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O boneco gigante em homenagem a Lula foi o principal destaque do carro alegórico da Acadêmicos de Niterói | Foto: Reprodução/X
Edição 310

Lulopetismo rebaixado

A esquerda consegue destruir tudo o que toca. Nem o Carnaval resistiu

Quando, no final da noite do domingo, 15 de fevereiro de 2026, a Acadêmicos de Niterói entrou na Avenida Marquês de Sapucaí para abrir o primeiro dia do desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro com uma homenagem a Lula, o Carnaval do Rio já não seria mais o mesmo. De “o maior espetáculo da Terra”, tinha sido transformado em mero palanque eleitoral. E protagonizado por uma escola ainda sem expressão, que acabara de ascender à elite da avenida. Recorrendo ao melhor das tradições carnavalescas do passado, resumiu-se a um enorme “cordão dos puxa-saco”, aquele que cada vez aumenta mais. Original de 1945 e composta por Roberto Martins e Frazão, a marchinha que retrata a bajulação desavergonhada não poderia ser mais atual. O Carnaval é do povo, é livre e costuma fazer piada com a política e os políticos, jamais incensá-los. Lula e a esquerda subverteram esse espírito e, no caso do Rio, tiraram o protagonismo das outras escolas com seus milhares de integrantes que trabalham durante um ano inteiro para mostrar apoteoticamente um desfile que chama a atenção do mundo. Ao apostar no uso político do desfile para benefício próprio, a esquerda e o governo anteciparam a eleição com todas as suspeitas de abuso de poder político e econômico, e muito pouca gente falou dos demais enredos e apresentações. As consequências eleitorais são inequívocas, agravadas pelo uso do dinheiro público e da máquina do Estado, que entrou em funcionamento para permitir que o presidente estivesse no sambódromo não para prestigiar uma festa popular, mas para ver um desfile de culto à sua imagem no pior estilo de ditadores africanos, de Kim Jong-un, da Coreia do Norte, ou de Maduro, da Venezuela, hoje preso por tráfico de drogas e acusado de financiar partidos de esquerda ligados ao Foro de São Paulo, criado por Lula.

A exibição no sambódromo transforma a festa popular em um culto à imagem semelhante ao de regimes autoritários | Foto: Reprodução/X

Se o TSE será rigoroso o suficiente, não se sabe. Há muito, a Justiça deste país é imprevisível para a própria lei. Para Bolsonaro, uma reunião com embaixadores — prerrogativa do presidente da República — e um discurso depois do 7 de Setembro foram considerados gravíssimos pelo Tribunal e o ex-presidente hoje está inelegível. Como então deveria o TSE classificar um desfile de autopromoção pessoal com uso de dinheiro público, bandeiras partidárias do governo, críticas a opositores e menosprezo a religiosos visto por milhões em rede nacional? Independentemente do que fará a corte eleitoral — é preciso cobrar isonomia dela — fato é que o cidadão do país inteiro reconhece quando ele é feito de tolo com o dinheiro dele próprio. E aí o governo atual, antes soberbo pela homenagem “como nunca na história deste país”, entrou em modo desespero porque a estratégia deu errado.

O caso em si pode ser dividido em três campos de repercussão: a questão jurídica, a repercussão na imprensa — antes dócil a Lula — e a político-eleitoral, do comportamento do eleitor, aquele que decide eleição. O primeiro depende de quão técnico, independente e isonômico será o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, o TSE é presidido pela ministra Cármen Lúcia, a da “censura até segunda-feira” ao filme da Brasil Paralelo, proibido de ser lançado, num ato de censura prévia grotesca e inconstitucional até as vísceras. No caso do desfile da escola de Niterói, a Corte rejeitou uma liminar que pretendia barrar o desfile. Na defesa da liminar apresentada inicialmente pelo Partido Novo, o argumento era o de que, se a escola desfilasse com inegável propaganda a Lula, o dano poderia ser irreparável. Transmitido pela Rede Globo com alcance nacional de milhões de espectadores, além dos milhares in loco e de toda a repercussão, se a “homenagem” desse certo, um candidato — e Lula já deixou claro que pretende concorrer à reeleição em outubro — teria tido enorme exposição em detrimento dos concorrentes.

Ministra Cármen Lúcia, durante sessão da 1ª Turma em 10/09/2025; ela vota na tarde desta quinta-feira, 11, na Ação Penal 2.668 | Foto: Rosinei Coutinho/STF
O futuro jurídico da exibição carnavalesca depende da postura do tribunal eleitoral diante das suspeitas de vantagem política | Foto: Rosinei Coutinho/STF

O TSE deu de ombros ao risco e permitiu o desfile, mesmo sabendo que a escola havia recebido R$ 1 milhão da Embratur com um enredo que era previsivelmente favorável à imagem do presidente e com todas as referências às campanhas e ao governo de Lula. No descritivo da Acadêmicos de Niterói enviado à Liesa, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, organizadora dos desfiles, havia um “Sem Anistia” misturado com defesa da “soberania”, frases repetidas à exaustão pelo presidente e seu cordão de áulicos. Era o prenúncio do que viria nas alas e carros alegóricos. Lula foi retratado como uma figura mítica e sem defeitos. Nenhuma citação ao Mensalão, ao Petrolão e à Odebrecht, ao triplex do Guarujá, ao sítio de Atibaia e às condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por três instâncias da Justiça do país. Nenhuma referência ao STF e à tese estapafúrdia do CEP de Curitiba para anular o julgamento e fazer Lula candidato de novo. Não houve também menções ao Arrozão, em plena crise humanitária do Rio Grande do Sul, ou ao esquema de roubo de aposentados do INSS, que explodiu nos dois primeiros anos do terceiro mandato envolvendo sindicatos e entidades historicamente ligadas à esquerda. Os carnavalescos também não lembraram dos milhares de mortos e milhões de infectados pela maior crise de dengue, entre 2023 e 2024. E olha que a fantasia do mosquito misturado à imagem de Lula, do meme “presidengue”, estava pronta para ser usada. Puxa-saco, como o nome diz, bajula, não está preocupado com os fatos. Mas o TSE deveria.

Além de todas as evidências da avenida, o ator Paulo Vieira, que interpretou Lula no carro alegórico que tratava como “golpe” o constitucional impeachment de Dilma Rousseff, disse que recebeu o convite diretamente de Janja e Lula. Até as paredes da Justiça Eleitoral sabem que isso configura pleno conhecimento do enredo e que é muito grave. O preconceito religioso contra evangélicos, o preconceito contra a família tradicional e adversários políticos, como Michel Temer e Jair Bolsonaro, transcende e muito a manifestação artística. Culto à imagem, deturpação dos fatos e discriminação religiosa com dinheiro público são indícios explícitos de campanha eleitoral antecipada e caso notório de abuso de poder político com uso de dinheiro público? Ou não? O TSE vai ter de dizer ao país inteiro o que ele pensa de fato. Se não punir o candidato afoito, a ala de “conservadores enlatados” fará o serviço via voto popular. Tentaram “lacrar” com algo que o PT e Lula pensam e expõem há muito tempo. Podem ter cometido o maior erro político e eleitoral do ano.

A tentativa de impor uma narrativa partidária com recursos públicos pode se transformar no maior erro eleitoral do ano para o PT | Foto: Divulgação

Na imprensa aliada, o constrangimento nas redações era sentido no ar. Muitos receberam gordas publicidades oficiais determinadas pela Secom, a poderosa Secretaria de Comunicação do governo que distribuiu R$ 934 milhões a vários meios da mídia tradicional brasileira. Só o grupo Globo, que transmite os desfiles, recebeu R$ 462 milhões, quase a metade. Até outro dia, era a mesma mídia que poupava o governo Lula de todas as bobagens ditas pelo presidente, na famosa “passada de pano”, quando se reduz a cobertura dos deslizes palacianos ou se minimizam os atos presidenciais fora da ética, da estética e dos ritos do cargo. Sem contar a tragédia fiscal e o dano institucional sem precedentes, o caso do Banco Master está no cangote do Palácio do Planalto, do parceiro de consórcio, o STF, e fustiga igualmente aliados no Congresso. Lula voltou e, com ele, vieram novamente os escândalos. Os gafanhotos seriam menos nocivos. O Brasil do lulopetismo não é o do desfile. É o do atraso e do retrocesso em todas as conquistas de governos anteriores e do povo brasileiro. Para citar apenas duas, a democracia de verdade e a luta contra a inflação. Ao fazerem cara de paisagem diante dos abusos contra os mais básicos direitos e garantias individuais constitucionais até outro dia e a degradação da economia, essa imprensa foi cúmplice. Tem dado sinais de que teria recuperado a consciência. Que recobrem o apreço pelos fatos, porque até a mídia internacional — que, com raras exceções, se comportou da mesma maneira na balela do “estamos salvando a democracia” — deu as caras e se mostrou crítica. Abuso de poder político-eleitoral e culto à imagem com dinheiro público não precisam de tradução. Os jornalistas estrangeiros viram o desfile e colocaram Lula na mesma caixa de populistas egocêntricos e autocráticos ao redor do mundo.

Mas o principal ponto sobre o desfile é que está por vir: o julgamento do eleitor, a ofensa ao seu modo de vida, às suas crenças religiosas e aos seus valores conservadores que não cabem numa lata porque são livres. Cansado da opressão, da esquerda a lhe tirar o direito de ser quem deseja ser e no que acreditar, do cancelamento do debate livre, da plena liberdade de expressão, da violência do mundo woke, esse cidadão que já impõe derrotas humilhantes ao governo nas redes sociais, terá as eleições de outubro para dizer que não aceita mais isso, que quer o país de volta. Além dos eventuais crimes de abuso econômico e político com claras consequências eleitorais, a candidatura Lula vai enfrentar Sua Excelência, o eleitor. Depois da apertada eleição de 2022 e de como ela se deu — ninguém se esquece do ativismo judicial contra um lado e a favor do outro — qualquer candidato precisa virar votos para chegar à presidência. Longe dos polos de esquerda e direita, cada um com 30% de votos estáveis, há 40% da população do país que oscila entre um e outro. Majoritariamente conservadora nos costumes e com demanda reprimida por dar certo, Lula deu um tapa na cara desses eleitores com uma deslumbrada autopromoção preconceituosa e discriminatória aos demais brasileiros. Ao enlatar conservadores como se fossem cidadãos menores, intelectualmente desprezíveis, a Acadêmicos de Niterói só deu forma de fantasia e alegoria ao pensamento de Lula e da esquerda em plena avenida: menosprezo aos conservadores, aos religiosos — em especial os evangélicos —, e críticas ferozes ao agronegócio, orgulho do país, e à crença dos brasileiros no sentimento de família. Foi a apoteose da estupidez, digna dos pretensiosos que se imaginam donos do Brasil. A luz vermelha acendeu no entorno de Lula. E o vermelho aqui não é uma homenagem ao PT ou ao figurino cafona dos petistas. É de cartão vermelho.

Como nada resiste à verdade de um dia depois do outro, a Acadêmicos de Niterói foi rebaixada. Lula e a esquerda foram junto.

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7 comentários
  1. COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA
    COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA

    EXCELENTE ANALISE !!!!
    A NOSSA RESPOSTA VIRA NAS ELEIÇÕES !!!!

  2. Domingos Henrique Fazan Caramano
    Domingos Henrique Fazan Caramano

    Ótima reportagem, parabéns!

    E, ao governo arrogante que acha que pode tudo,um recado: a arrogância, precede a queda!

    Fora Lula e a quadrilha PT/STF!!!

  3. Lourival Nascimento
    Lourival Nascimento

    Fomos avisados… LULA E A ACADÊMICOS DE NITERÓI FORAM REBAIXADOS COM SUCESSO. NA FALTA DE ARGUMENTOS E AVANÇOS DO SEU GOVERNO PARA MELHORIAS NAS CONDIÇÕES DE VIDA DOS BRASILEIROS, LULA REGURGITOU NA ÍNDIA SUA TENDÊNCIA AUTORITÁRIA, BEM AO MODO DA ULTRA EXTREMA ESQUERDA CLEPTOCRATA DO PRÓPRIO LULA. “REGULAR”A INTERNET, LULA, É UM EUFEMISMO PARA IMPLANTAR A CENSURA A QUEM NÃO APOIA A DESGRAÇA DO SEU GOVERNO.
    Mas LULA, não fosse a liberdade da INTERNET, as pessoas não saberiam do MENSALÃO, PETROLÃO, APOSENTÃO, MASTERZÃO, TOFFOLÃO, CONTRATÃO DA ESPOSA DO XANDÃO, a QUEDA da Instrução Normativa 2219/24 da Receita Federal que abriria a porta do inferno sobre taxações do PIX, 9,6 milhões de REAIS para a REBAIXADA Acadêmicos de Niterói inflar sua rala aprovação, da briga da sua FILHA, com a Janja, que continuam livres para qualquer vivente consultar, Palocci, Marcelo e Emílio Odebrecht, Joesley Batista, Paulo Roberto Costa, Delcídio do Amaral, entre tantos outros que mostraram a sua podridão moral, DELATANDO você, LULA por CORRUPÇÃO e LAVAGEM DE DINHEIRO. O esgoto do SUPREMO TAYAYÁ MASTER FEDERAL já chegou em você, LULA. Não vai ser falando mal dos brasileiros que usam a INTERNET que você escapará da fragorosa derrota em Outubro. Seus amigos JUÍZES supremos mais próximos de você já nem recorrem a você por saberem que foram enganados, LULA. Você despreza a leitura, mas ler lhe ajudaria a mentir menos. Vamos falar de DEMOCRACIA, LULA? “Lei é a forma como povo expressa sua vontade” “A democracia só é possível em um país regido por leis e não por juízes. Dizer que, com uma lei ruim, um juiz poderia chegar a um resultado melhor, é negar o sistema democrático” “E o que o povo decidiu, está refletido nas leis e na Constituição do país. Se há leis ruins, as decisões dos juízes serão ruins. Se tiver de interpretar um estatuto ruim, eu, pelo meu voto, sou forçado a gerar uma decisão ruim” “Fazer um trabalho diferente deste é criar uma espécie de “aristocracia de juízes” “Não dá para julgar pelas matérias dos jornais” Quem disse isso no BRASIL, LULA, não foi um dos seus sócios do SUPREMO TAYAYÁ MASTER FEDERAL, mas ANTONIN SCALIA Juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, que você tanto odeia. Claro que o Juiz ANTONIN SCALIA sabe, LULA, que você e o PT não aprovaram a CONSTITUIÇÃO de 1988 e que há no BRASIL a DITADURA DA TOGA. Por DITADURA DA TOGA, LULA, lembro-lhe do que disse o Presidente de El Salvador, NAYIB BUKELE. “SE VOCÊ NÃO DESTITUIR OS JUÍZES CORRUPTOS, VOCÊ NÃO CONSEGUE CONSERTAR O PAÍS. ELES FORMARÃO UM CARTEL – UMA DITADURA JUDICIAL – E BARRARÃO TODAS AS REFORMAS, PROTEGENDO O SISTEMA CORRUPTO QUE OS COLOCOU NO PODER”

  4. José Pedro Scatena
    José Pedro Scatena

    Ficando no campo estritamente carnavalesco, o desfile da Acadêmicos de Niterói, por seu grosso financiamento estatal, por sua utilização como palanque antecipado e por ter se vendido, acabou atraindo todos os holofotes disponiveis no carnaval e tornou irrelevantes os desfiles das outras escolas, sequestrando redações e câmeras todas para sua atravessada no samba. Matou o Carnaval de 2026.

  5. Renato Perim
    Renato Perim

    Todas as matérias da Oeste são excelentes, mas todos os colunistas cometem o mesmíssimo erro de cálculo. Chega a ser cansativo ter de explicar o óbvio. Se na eleição de 2022, que sua insolência o presidemente lula da çilva tinha menos apoio, não tinha a máquina eleitoral na mão, os órgãos fizeram o que foi feito, imagina em 2026 como eles não farão mil vezes pior. Otimismo sim mas ingenuidade não convém a pessoas influentes como todos os colunistas de Oeste.

    1. JOÃO RICARDO ASTOLPHI
      JOÃO RICARDO ASTOLPHI

      Infelizmente tenho que concordar com vc, com muita dor no coração. É cristalino que o TSE, na figura do Bento Carneiro, irá dar de ombros à questão de inelegibilidade do descondenado, a sabotagem eleitoral será muito maior que em 2022 e as caixas mágicas, ahhh como são mágicas, irão operar no full mode! Sim, sem ingenuidades de eleitores conscientes! O que não existe no Brasil é consciência da maior parte da população! Reflexo direto disso foi o próprio carnaval desse ano, ruas mais que lotadas, alguém lá preocupado com a Brazuela? Zero!

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