O governo Lula 3 segue a cartilha das gestões petistas: o comando de ministérios, secretarias e demais cargos de primeiro escalão não é entregue a profissionais da área, pessoas reconhecidas pela capacidade técnica e relevantes serviços prestados ao país, mas a companheiros de trincheira ideológica. Competência não é pré-requisito, fidelidade à causa é o que conta. E quanto mais gente, melhor. Atualmente são 38 ministérios, mas o número poderá chegar a 39 caso o governo siga a sugestão da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT. Em cartilha apresentada na segunda-feira, 1º, na abertura do seminário do partido sobre segurança pública, a entidade sugeriu a recriação do Ministério da Segurança Pública, hoje integrado à pasta da Justiça. O número de ministérios só não chegará a 40 — como não chegou no governo de Dilma Rousseff — por temor das inevitáveis piadas envolvendo o personagem Ali Babá.
O número, apesar de expressivo, teria pouca repercussão caso o governo funcionasse como uma máquina bem azeitada, capaz de gerar benefícios concretos e em larga escala para a população. Em vez disso, além de distribuir bondades com o dinheiro dos pagadores de impostos por meio de incontáveis bolsas e auxílios — sem porta de saída, que criam exércitos de dependentes —, a equipe de Lula é uma tropa com bastante munição, mas que mira os alvos errados. O elevado número de pastas implica sustentar estruturas inchadas e ineficientes. Sem contar a impossibilidade de manter contato direto e rotineiro com todos os membros do primeiro escalão. E reuniões coletivas com tanta gente tendem a ser confusas, intermináveis e inúteis.

A quantidade de ministérios varia a cada governo, há presidentes que enxugam ao máximo o número de cargos, enquanto outros preferem trabalhar com um primeiro escalão mais numeroso. A casa das 30 pastas, no entanto, só foi alcançada, e amplamente superada, nos governos do PT. O recorde pertence a Dilma Rousseff, com 39, número que o governo Lula 3 chegou a igualar com a temporária Secretaria para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul — criada em maio de 2024 para que Paulo Pimenta faturasse politicamente em cima da tragédia da enchente que assolou o Rio Grande do Sul.
Na lista dos 38 atuais estão incluídos órgãos com status de ministério, como Advocacia-Geral da União, Procuradoria-Geral da União e Gabinete de Segurança Institucional. Para dar uma ideia de proporção, o gabinete de Donald Trump, que governa o país mais importante do mundo, tem 15 integrantes (mais o vice-presidente, mas este é eleito, não nomeado) e oito oficiais em nível de gabinete. De todo modo, a soma chega a 23, menos de dois terços dos integrantes do primeiro escalão de Lula. Na Argentina, a equipe de Javier Milei conta com 15 pastas, entre ministérios e secretarias. No caso da gigantesca China, país com o qual Lula costuma se alinhar, são 21 ministérios, aos quais se somam cinco órgãos de nível executivo.
Houve um tempo em que muitos brasileiros sabiam de cor os nomes dos ministros do governo e poucos conheciam os ministros do Supremo Tribunal Federal. Hoje é o contrário: os nomes de boa parte dos ministros togados estão na ponta da língua, enquanto raros são os brasileiros que conseguem recitar sem titubear os nomes de meia dúzia dos ministros de Lula estabelecendo a ligação com a pasta que ocupam.
Antes de prosseguirmos, faça o teste:
Se você acertou poucas ou nenhuma resposta, não se preocupe: você é apenas uma pessoa normal. Sigamos.
Último a se integrar ao pelotão companheiro, Guilherme Boulos invadiu a Secretaria-Geral da Presidência para “colocar o governo na rua”. O especialista em invasão de propriedades é o mais recente reforço da equipe que está sempre de olho na próxima eleição. Candidato à Presidência da República em 2018 e à prefeitura de São Paulo em 2020 e 2024, o deputado federal pelo Psol desembarcou no governo para ajudar a fazer a campanha de 2026. A Secretaria-Geral da Presidência tem como atribuições “coordenar a política e o sistema nacional de participação social” e “fomentar e estabelecer diretrizes e orientações à gestão de parcerias e relações governamentais com organizações da sociedade civil”, passando por outras tão vagas quanto desnecessárias. Ao menos para o país.
É assim que muitos ministros vão parar em seus cargos: decidido a disputar uma vaga no Senado por São Paulo, e sabendo que nas atuais circunstâncias não se elegeria, Boulos foi pedir apoio ao PT. Ouviu que não o teria, pois já haviam apostado nele em duas eleições, e não iriam se arriscar de novo. Para aplacar sua irritação com a recusa, e, ao mesmo tempo, livrar-se do então ministro Márcio Macêdo, com o qual mantinha diferenças, Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, fez articulações para que fosse oferecido a Boulos um cargo no governo. Parte do PT não gostou da ideia, mas acabou engolindo. Boulos, Gleisi e Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, são peças especialmente estratégicas. As secretarias com status de ministério empregam os melhores amigos de Lula.
“Taxad” é o condutor de um processo que se caracteriza pela sanha arrecadatória. Desde o início do governo Lula 3, houve incremento de pelo menos 25 impostos e taxas.
Conforme deve ter ficado evidente no teste acima, mesmo o brasileiro mais atento teria dificuldades em identificar a maioria dos integrantes do ministério. Outros, por variadas razões, não passam despercebidos. É o caso de Marina Silva, que vinha sendo descongelada a cada quatro anos para disputar a Presidência. Marina ocupa o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima porque é reconhecida internacionalmente como militante das causas ambientais. Nome importante para um governo preocupado em exibir alinhamento à agenda Woke. Sua atuação de fato pode ser discreta, mas suas aparições rendem dividendos.
Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, segue a mesma linha. Em 2023, ela foi a Hollywood para ser agraciada com o prêmio The Healer (“A Curadora”, no sentido de ajudar a curar o planeta), troféu recebido das mãos de Leonardo DiCaprio. Esteve em eventos ligados ao Oscar, conheceu Brad Pitt e, em 2025, no Brasil, encontrou-se com a ex-mulher dele, Angelina Jolie, a quem presenteou com um colar de sementes.

Embora não seja conhecida no exterior — e nem no Brasil —, não exiba uma trajetória como a de Marina ou o diferencial étnico de Sônia, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, valeu-se de notoriedade herdada. Ela só foi parar no primeiro escalão de Lula por ser irmã de Marielle Franco, vereadora do Psol no Rio de Janeiro, cujo assassinato — e de seu motorista, Anderson Gomes —, em 2018, teve grande repercussão. Marielle foi morta por contrariar interesses de milícias e de grupos políticos locais.
Em alguns casos, melhor seria que o ministro não fosse notado. Como ocorre com árbitros de futebol e primeiras-damas sem vocação para gafes, passar despercebido pode ser sinal de que está tudo bem. Fernando Haddad, ministro da Fazenda, tem como principal atribuição coordenar a política econômica do país. Taxad é o condutor de um processo que se caracteriza pela sanha arrecadatória. Desde o início do governo Lula 3, houve incremento de pelo menos 25 impostos e taxas. Criação de tributo, reversão de medidas que reduziam alíquotas, restrições ou cortes de benefícios fiscais, reoneração da folha de pagamentos e outros expedientes destinados a engordar os cofres da União. Sem intenção de cortar custos, ao contrário, disposto a inflar cada vez mais a máquina pública, apostar em programas sociais insustentáveis e gastar como se não houvesse amanhã, a busca por ampliação de receita tornou-se obsessão. Haddad lidera a caça ao tesouro alheio com o semblante de quem não tem a menor ideia de como conduzir a política econômica de um país, mas que sabe o tamanho do buraco que está ajudando a cavar.
A relação com o Legislativo é marcada por improviso, e a agenda do Executivo avança mais pela barganha do que pela negociação qualificada.
A comunicação do governo, que já era ruim sob a gestão de Paulo Pimenta, deu um passo em ineficiência com Sidônio. Sinônimo de comunicação equivocada, Sidônio comanda uma pasta na qual os recursos, na maior parte, são gastos com autopromoção do governo, enquanto a fatia menor é destinada a campanhas úteis à população. O total de verbas de comunicação do governo Lula (não da pasta) ultrapassa R$ 1,5 bilhão, dos quais R$ 877 milhões vão para publicidade institucional e R$ 662 milhões para ações de utilidade pública. O montante é distribuído entre a Secom e os demais ministérios.
Das 38 pastas — incluindo órgãos com status de ministério —, ao menos 11 poderiam ser convertidas em secretarias dentro de outras pastas — algumas, por sinal, eram secretarias no governo anterior. Promover tal enxugamento seria, é claro, ferir a lógica do governo Lula: quanto mais ministérios — e suas secretarias e departamentos —, mais cargos a serem distribuídos, mais verbas a serem manejadas. O crescimento das despesas sem a contrapartida de bons serviços aos cidadãos é apenas o efeito colateral de uma política que visa, acima de tudo, à permanência no poder. Pouco importa se há ministérios irrelevantes ou ministros decorativos.
A seguir, uma breve análise de cada pasta:
Ministério dos Povos Indígenas
(Sônia Guajajara) Criado em 2023, o ministério teve de lidar com a crise sanitária Yanomami. Ainda que a parte técnica esteja a cargo do Ministério da Saúde e do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI-Y), a pasta existe para articular as ações dos órgãos e pressioná-los na busca de soluções. Em 2022, Lula acusou Bolsonaro de promover um genocídio. No último ano de Bolsonaro foram registradas 343 mortes de Yanomamis. No primeiro de Lula 3, depois de declarada emergência, o número subiu para 428. De lá para cá, houve uma queda de 27,6%, de acordo com o Ministério da Saúde.

Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
(Wellington Dias) Recriado em 2023, o segundo ministério com maior número de caracteres, 76 (incluindo os espaços) — só perde para o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, com 77 — tem um objetivo bem mais enxuto do que o nome. Existe, basicamente, para gerenciar o Bolsa Família — além de programas como CadÚnico, BPC e outras ações assistencialistas. O Bolsa Família tem sido apontado por muitos empresários como um dificultador na hora de preencher postos de trabalho. Quase 50 milhões de pessoas de mais de 18 milhões de famílias recebem o benefício.
Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional
(Waldez Góes) Incorpora órgãos como Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Tem atuado mais como gestor de crises do que como órgão de prevenção. Por ocasião das enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, foi irrelevante na mitigação da tragédia.
Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte
(Márcio França) Nasceu em 2023 com a missão formal de apoiar microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, cooperativismo, artesanato e “arranjos produtivos locais”. Na prática, tudo o que o ministério faz poderia ser desempenhado por uma secretaria dentro do Ministério da Fazenda ou do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com menor custo e maior coerência administrativa. A explosão no número de Microempreendedores Individuais (MEIs) é atribuída não à eventual eficiência da pasta, mas à precarização da economia e ao aumento da informalidade.
Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
(Esther Dweck) Tendo por funções digitalização, desburocratização, governança e gestão de patrimônio da União, além de inovação nos serviços públicos, atua de maneira mais interna. No início deste ano a ministra afirmou que o déficit de mais de R$ 8 bilhões nas estatais não caracterizava rombo porque refletia “investimentos”. Em maio, a pasta fechou o acesso público a mais de 16 milhões de documentos alegando adequação à Lei de Acesso à Informação. Diante das críticas, alguns destes documentos voltaram a ser parcialmente disponibilizados.
Ministério da Igualdade Racial
(Anielle Franco) A projeção pública da ministra decorre mais da tragédia familiar do que de experiência administrativa. O governo exibe como avanços as titulações quilombolas e o Plano Juventude Negra Viva, entre outros. Mas, apesar do discurso, a capacidade real de transformação é limitada: só um quarto dos municípios possui estrutura mínima para executar políticas de igualdade racial, e menos de 2% prevê orçamento específico. Auditorias independentes apontam falhas de transparência e fraca execução, especialmente em programas estratégicos.
Ministério das Cidades
(Jader Barbalho Filho) Ressuscitado em 2023, o ministério tem como carro-chefe o Minha Casa, Minha Vida e programas como o Reforma Casa Brasil e projetos atrelados ao Novo PAC. Os problemas antigos persistem: falhas estruturais em empreendimentos, riscos de formação de guetos e invasões criminosas em condomínios populares. As soluções de infraestrutura continuam lentas e descoordenadas. A pasta produz grandes anúncios, mas entrega resultados insuficientes em políticas que exigem continuidade, fiscalização e planejamento urbano consistente — atributos que o país raramente sustenta.
Ministério das Mulheres
(Márcia Lopes) Em 2024, programas essenciais tiveram execução inferior a 15%, expondo gargalos estruturais e gestão fragilizada. A violência contra mulheres continuou aumentando, e feminicídios seguiram em patamar elevado, revelando que as ações não alcançam o cotidiano onde o risco real ocorre. Em 2025 ocorreu a demissão da ministra Cida Gonçalves, depois de acusações internas e disputas políticas. Entre crises internas e dificuldades para tirar projetos do papel, o ministério permanece mais eficiente na retórica do que na capacidade de produzir algo útil.
Ministério da Pesca e Aquicultura
(André de Paula) O governo celebra a reorganização do registro de pescadores, entre outras medidas que não resolvem o vácuo de fiscalização, os limites no manejo de estoques e a falta de ordenamento pesqueiro consistente. Foram suspensas 36 mil licenças suspeitas de fraude. A pesca industrial ilegal segue ativa em áreas protegidas, e disputas com o Meio Ambiente sobre espécies invasoras, licenciamento e exportações continuam emperrando regulações básicas. A tilápia foi declarada invasora — o que deverá dificultar a obtenção de licença para criação —, enquanto o governo autorizou a JBS a importar esta espécie do Vietnã.
Ministério de Portos e Aeroportos
(Sílvio Costa Filho) Portos seguem travados por filas, acessos precários e gargalos logísticos que comprometem as exportações. No setor aéreo, o número de cidades atendidas diminuiu e o cotidiano de passageiros continua marcado por atrasos, cancelamentos e perda de bagagem. O Voa Brasil, lançado como promessa de passagens a R$ 200 para milhões de aposentados, virou símbolo de propaganda superdimensionada: vendeu menos de 2% do previsto. Entre recordes numéricos e problemas operacionais permanentes, o ministério tenta mostrar eficiência onde o usuário comum não enxerga melhora real.
Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
(Paulo Teixeira) Recriado em 2023, voltou a reunir políticas de reforma agrária, agricultura familiar e “povos tradicionais”. A pasta também assumiu um discurso ambiental, com defesa da agroecologia e presença na COP30. Mas a promessa de uma “forte retomada” da reforma agrária não se confirmou: movimentos cobram titulações, desapropriações e avanços práticos. Em 2025, a revelação de que há cerca de 145 mil famílias em acampamentos elevou a pressão, e o MST passou a classificar a agenda como paralisada.
Ministério da Agricultura e Pecuária
(Carlos Fávaro) O bom desempenho do agronegócio brasileiro não é o bastante para evitar crises na área, como é o caso do fracasso do leilão de arroz, anulado por irregularidades. Em 2025, o primeiro foco comercial de gripe aviária provocou embargos e agravou tensões no setor. Produtores, especialmente no RS, enfrentam dívidas, instabilidade e quase três dezenas de casos de suicídios de agricultores endividados depois das enchentes de 2024. A suspensão das linhas de crédito subsidiado do Plano Safra expôs ainda mais a fragilidade do setor, que viu a concessão de crédito recuar acentuadamente.
Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania
(Macaé Evaristo) Sob Silvio Almeida até 2024 e, depois de sua demissão por denúncias de assédio sexual, sob a nova ministra, a pasta adotou discurso que lhe rendeu desgaste político, como ao utilizar a frase “adversários da democracia não terão um dia de paz”. Além das críticas acerca da baixa eficácia, o ministério passou a defender a regulação de plataformas digitais. A crise aprofundou-se com a demissão do ex-ministro, cobranças de ONGs por persistência da violência e a investigação que atinge a nova titular, que chegou a responder a 16 processos por suspeita de superfaturamento.
Ministério da Educação
(Camilo Santana) O MEC apresentou uma agenda com expansão de escolas em tempo integral, concursos, investimentos em infraestrutura e reforço da alimentação escolar. A pasta, porém, convive com bloqueios orçamentários, auditoria da CGU apontando divergência de R$ 4,3 bilhões e críticas à transparência dos dados. Apesar da promessa de priorizar a alfabetização, extinguiu a Sealf, secretaria que tratava justamente desta área. Em 2025, o país não atingiu a meta de alfabetização plena no 2º ano e ainda enfrentou o desgaste do vazamento de questões do Enem, apurado pela Operação Profeta.

Ministério da Fazenda
(Fernando Haddad) Desde o início do governo Lula 3, foram criados ou aumentados 25 impostos, o que rendeu ao ministro o apelido de “Taxad”. O Teto de Gastos foi substituído pelo Arcabouço Fiscal, mais flexível, que permite aumentar ainda mais as despesas do governo. A pasta se ocupa somente em ampliar a arrecadação, sem focar na redução dos gastos. Crescem o déficit fiscal e o rombo nas estatais. A economia brasileira patina e o cenário para os próximos anos é muito preocupante. Em mais de uma ocasião, Haddad foi desautorizado por Lula publicamente.
Ministério da Justiça e Segurança Pública
(Ricardo Lewandowski) Com discurso leniente em relação aos criminosos, a pasta investiu, por exemplo, em câmeras corporais e lançou o plano Pena Justa, destinado a atender à agenda de “desencarceramento” do governo Lula. Os índices de criminalidade só crescem e o sistema prisional segue superlotado. Com postura vacilante em relação ao combate às facções criminosas, o governo rejeitou pedido dos Estados Unidos para classificar PCC e CV como organizações terroristas.
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
(Marina Silva) Houve avanço das queimadas e escalada da degradação florestal, sob o silêncio dos ambientalistas que tanto se indignavam com índices menores no governo de Jair Bolsonaro. A COP30 foi um fiasco, com impasses internos e sinalizações contraditórias do governo, além da precariedade da infraestrutura, dos preços exorbitantes, da insegurança e da gastança de sempre por parte de Lula, Janja e amigos. O governo se dividiu sobre a Margem Equatorial, com o ministério ficando isolado ao se opor à exploração de petróleo na região.
Ministério da Previdência Social
(Wolney Queiroz) A pasta entrou em crise com as denúncias de fraudes no INSS, o que levou à queda do ministro Carlos Lupi e sua substituição por Queiroz. Além da roubalheira de bilhões de reais de aposentados e pensionistas, o ministério convive ainda com o pior gargalo do sistema em décadas. São quase 3 milhões de pessoas na fila em 2025, fruto de uma estrutura deficitária e da baixa capacidade operacional do sistema como um todo. A perícia médica segue sendo um ponto crítico. Apesar de ter havido uma redução, a média da espera ainda é de cerca de 43 dias.
Ministério das Relações Exteriores
(Mauro Vieira) Nas mãos inábeis do ministro, o Itamaraty sonhou com protagonismo global e acordou como anão diplomático. A lista de mancadas, equívocos e canalhices é extensa: o atracamento de navios iranianos no país; a retórica anti-Israel e a favor dos terroristas do Hamas; o discurso do “Sul Global”; a escolha dos parceiros errados no xadrez internacional; os ataques aos Estados Unidos que, entre outros motivos, levaram à taxação extra dos produtos brasileiros; o tom de confronto com os EUA depois das sanções. A diplomacia não perde uma chance de pisar na bola.
Ministério da Saúde
(Alexandre Padilha) A despeito de ações voltadas à modernização do SUS e à expansão da Atenção Primária, não houve o enfrentamento do subfinanciamento crônico que mantém o sistema vulnerável e dependente do improviso político. A incorporação da vacina da dengue não impediu o colapso da prevenção em 2024, quando surtos expuseram falhas de coordenação e planejamento. A digitalização do sistema virou vitrine enquanto Estados e municípios seguiam desamparados. Conflitos com planos de saúde e a ANS também evidenciaram um ministério acuado e incapaz de impor diretrizes claras.
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
(Luciana Santos) As ações são lentas, com liberação irregular de recursos, o que paralisa editais e reduz a previsibilidade para pesquisadores. Universidades e institutos reclamam de atrasos, de falta de coordenação e de uma política de inovação que se divide entre anúncios e baixa entrega concreta. A agenda espacial continua travada, sem calendário claro para Alcântara ou novos satélites. Faltam direção, prioridade e capacidade de articulação para transformar promessas em resultados mensuráveis.
Ministério da Cultura
(Margareth Menezes) A implementação da Lei Paulo Gustavo e da Aldir Blanc 2 avança com atrasos, entraves administrativos e forte desigualdade regional. A burocracia permanece pesada, gerando frustração sobretudo entre produtores independentes, que veem editais lentos, pouco transparentes e concentrados nos grandes polos culturais. A Funarte voltou a operar, mas sem diretrizes claras. Persistem disputas ideológicas e insegurança sobre critérios de seleção. O ritmo, a coordenação e a entrega do ministério ainda estão muito abaixo das expectativas do setor.
Ministério da Defesa
(José Múcio) O uso indevido de aeronaves da Força Aérea Brasileira — vinculada à pasta — por autoridades é tema recorrente no governo Lula 3. Enquanto isso, programas como os do avião Gripen e do submarino nuclear avançaram pouco. A pasta se limitou a administrar atritos gerados por investigações dos militares acusados pelos atos do 8 de janeiro. A prometida redução da influência política da ativa não se concretizou plenamente. A percepção dominante é de paralisia: evita crises, mas não se moderniza nem redefine o papel das Forças Armadas no século 21.
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
(Geraldo Alckmin) A “neoindustrialização” do ministro e vice-presidente da República segue patinando, os planos são ambiciosos, mas as entregas são pífias. A política do carro popular e incentivos setoriais reacenderam dúvidas sobre custo-benefício e o risco de repetir ciclos ineficientes. Pressões empresariais por competitividade e simplificação regulatória seguem sem resposta convincente. O ministério tenta reverter a queda do desempenho industrial, mas carece de foco, escala e resultados concretos.
Ministério do Esporte
(André Fufuca) A gestão de Ana Moser já era considerada hesitante quando o novo ministro assumiu sob evidente barganha política, ampliando o desgaste. Persistem denúncias de obras travadas, baixa transparência e ausência de diretrizes nacionais de formação esportiva. Programas de base e alto rendimento seguem fragmentados e lentos, deixando o setor em compasso de espera. Mesmo com discurso de inclusão, o ministério ainda opera sem foco e sem resultados consistentes.

Ministério de Minas e Energia
(Alexandre Silveira) A pasta buscou reorganizar o setor elétrico, mas acumulou polêmicas e gerou tensões. A pressão pela exploração na Margem Equatorial expôs conflito com o Meio Ambiente. Na Petrobras, a influência política da pasta gerou críticas pela fragilidade técnica das decisões. O setor convive com risco tarifário, disputas com distribuidoras e planejamento pouco transparente. Dentro do “pacote de bondades” do governo para buscar a reeleição de Lula, a partir de janeiro de 2026, 4,5 milhões de famílias deverão ter isenção da conta de luz.
Ministério do Planejamento e Orçamento
(Simone Tebet) A pasta segue limitada pela força das emendas parlamentares, que esvaziam sua capacidade de ordenar o orçamento. A pasta produz diagnósticos, porém com pouca margem para convertê-los em políticas. A ministra, que se transformou numa espécie de secretária de Fernando Haddad, acumula atritos internos ao defender transparência e responsabilidade fiscal, enquanto disputa espaço com a Fazenda. O ministério opera com alcance reduzido e pouca capacidade de reverter o colapso do investimento público.
Ministério do Trabalho e Emprego
(Luiz Marinho) A regulamentação das plataformas digitais, na pauta do ministério, é uma questão polêmica e preocupação de todos que prezam a liberdade, sem contar que é mais um ponto de atrito com os EUA. A demora em apresentar soluções e a oscilação de propostas geraram insegurança para trabalhadores e empresas. Houve uma guinada intervencionista e o risco de engessamento do mercado. O ministério tem dificuldade de liderar um modelo de modernização trabalhista que dialogue com a economia digital.
Ministério dos Transportes
(Renan Calheiros Filho) A pasta ampliou obras do PAC e a retomada de projetos parados ocorrem de maneira lenta e dependente de emendas. A entrega de infraestrutura estratégica — rodovias, ferrovias e portos — não acompanha o ritmo das necessidades logísticas do país. Conflitos com concessionárias, atrasos e reequilíbrios contratuais recorrentes evidenciam falhas de planejamento. Falta uma visão integrada de mobilidade e logística, e o setor produtivo critica a baixa previsibilidade. O ministério avança abaixo do necessário.
Ministério do Turismo
(Celso Sabino) Apesar de campanhas e iniciativas pontuais, a execução orçamentária foi baixa em 2024, e faltou um plano nacional consistente de desenvolvimento do setor. A pressão de parlamentares por repasses localizados fragmenta o orçamento e inviabiliza políticas estruturantes. Sem coordenação federal robusta, o turismo cresce, mas de forma desigual e vulnerável, refletindo um ministério mais preocupado com disputas internas do que com resultados duradouros.
Ministério das Comunicações
(Frederico de Siqueira Filho) O Ministério das Comunicações tornou-se uma pasta de fortes interesses políticos e pouca entrega. O governo prometeu ampliar o acesso à internet de qualidade, mas os programas avançam lentamente e carecem de métricas claras. Há maior atenção às emendas e à distribuição de verbas de publicidade federal do que a uma agenda real de inclusão digital. Projetos estratégicos, como a expansão do 5G em áreas remotas, caminham aquém do esperado.
Casa Civil da Presidência da República
(Rui Costa) A pasta tem a função de assistir diretamente ao presidente da República, em especial na gestão dos órgãos da administração federal e na coordenação das ações do governo. Virou um centro de disputas internas e de coordenação irregular. A articulação entre ministérios é frequentemente lenta, e o planejamento estratégico carece de transparência. O órgão expandiu sua influência, mas sem entregar maior eficiência administrativa, acumulando críticas pela burocracia e pelo excesso de poder.

Secretaria-Geral da Presidência da República
(Guilherme Boulos) A secretaria auxilia diretamente o presidente na coordenação e articulação das relações do governo com a sociedade, com ênfase nos jovens e em organizações da sociedade civil. Tenta se projetar como elo institucional do governo, mas opera com baixa visibilidade e resultados modestos. As iniciativas de participação social têm ritmo desigual e pouco impacto real. Na prática, a pasta funciona mais como suporte político do Planalto do que como promotora de políticas concretas.
Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República
(Gleisi Hoffmann) Conecta o Executivo com os outros Poderes, bem como com Estados e Municípios, e coordena a integração entre os diferentes níveis e setores do governo. Responsável pela articulação com o Congresso, enfrenta desgaste pela dependência crescente do governo em emendas e acordos pontuais. A relação com o Legislativo é marcada por improviso, e a agenda do Executivo avança mais pela barganha do que pela negociação qualificada. A secretaria coleciona ruídos e vitórias de curto prazo.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
(Sidônio Palmeira) Com atribuição autoexplicativa, a Secom alterna momentos de intensa presença pública com falhas estratégicas. A comunicação do governo é frequentemente reativa e descoordenada, e a distribuição de verbas publicitárias é motivo permanente de polêmica. Apesar dos discursos sobre transparência, a pasta luta para evitar crises que às vezes ela mesma provoca.
Gabinete de Segurança Institucional
(General Marcos Antonio Amaro) Presta assistência direta ao presidente em assuntos de segurança e militares. Fragilizado após sucessivas controvérsias, o GSI tenta reconstruir credibilidade e função. O órgão carece de clareza sobre seus limites e responsabilidades, e sua atuação ainda desperta críticas por excesso de sigilo e pouca modernização. A influência política diminuiu, mas a instabilidade continua.
Advocacia-Geral da União
(Jorge Messias) Representa a União judicial e extrajudicialmente e presta assessoria legal ao Executivo. Ainda que tenha eficiência técnica, a AGU tem deixado evidente o alinhamento político às prioridades do Executivo. Embora desempenhe papel essencial em disputas judiciais relevantes, enfrenta críticas pela falta de autonomia e pela centralização crescente. Sua atuação estratégica nem sempre se converte em maior segurança jurídica.
Controladoria-Geral da União
(Vinícius Marques de Carvalho) Atua nas áreas de controle interno, fiscalização, ouvidoria e integridade, além de ser responsável pela defesa do patrimônio público. A CGU preserva a imagem de órgão técnico, mas sua força de fiscalização sofre pressão tanto política quanto orçamentária. Programas de integridade avançam lentamente, e a capacidade de investigação enfrenta limitações práticas. Falta firmeza do órgão em momentos que exigem maior independência do governo.
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Excelente matéria, completa e bem detalhada. Parabéns, Oeste!!! Mas fica nossa irritação com esse escárnio com o nosso dinheiro público. Gastos absurdos com gente incompetente que só “trabalha”para manter a corja no poder. Triste e lamentável. Foi possível perceber, também, a existência de somente 23 ministérios nos governos Temer e Bolsonaro: algo muito mais justo e decente, sem falar que eram tocados por pessoal técnico das respectivas áreas de atuação.
Estamos sustentando uma corja de incompetentes!! Chega disso!! Fora Lula e sua gangue!!
Bota essa corja de ladrão comunista parasita toda na cadeia, do lixeiro ao Lula
Parabéns pelo brilhante artigo. Penso que assim fica definido e devidamente qualificado o “ reinado do A LI LU LÁ E OS 38 LADRÕES “
Muito bom artigo para futuros governos honestos necessariamente vão extinguir.
Como o bom senso não habita o ambiente político, cada um dos ocupantes dos principais cargos executivos irão beneficiar seus apadrinhados.
Na atualidade o Congresso perdeu a condição de somente ele legislar, mas vejo que uma saída para estes inchaços administrativos seja a limitação do número de Ministérios.
O governante da vez poderá nomeá-los como desejarem, mas o número será sempre fixo.
Uma reportagem de fôlego! Parabenizo com louvor; detalhamento incrível.
É lamentável um estrutura de governo imensa e ineficiente!!