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A Imperatriz Farah Diba ao lado do seu marido Mohammad Reza Pahlavi e seus filhos Reza, Ali Reza e Farahnaz, no jardim do palácio Teerã, no dia 14 de outubro de 1938. Farah Diba foi a última imperatriz do Irã moderno, viúva de Mohammad Reza Pahlavi, o deposto Xá da Pérsia | Foto: 1970 Archivio Storico Olycom/LaPresse//Shutterstock
Edição 310

Imagem da Semana: o Irã antes de 1979

A Revolução Islâmica mudou completamente a sociedade iraniana – em todos os aspectos

Em um tempo não muito distante, o Irã era socialmente muito mais vibrante, liberal e secular do que é hoje. Antes da Revolução Islâmica de 1979, o país era governado por Mohammad Reza Pahlavi, o último xá da dinastia Pahlavi. Seu reinado de quase 40 anos (1941–1979) foi marcado por um projeto ambicioso de modernização econômica e social, aliado a um regime político autoritário.

Na década de 1960, o xá lançou a chamada Revolução Branca, um conjunto de reformas que incluía redistribuição de terras, expansão da educação pública, incentivo à industrialização e concessão de direitos às mulheres, como o voto (introduzido em 1963). O governo também investiu fortemente em infraestrutura, saúde e urbanização. Com o aumento expressivo das receitas do petróleo nos anos 1970, o país viveu rápido crescimento econômico e passou por intensa modernização, especialmente em grandes cidades como Teerã.

Havia crescimento de universidades, cinemas, cafés, empresas privadas e infraestrutura moderna. A elite urbana vivia de forma semelhante a padrões europeus ou norte-americanos, com acesso à moda ocidental, música internacional e maior liberdade social. Mulheres das classes média e alta, especialmente em centros urbanos, podiam frequentar universidades, ingressar no mercado de trabalho, vestir-se com saias curtas e sem véu (o uso não era obrigatório), além de participar da vida cultural e social.

Jovens iranianas se divertem em uma praia | Foto: Wikimedia Commons
Mulheres iranianas em um dia na praia, em 1970 | Foto: Domínio Público
Uma iraniana posa de maiô em uma praia na década de 1960 | Foto: Wikimedia Commons

O Irã mantinha relações estreitas com os Estados Unidos e países europeus, sendo considerado um aliado estratégico do Ocidente no contexto da Guerra Fria. O país adotava um modelo de desenvolvimento fortemente influenciado por padrões ocidentais, tanto na economia quanto nos costumes urbanos de parte da população.

Entretanto, o período também foi caracterizado por repressão política. A temida polícia secreta do regime, a Savak, era responsável por monitorar, prender e interrogar opositores. Partidos políticos tinham atuação limitada e críticas ao governo eram frequentemente reprimidas. A concentração de poder nas mãos do xá e as desigualdades sociais geradas pelo crescimento acelerado provocaram insatisfação em diferentes setores da sociedade, incluindo religiosos, intelectuais, estudantes e trabalhadores.

Xá Mohammed Reza Pahlavi | Foto: Wikimedia Commons

Além disso, parte do clero xiita se opunha às reformas do xá, considerando-as excessivamente ocidentais e contrárias aos valores islâmicos tradicionais. Essa oposição religiosa ganhou força ao longo dos anos 1970, especialmente em meio à inflação, ao desemprego e à percepção de corrupção no governo.

Esses fatores — modernização rápida, autoritarismo político, desigualdade social e tensões culturais — criaram um ambiente de crescente instabilidade. Em 1979, após meses de protestos massivos, greves e confrontos, o xá deixou o país, abrindo caminho para a Revolução Islâmica que transformaria profundamente o sistema político e social iraniano. 

Assim, o Irã deixou de ser uma monarquia e tornou-se uma república teocrática. A nova Constituição, aprovada no fim de 1979, estabeleceu o princípio do Velayat-e Faqih (“governo do jurista islâmico”), que concede autoridade suprema a um líder religioso. O aiatolá Ruhollah Khomeini tornou-se o primeiro Líder Supremo, posição com amplos poderes sobre as Forças Armadas, o Judiciário, a mídia estatal e decisões estratégicas do país.

Iranianos se divertem em Teerã ao som de rock and roll no início dos anos 1960 | Foto: Reprodução/Rare Historical Photos

Embora eleições para presidente e parlamento tenham sido mantidas, candidatos são previamente avaliados por órgãos religiosos, como o Conselho dos Guardiães, o que limita a pluralidade política. 

A legislação passou a ser baseada na interpretação xiita da lei islâmica (Sharia) e isso afetou diversas áreas:

  • Implementação obrigatória do uso do hijab para mulheres em espaços públicos.
  • Separação mais rígida entre homens e mulheres em determinados ambientes.
  • Reformulação do direito de família e das normas de comportamento social.
  • Introdução de punições baseadas na lei islâmica para certos crimes.

Universidades passaram por um processo conhecido como “Revolução Cultural”, com revisões curriculares e afastamento de professores considerados contrários ao novo regime, que adotou uma postura declaradamente antiocidental e passou a defender a exportação de sua revolução para outros países da região.

A Revolução Islâmica não foi apenas uma troca de governo, mas uma transformação estrutural do Estado iraniano — substituindo uma monarquia secular e pró-Ocidente por uma república teocrática baseada na autoridade religiosa, redefinindo o papel da religião na política e reposicionando o país no cenário internacional.

Jovens participando da Revolução Islâmica do Irã em 1979 | Foto: David Burnett/Wikimedia Commons

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

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3 comentários
  1. João Luiz Bosso
    João Luiz Bosso

    Havia corrupção na monarquia do Xá que necessitava de mudanças, mas a “tomada de poder” dos que pretendiam um regime teocrático, fez com que o aiatolá Khomeini radicalizasse com a islamização, sendo a semente da barbárie que se vê hoje, com milhares de mortes fratricidas que nem precisam de motivos.

    1. Mary Rodrigues De Oliveira Rios
      Mary Rodrigues De Oliveira Rios

      Aonde não existe corrupcao hoje em dia?

  2. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    A monarquia iraniana não era um exemplo a ser seguido, mas o que veio após a revolução islâmica é contra tudo o que existe de civilizado.

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