resultado confirma a liderança do grupo no mercado de beleza no Brasil em categorias como perfumaria, maquiagem e cuidados com a pele, segundo dados da consultoria Nielsen. Com mais de 4 mil lojas e presença em até 97% dos municípios com mais de 28 mil habitantes, o Boticário tem como objetivo para 2026 a execução das marcas, com avaliação de aquisições e expansão em skincare. Os números mostram que essa estratégia é frutífera. Os produtos lançados nos últimos 24 meses responderam por 27% da receita, e a base de fidelidade soma 26 milhões de clientes.

O Grupo Boticário registrou mais um ano de forte crescimento no faturamento | Foto: Divulgação

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Sinais de alerta do campo

As vendas de máquinas agrícolas no Brasil deverão registrar uma queda de 6,2% este ano em relação a 2025. Segundo os números divulgados pela associação das montadoras (Anfavea), a agropecuária comprará menos máquinas por causa dos efeitos da guerra no Irã, como alta de custos de fertilizantes e transporte. Além disso, a redução da rentabilidade no setor agrícola, com margens de lucro de agricultores pressionadas, e as dificuldades para obter crédito com as altas taxas de juros, ajudarão a provocar a queda.

Leia também “O desastre do fim da escala 6×1”

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