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Uma equipe de limpeza de 54 homens vasculhou as praias da Ilha Naked, no Estreito de Prince William Sound, no Alasca, Estados Unidos. A equipe trabalhou por três dias nesta praia, em 24 de abril de 1989 | Foto: Brian Peterson/Minneapolis Star Tribune/Zuma Press Wire/Shutterstock
Edição 314

Imagem da Semana: o desastre do Exxon Valdez

Derramamento de petróleo no Alasca afetou uma natureza intocada

Nas águas geladas do Alasca aconteceu uma das maiores catástrofes ambientais da história dos Estados Unidos. Durante a madrugada de 24 de março de 1989, o petroleiro Exxon Valdez, pertencente à Exxon, deixou o porto de Valdez carregado com cerca de 201 milhões de litros de petróleo bruto. Seu destino era Long Beach, Califórnia. Mas poucas horas depois, o navio bateu no Recife Bligh, no Estreito de Prince William Sound.

O impacto rompeu o casco e liberou mais de 40 milhões de litros de petróleo no mar — que se espalharam rapidamente pelas águas frias e pela costa selvagem do Alasca. O cenário, antes dominado por montanhas cobertas de neve e vida marinha abundante, transformou-se em uma paisagem contaminada, coberta por uma camada escura e viscosa.

Na madrugada de 24 de março de 1989, o petroleiro Exxon Valdez vazou mais de 40 milhões de litros de petróleo bruto no mar do Alasca | Foto: Erik Hill/Anchorage Daily News/MCT

Nos dias que se seguiram, o óleo já tinha tomado conta de cerca de 2 mil quilômetros de litoral. Em menos de dois meses, a mancha preta havia viajado por mais de 750 quilômetros de distância a partir da colisão no Recife Bligh, chegando até a Península do Alasca e à Ilha Kodiak. Milhares de peixes e outros animais morreram imediatamente, incluindo cerca de 250 mil a 500 mil aves marinhas, 3 mil a 5 mil lontras marinhas, 12 lontras de rio, 300 focas, 22 orcas e 250 águias-carecas — o impacto jamais será totalmente estimado. Ecossistemas inteiros sofreram um abalo que perdurou por décadas. Vestígios do petróleo ainda podem ser encontrados em algumas áreas isoladas do Alasca, protegidos sob camadas de sedimento.

O desastre também afetou um dos principais recursos econômicos do povo nativo — a indústria pesqueira do Alasca, responsável por fornecer muitos empregos. Em 1993, a pesca de salmão e arenque entrou em colapso, levando algumas comunidades locais à falência.

Investigações posteriores revelaram que o capitão do navio, Joseph Hazelwood, havia consumido álcool antes do embarque e não estava no comando direto no momento da colisão. Além disso, sistemas de monitoramento e resposta a emergências mostraram-se incapazes de lidar com um desastre dessa escala. Houve uma grande demora para usar os equipamentos de contenção e as condições climáticas dificultaram ainda mais os esforços de limpeza. 

Em 9 de abril de 1989, um trabalhador limpa uma área tomada por petróleo, em Point Helen, depois do vazamento do Exxon Valdez no Estreito do Prince William Sound, Alasca | Foto: Arlis/Planet Pix via Zuma Wire/Shutterstock
Pássaro coberto de petróleo depois do vazamento do Exxon Valdez, no Alasca, em 1989 | Foto: Shutterstock

As consequências foram profundas. Em 1990, os Estados Unidos aprovaram a Lei de Poluição por Petróleo (Oil Pollution Act), que reforçou a responsabilidade das empresas petrolíferas e estabeleceu medidas mais rigorosas de prevenção e resposta a derramamentos. O acidente também impulsionou mudanças no transporte marítimo, incluindo a exigência gradual de cascos duplos em petroleiros.

A tentativa de limpar o petróleo derramado levou três anos, envolveu 11 mil trabalhadores e custou mais de US$ 2 bilhões na época. Em 2008, a Suprema Corte dos EUA reduziu a multa punitiva original de US$ 5 bilhões para apenas US$ 507,5 milhões, um valor considerado baixo por muitos críticos e habitantes afetados. O Exxon Valdez, após ser reparado, foi renomeado várias vezes e, em 2012, vendido como sucata para uma empresa indiana por cerca de US$ 16 milhões.

Em 2010, a plataforma de perfuração de petróleo, Deepwater Horizon, conseguiu a proeza de estabelecer o recorde de maior volume liberado por falha técnica e explosão no Golfo do México. Cerca de 785 milhões a 795 milhões de litros vazaram durante 87 dias — um volume vinte vezes maior que o do vazamento no Alasca.


Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

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2 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Giorno bela reportagem, o tempo passa mas nada foge à memória

  2. João Luiz Bosso
    João Luiz Bosso

    Eu me lembro dessa tragédia; foi algo nunca visto antes. Descubro agora que houve outra pior depois, em 2010, que não ficara sabendo.
    O desastre não só afetou peixes e animais marinhos, mas também aves como as águias-carecas, e tão grave quanto isso, como mostra a jornalista, indústrias, empregos, falências e um enorme desequilíbrio do ecossistema.
    A descrição traz múltiplos detalhes que eu não conhecia. Por isso e pelo sempre ótimo trabalho de pesquisa, digo que é a primeira reportagem que leio.
    Parabéns!

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