— Basta de ódio! Dê uma chance à paz!
— Bonita essa campanha. Você é de algum movimento social?
— Sim. Somos da ONG Cordialidade Digital.
— Bacana esse nome. E como vocês atuam?
— Nós perseguimos… Quer dizer: nós alertamos o público para postagens que vão contra a paz.
— Muito bom. De onde tem vindo a maior parte dessas afrontas à paz?
— Dos opositores do Lula. Eles apoiam as agressões à nossa soberania.
— Que horror. Aí vocês denunciam essas postagens.
— Mais que isso. Nós espalhamos pra nossa rede de jornalistas conscientes e eles fazem matérias contra os fascistas.
— Perfeito. E quando alguém se destaca defendendo os direitos humanos? Vocês divulgam também?
— Claro! É a nossa causa!
— Imagino que tenham difundido bastante o Prêmio Nobel da Paz recebido pela Maria Corina Machado.
— Infelizmente, ela abriu mão do prêmio.
— Ah, é? Não sabia. Ela renunciou à condecoração?
— Na prática, sim. Ela dedicou o prêmio ao Trump. Equivale a jogar no lixo, né?
— Mas isso anula a luta dela pelas vítimas da ditadura do Maduro?
— Tem muito teatro nisso aí.
— Teatro?! São quase mil presos políticos, fraude eleitoral, mortes e aniquilamento de opositores, miséria e êxodo em massa de venezuelanos…
— Você está muito amargo.
— Você acha?
— Acho. Está te faltando convivência com gente feliz como nós, da Cordialidade Digital.
— Como eu faço pra ser feliz como vocês?
— Faz o seguinte: aparece na nossa próxima reunião. Pode falar que eu te convidei. Vão te receber como um rei.
— Poxa, obrigado. Sem querer abusar: como é essa reunião?
— Imagina, não abusa em nada. Transparência é o nosso lema. A gente se reúne num salão bacana com vista pro mar e o bufê é super saudável.
— Bufê?
— Ah, e as poltronas… Meu amigo, se você afunda numa poltrona daquelas, não quer sair de lá nunca mais.
— Entendi. Conforto é bom, né? A ONG de vocês deve ser grande.
— Recursos para a solidariedade nunca faltam, companheiro.
— Sem dúvida. E a pauta?
— Que pauta?
— A temática da reunião.
— Ah, isso a gente vê na hora.
— Sei. Não tem propriamente uma linha de ação.
— Linha de ação a gente começa a procurar depois do almoço, que saco vazio não fica em pé, ahahaha.
— É verdade. E antes do almoço?
— Antes do almoço, a gente se encontra, se abraça e confraterniza. É assim que a gente consegue essa felicidade que você não tem.
— Opa. Não vejo a hora.
— Não vê e vai continuar não vendo. Lá a gente não usa relógio.
— Deve ser relaxante.
— Altamente relaxante.
— A paz interior pra lutar pela paz exterior.
— Você tá pegando o espírito. Mas não fica achando que é uma luta fácil. O mundo está muito violento.
— Pelo menos conseguiram um acordo na Faixa de Gaza, né?
— Acordo? Que acordo?
— Ué? Não negociaram um cessar-fogo lá?
— Quem negociou?
— O Trump.
— Meu caro, aprende uma coisa: se o Trump consegue um cessar-fogo, nós somos a favor do fogo. Ficou claro?
— Claríssimo. Mas dá pra ser contra o cessar-fogo e a favor da paz?
— Chega de paz! Dê uma chance à guerra!

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Já imaginaram uma conversa assim informal entre o Fiuza e o Xandão, numa sala fechada,sem martelo de juiz nem sentença nem PF esperando lá fora?kkkkkk
Que se danem os fatos, a coerência e a honestidade intelectual. Tudo se resume a um coisa só : “money”!