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Vista aérea dos corpos presentes após o massacre de novembro de 1978 em Jonestown, Guiana. Membros da equipe de resposta são vistos perto dos corpos na imagem | foto: Wikimedia Commons
Edição 297

Imagem da Semana: o Massacre de Jonestown

O controle nefasto de Jim Jones sobre seus seguidores culminou em um dos maiores assassinatos/suicídios da história moderna

A comunidade agrícola de Jonestown, localizada na selva da Guiana, foi cenário do maior suicídio coletivo da história: 918 pessoas morreram, entre elas cerca de 300 crianças. O episódio aconteceu em 18 de novembro de 1978 e ficou conhecido como o Massacre de Jonestown.

O pastor americano James Warren “Jim” Jones fundou a seita Peoples Temple (“Templo do Povo”) com orientação pentecostal cristã e socialista. Logo estabeleceu uma sede em São Francisco, nos Estados Unidos. Ao longo dos anos, o Templo atraiu um número considerável de seguidores engajados em um estilo de vida comunitário. Jim Jones era considerado uma figura carismática e, ao mesmo tempo, fanática e manipuladora. Em seus ímpetos de crueldade, humilhava, espancava e chantageava membros do Templo. Muitos eram coagidos a entregar todos os seus rendimentos e propriedades para a seita.

O reverendo Jim Jones em um comício contra despejos no domingo, 16 de janeiro de 1977, em frente ao International Hotel, na esquina das ruas Kearny e Jackson, em São Francisco | Foto: Nancy Wong/Wikimedia Commons

Jim Jones estava cada vez mais paranóico. Na década de 1960, auge da Guerra Fria, fugiu para o Brasil com medo de uma possível guerra nuclear no mundo. Ele acreditava que Belo Horizonte era um dos poucos lugares do mundo que estaria fora do alcance dos mísseis. Em terras tupiniquins seduziu mais seguidores e vendeu macacos de estimação para arrecadar fundos para a sua igreja. No final de 1963 decidiu retornar aos Estados Unidos. Nas palavras de Jones: “João Goulart era progressista, mas eu sabia que alguma coisa estava prestes a acontecer, pois Jânio Quadros, uma espécie de herói popular, havia renunciado sem aviso prévio”.

Paranoia ou não, Jones buscava um local isolado, livre de influências capitalistas, dos questionamentos da imprensa e das autoridades americanas — que já investigavam denúncias de abusos. Queria um lugar onde pudesse exercer controle absoluto sobre a vida de seus fiéis. Então, em 1977, criou um assentamento agrícola na densa selva amazônica guianense. Quase mil fiéis o acompanharam nesta empreitada.

Placa de boas-vindas na entrada de Jonestown que dizia: “Bem-vindo a Jonestown — Projeto Agrícola do Templo dos Povos” | Foto: Wikimedia Commons

Em novembro de 1978, Leo Ryan, congressista dos Estados Unidos, viajou a Jonestown com uma comitiva de jornalistas para investigar pessoalmente denúncias de abusos e maus-tratos. Alguns membros da comunidade expressaram o desejo de deixar o local com ele. No entanto, quando o senador Ryan, Don Harris, correspondente da NBC; Robert Brown, cinegrafista da mesma emissora; Greg Robinson, fotógrafo do San Francisco Examiner; e Patricia Parks, uma das moradoras que tentavam abandonar a comunidade tentaram embarcar de volta em um avião, foram emboscados na pista de pouso de Port Kaituma onde membros armados do Templo do Povo os assassinaram. 

Leo Ryan, congressista americano | Foto: Wikimedia Commons

Temendo as consequências dos assassinatos, Jim Jones ordenou que todos os membros da comunidade cometessem um “suicídio revolucionário”. Crianças e adultos foram forçados ou coagidos a ingerir uma mistura de suco de uva com cianeto, sedativos e tranquilizantes. Animais foram sacrificados. “Não se entreguem às lágrimas e à agonia”, ordenou Jones aos seguidores, que choravam em pânico. “A morte é apenas uma viagem para outro plano. Estamos cometendo este ato de suicídio revolucionário em protesto contra um mundo desumano.”

Foto tirada por agentes do FBI do assentamento agrícola em Jonestown após o massacre em 18 de novembro de 1978 | Foto: Wikimedia Commons

O desfecho foi uma das maiores mortes em massa da história moderna. Jim Jones foi encontrado morto com um tiro na cabeça. Apenas 87 moradores da comunidade sobreviveram à tragédia. O massacre chocou o mundo e permanece como um dos eventos mais sombrios ligados ao fanatismo e controle coercitivo de uma seita.


Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

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3 comentários
  1. Luiz Fraga
    Luiz Fraga

    Algum tempo depois desse suicídio coletivo, Chico Anísio criou o personagem “Tim Tones”. Por intermédio dessa personagem, realizava o humor crítico-satírico desses pseudo-pastores que se utilizam de sua influência religiosa para coagir, iludir e extorquir os seus seguidores.

  2. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    A religião fora inventada pelo homem para dominar o poder político de uma forma universal a guerra tá formada desde então, cabe ao povo não se entregar a nenhum poder, infelizmente o povo não tem capacidade pra entender a existência e se entrega ao outro que tem as mesmas condições que ele. O ser humano tem que se esforçar para entender que só com conhecimento se livra dos algozes

  3. Paulo César de Castro Silveira
    Paulo César de Castro Silveira

    Confere a informação, parece que era senador estadual da Califórnia. Em todo caso, congressista é uma coisa, senador é outra. Eu lembro do caso. Tem um investigação discovery sobre o caso.

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