Gilmar Mendes interrompeu o ligeiro sumiço e reapareceu no Supremo Tribunal Federal mais Gilmar Mendes que nunca. Na sessão deste 19 de março, a apresentação dividiu-se em duas partes. Na primeira, o decano do Pretório Excelso intrometeu-se nas atribuições do Congresso para socorrer o ministro Dias Toffoli, afundado até o pescoço no pântano do Banco Master, principal esconderijo dos meliantes que consumaram a maior fraude financeira da história do Brasil. Com a insolência que exibe quando veste uma toga, Gilmar anulou a quebra de sigilo do fundo Arleen — um dos tentáculos da criatura parida pelo vigarista Daniel Vorcaro —, aprovada pela CPI do Crime Organizado.
Ponto para os delinquentes. Em 2021, o Arleen adquiriu a participação da empresa Maridt no resort Tayayá, homiziado no litoral do Paraná. (“Mari” é o diminutivo de Marília, cidade natal de Dias Toffoli. Que integra o quadro societário da empresa da família, como informam as duas consoantes que complementam o nome da Maridt. DT.) Assim Gilmar concluiu o serviço iniciado em 27 de fevereiro, quando baixou no Egrégio Plenário para anular a quebra de sigilo da Maridt, determinada pela mesma CPI. Motivo alegado pelo decano: a medida fora aprovada “em manifesto e incontornável descumprimento dos limites do objeto da CPI”.
A intromissão de Gilmar foi resumida em língua de gente pelo senador Alessandro Vieira, integrante da CPI: “Infelizmente, não me surpreende essa ação articulada por alguns ministros com o objetivo expresso de travar investigações e garantir a impunidade dos poderosos. Para contemplar seus interesses, não têm nenhum constrangimento em rasgar a Constituição e atropelar outro Poder da República”. Não têm mesmo, confirmou a segunda parte da apresentação de Gilmar, reservada às homenagens prestadas a Alexandre de Moraes por ter completado na quinta-feira nove anos como titular do Timão da Toga.
Nas últimas linhas da discurseira que canonizou Moraes, o orador presenteou o parceiro e comoveu a plateia de ministros com a mais fofa de suas invenções: o choro convulsivo sem lágrimas. É um espetáculo e tanto. De repente, a voz fica embargada e vai perdendo força até cair fora da garganta. Volta depois que o orador engole água. Some de novo quando recita serviços prestados à Nação pelo inspirador do palavrório. Estranhamente, não se vê uma única e escassa lágrima pendurada em qualquer canto dos olhos. O que atesta a exuberância desse pranto é o beiço tremendo, que se projeta na direção do homenageado como um foguete bojudo prestes a decolar.
Foi a quinta exibição pública da singularíssima espécie de comoção. A estreia ocorreu em 2020, quando Celso de Mello se despediu da Corte que o transformara no Pavão de Tatuí. Em 2021, pouco antes de decretar que o juiz Sérgio Moro “agiu com parcialidade” ao mandar Lula para a gaiola, o decano contemplou o agora colega Cristiano Zanin com o mais espalhafatoso choro convulsivo sem lágrimas. “Nós fazemos, eu faço, na pessoa do doutor Zanin, uma justa homenagem à advocacia brasileira”, derramou-se entre um e outro copo d’água. Em 2023, chorou a depredação da sede do Supremo Tribunal Federal. Em 2025, na despedida de Luís Roberto Barroso, o beiço e a voz embargada revogaram o célebre bate-boca em que o país ficou sabendo das pitadas de psicopatia.
A performance que condecorou Moraes chegou ao ápice na leitura do último parágrafo do palavrório. “Vossa Excelência evitou que caíssemos em um abismo autoritário, onde ainda estaríamos vivendo tempos sombrios. (Pausa. A voz regressa com o timbre de quem acabou de ouvir no altar um “não” da noiva.) O Brasil tem uma dívida para com Vossa Excelência, ministro Alexandre… (Pausa. Começa o choro sem lágrimas. Ouve-se, segundos depois, um fiapo de voz.) As (pausa) futuras (pausa e água) gerações (pausa mais longa, outro gole, mais uma pausa) saberão (pausa, silêncio, água) reconhecê-la. Muito obrigado.”
Desta vez, decepcionou-se quem aguardava com justificada ansiedade a atuação dos lábios possantes. O ministro talvez tenha decidido que bastariam a voz embargada, as pausas e o litro de água. Também é possível que tenha poupado o beiço para uma tarefa bem mais complicada: justificar o contrato mágico que promoveu a milionária a advogada bisonha que alugou a um bandido de nascença o marido que salvou a democracia à brasileira. Convém providenciar um barril de água.

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Essa corte inteira deveria ser dissovlda. Precisamos de um reset institucional
Uma crítica muito pertinente ao ministro hipócrita e mentiroso, ministro “copo d’água”.
Me parece falso. Não é genuíno e nem bom ator.
Receio que nossos comentários nos tragam a PF às seis horas da manhã em nossas casas.
Pois é Augusto, mas será que estaríamos vivendo este manicômio se FHC & CIA. não tivessem feito o “L”?. Hoje teríamos ao menos 5 ministros (incluindo Fux) que em nada se parecem com esses insanos estilo GILMAR. Vale dizer que essa polemica figura, quando AGU de FHC, disse que as decisões do STF pareciam de um MANICÔMIO JUDICIÁRIO.
Creio que FHC e comparsas que admirei por tantos anos como tucano que fui, foram os articuladores desse SISTEMA mancomunado que nos governa e esta destruindo nossa democracia e economia.
Mais ridículo impossível. E este é o decano do STF! Me Deus! Virou mesmo a Suprema Tribuna Fuleira.
Da página 204 do “mini Aurélio – Dicionário da Lingua Portuguesa” – Editora POSITIVO – Edição de 2004
CA.NA.LHA sf. 1.Gente reles, desprezivel / s2g 2. Pessoa infame, indigna / 3. Infame, vil ….
Diante de tudo que tem sido feito por eles, esse adjetivo cabe muito bem para GILMAR, TOFFOLI, MORAES, CARMEM LÚCIA, ZANIN, FACHIN, e DINO. E se confirmadas as bandalheiras de familiares do Nunes Marques, servirá também para ele.
Que tristeza …..
Hahahaha muito boa Augusto. Melhor, levem uma piscina.
Ainda por cima, a falsidade intelectual que atribui ao ministro Alexandre de Moraes o impedimento de um golpe, perpetrado por um ex-governante que havia deixado o país para não ter a tristeza de ver um ex-presidiário receber a faixa para presidi-lo. Ora bolas, o ministro Alexandre entrou em cena depois (Lula já governava) e assim é impossível ser responsabilizado por evitar um golpe que era impossível por si só, ainda no nascedouro, sem absolutamente qualquer necessidade nem de um guarda de trânsito no primeiro dia de trabalho para deter. Sua excelência aniversariante nada fez exceto ajudar o país a se transformar na porcaria jurídica que é hoje. O Poder Judiciário inteiro hoje está desmoralizado por obra e graça de líderes supremos que funcionam como garantia de que bandidos da estirpe dos protegidos pela Corte que mais parece um escritório de advocacia do inferno. Não seria o grande poder privado que depende de a injustiça existir, para sobreviver? O setor público, também inativo, não seria manipulado pelo privado? Estranho que esses ministros estejam no Tribunal sem esses apoios. Muito estranho…
A propósito, note que o golpe de 06/01 (no Capitólio) ocorreu no governo Trump e por isso foi ele mesmo que foi abordado sobre. No 08/01 (Brasília) o governo era Lula, que nunca foi incomodado sobre a forma de controlar e evitar.
Que absurdo. Será que este espetáculo circense que vivemos atualmente vai acabar um dia? Será que veremos esses bandidos todos, togados ou não, na cadeia onde já deveriam estar há muito tempo. Por enquanto, sonhar ainda é livre. Quanto a contar o sonho, não sei…
ja que o filme Agente Secreto e nem seus atores ganharam o oscar, podiam entegar para esse togado que quase se afogou em lagrimas,,,,,
Completo débil mental