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Bandeira rasgada | Foto: Freepik
Edição 301

Carta ao Leitor — Edição 301

O novo papel dos empresários no governo Lula e a condenação de Filipe Martins estão entre os destaques desta edição

Em sua coluna desta semana, Alexandre Garcia começa por lembrar uma lição aprendida ainda menino com o avô: ética é saber distinguir o certo do errado — e escolher o certo. “Por exemplo, ministros do Supremo não precisarem se declarar impedidos para julgar ações provenientes de bancas de advocacia de seus parentes — na verdade, de seus próprios escritórios”, afirma. Qual seria a escolha correta? “Meu avô, quando eu tinha uns 12 anos, me ensinou que isso não se faz. É grave imoralidade.” Simples assim.

Como o exemplo não vem de cima, o Brasil vai se tornando um viveiro fora da lei. No momento, a cara da ladroagem atende pelo nome de Daniel Vorcaro, dono do falido Banco Master. Sua biografia, resumida por Carlo Cauti na reportagem de capa desta edição, evidencia que ele só conseguiu protagonizar a maior fraude bancária da história do Brasil graças à cumplicidade de amigos especialmente influentes espalhados pelos três Poderes da República.

Num dos países mais corruptos do mundo — que não tem um único corrupto na cadeia —, gente como Daniel Vorcaro sorri quando ouve voz de prisão. Tem motivos: ele ficou apenas 12 dias atrás das grades. Em contrapartida, inocentes como Filipe Martins são condenados a 21 anos de prisão sem terem cometido crime algum. O desfecho do processo kafkiano contra o ex-assessor para Assuntos Internacionais do governo Jair Bolsonaro é o tema da reportagem de Cristyan Costa.

Além da aplicação de golpes em funcionários públicos que perderam seus fundos de pensão, outra especialidade do Banco Master era patrocinar convescotes que reuniam empresários, políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal. Como mostra Adalberto Piotto, no Brasil de Lula certos empresários passaram a exercer um papel que caberia ao Itamaraty — e vêm conseguindo, entre outras coisas, destravar as relações do Palácio do Planalto com o governo Donald Trump.

A revogação da Lei Magnitsky aplicada a Alexandre de Moraes foi uma dessas “conquistas”. Tudo, claro, negociado em segredo. “Em outubro deste ano, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, determinou sigilo de cinco anos sobre a correspondência da embaixada brasileira em Washington envolvendo os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS”, relata Piotto. Assim, será difícil descobrir até que ponto interesses privados se sobrepuseram aos interesses públicos nessa e em outras negociatas.

Também tramita sob sigilo o caso do Banco Master no STF. A decisão foi tomada por Dias Toffoli poucas horas depois de viajar num jatinho particular para assistir em Lima, no Peru, à final da Copa Libertadores. Ao seu lado estava um dos advogados do Master, Augusto Arruda Botelho, ex-secretário de Justiça do governo Lula. “A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida — palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição”, observa Rodrigo Constantino. “O que há com o Brasil decente que não se espanta com nada?”, pergunta Augusto Nunes.

Tantas imoralidades ocorrem sob o olhar complacente da imprensa velha. Eugênio Esber destaca que ninguém esperava a aparição de Alexandre de Moraes na inauguração do canal SBT News. Primeiro, porque se tratava do lançamento de um canal jornalístico e, por respeito à institucionalidade, o Judiciário deveria estar representado pelo presidente do STF, Edson Fachin. Segundo, porque o país havia tomado conhecimento, poucos dias antes, do contrato bilionário entre o Banco Master e Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Ninguém que quer evitar perguntas embaraçosas ousa comparecer à inauguração de um canal de notícias.

Previsivelmente, lembra Esber, nenhum jornalista fez a pergunta que está na ponta da língua de todo brasileiro minimamente bem-informado:

“E os R$ 129 milhões?”

Boa leitura.

Branca Nunes

Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 301. Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master | Foto: Reprodução/Redes Sociais

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8 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Os três poderes abarrotados de facçoes criminosas, comunistas, ladrões, narcotraficantes, assassinos, genocidas, terroristas, analfabetos, mentirosos, genocidas, cabras-safados, filhos da puta e criminosos clinicas gerais

    1. Wanderson Assis Campos
      Wanderson Assis Campos

      A partir da Carta ao Leitor sabemos que a Oeste continua a ser uma das poucas vozes que não dobra os joelhos ao sistema atual. O que nós, assinantes desta revista, é simplesmente isso: revista que tem no assinante a sua razão de existir, sem depender de políticos ou de qualquer governo.

  2. Daniel BG
    Daniel BG

    Apesar dos canalhas o Brasil ainda tem ética através da revista Oeste, do Agro, da população cujos votos foram fraudados em 22, dos políticos honestos que seguimos e apoiamos, de parte da imprensa internacional que denuncia a corrupção no Brasil.

  3. Valdy Fernandes da Silva
    Valdy Fernandes da Silva

    Nenhuma explicação aos assinantes da revista sobre a demissão por whatsapp do Silvio Navarro às 7:00 da manhã. Considerem isto quando solicitarem uma assinatura lifetime pelo ínfimo valor de mais ou menos 11.000,00.

  4. Célio Antônio Carvalho
    Célio Antônio Carvalho

    Graças a Deus meu caro Alexandre Garcia eu também tive ensinamentos familiares do meu Avô, do meu Pai e de minha saudosa Mãe: “se não é seu, não pegue”!
    E aprendi, apliquei, repliquei para a minha família!
    Obrigado Garcia. Você nos fortifica, nos engrandece com seus ensinamentos, sua inteligência, sua experiência.

    1. Teresa Guzzo
      Teresa Guzzo

      Assino embaixo ensinamentos morais recebi desde pequena por meus pais.

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