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Grupo Especial – Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí | Foto: Alex Ferro/Riotur
Edição 310

Carta ao Leitor — Edição 310

Os mais recentes episódios sobre o escândalo do Banco Master e a situação do país cinco anos depois da aprovação do Marco Legal do Saneamento estão entre os destaques desta edição

Além das boas e más ideias, existem as genuínas ideias de jerico. Estas costumam ignorar qualquer tipo de alerta. João Santana, ex-marqueteiro de Lula, avisou nas redes sociais que nesta terceira categoria seria enquadrada a ideia de transformar o Presidente da República em enredo da Acadêmicos de Niterói. Como se não bastassem todas as evidências de propaganda eleitoral antecipada, o desempenho foi considerado tecnicamente tão medíocre que levou a escola de samba de volta à segunda divisão.

De quebra, a reportagem de capa desta edição, assinada por Rachel Díaz, mostra que a popularidade de Lula caiu mais ainda no universo dos evangélicos, dos conservadores e dos pagadores de impostos — que financiaram o fiasco na Sapucaí. “Enlataram os religiosos, as famílias — enlataram e satirizaram, além da direita, o Centrão — o fiel da balança eleitoral”, observa Alexandre Garcia. “Se Lula pensava em atrair o MDB para vice, perdeu, após a escola mostrar Temer arrancando a faixa presidencial de Dilma.”

Outra que não saiu bem no retrato foi Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Depois de políticos oposicionistas recorrerem ao tribunal para tentar impedir o desfile, a ministra optou por um voto semelhante ao proferido na eleição presidencial de 2022. De novo, ela reconheceu que a Constituição e a jurisprudência do Supremo vedam qualquer forma de censura prévia. Há quase quatro anos, contudo, ela proibiu a veiculação de um documentário da Brasil Paralelo sobre o atentado contra Jair Bolsonaro. Desta vez, Cármen Lúcia liberou geral. E o desfile da Acadêmicos de Niterói transformou o maior espetáculo da Terra num mero palanque eleitoral, resume Adalberto Piotto

Se os brasileiros acreditam que o ano só começa depois do Carnaval, neste verão antecipou-se o trabalho no Supremo. O caso Master, o vazamento de uma reunião reservada da Corte, o afastamento de Dias Toffoli da função de relator e a ofensiva de Alexandre de Moraes contra auditores da Receita fizeram destes primeiros meses um período atípico. A reportagem de Augusto Nunes e Cristyan Costa evidencia a quebra da harmonia entre os ministros — e avalia suas possíveis consequências.

O comportamento do Judiciário também é o tema da coluna de Rodrigo Constantino. “Somente agora que Alexandre de Moraes estaria disposto a partir para cima da imprensa tradicional, com ‘sangue os olhos’, que muitos jornalistas se deram conta do perigo de inquéritos ilegais”. Constantino pergunta: “Será que essa gente nunca leu sobre regimes tirânicos para entender que o abuso de poder jamais fica restrito aos primeiros alvos?”. 

Longe das plumas e dos paetês, existe um Brasil que sobrevive sem água tratada e distante das redes de esgoto. Embora a situação tenha melhorado nos últimos cinco anos, depois da aprovação do Marco Legal do Saneamento, o país ocupa a 112ª posição no ranking do setor, que reúne 200 nações.

“Enquanto algumas cidades se aproximam da universalização dos serviços, outras ainda convivem com índices comparáveis aos dos países mais pobres”, relata Edílson Salgueiro. No Norte, pouco mais de 20% da população são alcançados pela coleta de esgoto. No Nordeste, o índice gira em torno de 30%. No Sudeste, supera 80%. Os piores indicadores se concentram nas regiões onde Lula e o PT costumam obter seus melhores resultados eleitorais. A geografia do voto, no Brasil, raramente se dissocia da geografia do atraso.

Boa leitura.

Branca Nunes,

Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 310. A escola de samba Acadêmicos de Niterói abre os desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro 2026 com enredo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, no sambódromo da Marquês de Sapucaí, no centro da capital fluminense, no dia 15/02/2026 | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

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5 comentários
  1. Daniel BG
    Daniel BG

    Como disse a governadora do Rio Grande do Norte, 2026, “tege” inaugurado!

  2. Manoela Machado
    Manoela Machado

    Por isso dentre outras razões que na gosto de saber que vcs ainda não se posicionaram quanto a campanha presidencial ! Vcs sabem que só terá dois lados , Flávio e Lula e se vcs vão ficar em cima do muro ou definitivamente descerem pra esquerda eu não assino mais ! Nós temos que acabar com essa bandalheira e isso só vai acontecer com Flávio ! Não adianta vcs ficarem aí fingindo que não é com vcs !

  3. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Uma propaganda eleitoral descarada, safada e sem vergonha. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro.
    Oeste segue na vanguarda da nova imprensa, oferecendo a nós, leitores-assinantes, os fatos como os fatos são e dando nomes aos bois. E aos canalhas.

  4. Patricia Bretas
    Patricia Bretas

    Sou Batista, e concordo 100% com a Branca Nunes: se é que era possível algum evangélico simpatizar com o lula (recuso-me a usar a letra maiúscula no nome dele), tal realidade mudou bastante desde que o petista proferiu aquele grosseiro discurso contra nós.

  5. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Tá bom mais uma vez. Compartihei no facebook para os amigos.
    Faça um pequeno raciocinio aqui com o leitor-assinante.
    Se o desfile fosse em 2025 ou em 2027, quando não há eleições, tudo bem. Poderíamos aceitar a crítica polítia e até a homenagem seria menos desgastante (abuso de poder político + verbas públicas). Mas, num ano eleitoral importante, é uma pré-campanha escancarada. Até os bugius e carucacas e siriemas aqui do fundo do sertão entenderam o crime pratica pela máfia.

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