Esta semana vimos a derrota de Viktor Orbán na Hungria, que foi muito comemorada pela esquerda — apesar de o vencedor ser um liberal, não um socialista. O curioso foi que, nessas comemorações, a própria esquerda parece não ter se dado conta de sua incoerência. Ora, alguém já viu ditador de verdade ser derrotado por votos nas eleições e acatar o resultado? Alguém imagina Fidel Castro, Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Daniel Ortega, Putin, Kim Jong-un e Xi Jinping agindo assim?

Logo, a primeira pergunta séria que alguém faria é: então a Hungria não era uma ditadura, afinal? Pois a esquerda martelou por anos que Orbán era um ditador num regime “iliberal”. O jornal Estadão, em seu editorial sobre o assunto, chamou a derrota de Orbán de “grande vitória da democracia liberal” e acrescentou: “Decano da nova extrema direita mundial, Orbán é derrotado inapelavelmente nas urnas, mostrando que regimes iliberais podem ser batidos pelo mais singelo instrumento da democracia: o voto”.
Encontre o erro! O voto foi capaz de tirar Maduro da Venezuela, por acaso? Claro que não! Todos viram a farsa eleitoral, e mesmo perdendo feio, Maduro continuou no poder até ser capturado pelos americanos. O motivo é simples: Maduro, sim, era líder de um regime ditatorial de extrema esquerda. Quem é derrotado nas urnas e aceita sair normalmente está num regime democrático, o mesmo que o elegeu para começo de conversa.

É absolutamente legítimo ter várias críticas a um líder que ficou tanto tempo no poder, assim como é do jogo apontar algumas ligações suspeitas — como, por exemplo, sua proximidade de Putin, esse sim um tirano cruel. Mas quando a imprensa não faz mais distinção entre os líderes de direita que ela não gosta e os verdadeiros ditadores, a maioria de esquerda, isso é desonestidade intelectual. E isso tem consequências, como aponta o editorial de The Wall Street Journal sobre o caso:
“Aqui está o que gostaríamos de ler esta semana, embora não contemos com isso: pedidos de desculpas de todos os analistas e políticos que previram que Viktor Orbán destruiria a democracia na Hungria. Acontece que eles estavam tão errados sobre Budapeste quanto estavam antes sobre o fim da democracia na Polônia.
[…] A democracia tem suas imperfeições, mas os eleitores na Europa e no resto do Ocidente não estão ansiosos para entregar seus países a autocratas. O que eles querem é que os líderes proporcionem prosperidade e ordem pública, e que resolvam problemas como a imigração descontrolada quando eles surgirem. Se os partidos de esquerda não fizerem isso, os eleitores vão se voltar para a direita. E vice-versa.
Quanto mais as elites gritarem ‘fascismo’ toda vez que um partido conservador se sai bem, mais credibilidade elas perdem junto ao público. Depois, os eleitores podem não escutar quando houver um lobo de verdade à porta.”
É exatamente isso! As elites esquerdistas e seus tentáculos midiáticos banalizaram tanto o termo “fascismo”, chamando qualquer um mais conservador de “extrema direita”, que isso leva à total perda de credibilidade dessa gente. Se um dia a ameaça for real — e ela pode vir da esquerda disfarçada de democrata, como costuma acontecer — então ninguém mais vai levar a sério a histeria dos jornalistas.
Não custa lembrar que, no caso da Hungria, o vencedor Péter Magyar foi do partido de Orbán, vem de uma família de juristas que tem ligações com a elite conservadora húngara (seu padrinho foi o ex-presidente Ferenc Mádl), e só rompeu com Orbán após escândalos de corrupção e indultos controversos. Ou seja, a derrota de Orbán está muito longe de ser uma vitória da esquerda!

Magyar defende valores como família, nação e cristianismo. As diferenças de Orbán começam na questão do globalismo: Magyar é pró-União Europeia e pró-Otan. Parece um típico liberal clássico com viés conservador. O problema é o grau incerto de influência do também húngaro George Soros, pois esse financia o esquerdismo radical mundo afora e usa o globalismo como instrumento para a destruição da soberania das nações. Mas, no caso sensível de imigrantes, Magyar promete combater a imigração descontrolada de forma ordenada, sem o tom radical de Orbán. Fins similares, métodos distintos.
Assim o Grok conclui a análise do que aconteceu na Hungria: “Em resumo, Magyar é um ex-insider do sistema de Orbán que se tornou seu principal algoz, representando uma direita mais pró-Europa, anticorrupção e reformista. Sua vitória marca o fim da era Orbán”. Mas não, definitivamente, o fim da democracia húngara, que continua respirando após tantos anos de Orbán. O que não dá é para ficar gritando “lobo fascista” toda hora que um candidato de esquerda perde…
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Essa esquerda tá ficando insustentável pela sua incoerência e não é só na Hungria
Como é bom ver Constantino tornar artigo justamente o que penso de nossa imprensa, especialmente do Estadão, jornal tucano outrora admirado, que desde a ascensão de Bolsonaro ao governo, envergonha velhos ex tucanos como eu hoje bolsonarista, o único presidente que representa realmente a direita democrática. Não podemos dizer que FHC, TEMER e outros representaram realmente a direita neste pais.
Excelente percepção do que ocorreu na Hungria. Parabéns!