Eles estão em casa. Após 738 dias em um cativeiro infernal, os últimos reféns israelenses vivos estão livres. Depois de mais de dois anos na cruel escravidão daquele exército de antissemitas, eles provaram a liberdade novamente. Vinte almas retornaram às suas famílias e a uma nação que orou por sua libertação. Quando estiverem prontos, eles contarão os horrores que suportaram nos túneis do Hamas, aqueles esconderijos encharcados de ódio aos judeus. Mas, por enquanto, em Israel e nas partes do mundo civilizado ainda não perdidas para a israelofobia, a emoção que as pessoas sentirão é alegria.
São 20, todos homens. Entre eles, os irmãos gêmeos Gali e Ziv Berman, de 28 anos, levados do Kibbutz Kfar Aza. E os irmãos Ariel e David Cunio, de 28 e 35 anos, sequestrados do Kibbutz Nir Oz. A parceira de Ariel, Arbel Yehud, também foi sequestrada, depois libertada em janeiro deste ano. Num testemunho arrepiante da crueldade bárbara do pogrom do Hamas, a mulher de David e suas filhas gêmeas de três anos também foram sequestradas. Assim como seus antepassados nazistas, o Hamas visou até mesmo a crianças judias para perseguição ritualística. Após 52 dias em cativeiro, a esposa e as filhas de David foram libertadas em novembro de 2023. A imagem dos neofascistas armados do Hamas conduzindo duas crianças traumatizadas à liberdade deveria estar gravada na consciência da humanidade. Infelizmente, não está.
Há também Eitan Mor, 25 anos, que trabalhava como segurança no festival de música Nova no 7 de outubro. Ele ajudou a salvar dezenas de pessoas antes de se tornar vítima dos sequestradores do Hamas. E Bar Kupershtein, 23 anos, que disse à avó por telefone que estava cuidando dos feridos do Nova e voltaria para casa em breve. Não tiveram mais notícias dele até que foi visto em um vídeo de propaganda do Hamas em abril deste ano.

E Rom Braslavski, de 21 anos, mantido em cativeiro pela Jihad Islâmica Palestina. Em agosto, eles divulgaram um vídeo em que a câmera mostrava o corpo emaciado de Rom enquanto ele soluçava e se contorcia em agonia pela dor da fome — pornografia na forma de tortura de judeus para os antissemitas do mundo. E há Evyatar David, 24 anos, que, em agosto, foi filmado pelo Hamas cavando uma cova no cativeiro onde estava preso. “Esta é a cova onde acho que vou ser enterrado”, disse ele, frágil, só pele e osso, enquanto escavava. Em 2025, fascistas estavam, mais uma vez, fazendo judeus cavarem suas próprias covas.
A volta desses homens e dos demais reféns, cambaleantes, à luz da liberdade, deveria ser motivo de celebração global. Haverá ferimentos, doenças e traumas, mas é maravilhoso para Israel e para a humanidade o dia em que 20 homens foram libertados do controle implacável de uma milícia neofascista. A alegria é pontuada por tristeza, claro. Ao lado desses homens, esperamos ver a libertação dos restos mortais de 28 reféns que não sobreviveram ao calvário de selvageria infligido a eles pelo Hamas. Às suas famílias foi dada uma garantia que prefeririam não receber: a liberdade de luto.

No entanto, mesmo enquanto agradecemos por esta libertação dos judeus, precisamos refletir sobre toda a crise dos reféns. E, em particular, sobre o que ela diz sobre nós. Pois, enquanto a nação judaica não desistia dos reféns, nós, no Ocidente, fizemos o oposto. Esses homens, mulheres e crianças — crianças — dificilmente chegaram a perturbar as consciências daqueles que se apresentam como progressistas. Eles não viralizaram. Nenhum jogador de futebol se ajoelhou por eles. Nenhum quadrado amarelo foi postado no Instagram pela soltura deles. Não houve nenhum clamor viral pedindo “Tragam de volta os israelenses”, como o que pedia “Tragam de volta nossas meninas” após o sequestro de 276 estudantes pelo Boko Haram na Nigéria em 2014.
Para mim, o silêncio “progressista” sobre os israelenses sequestrados foi um dos momentos mais graves e reveladores do século XXI até agora. Celebridades ávidas por causas ignoraram deliberadamente esta causa. Antifascistas ficaram escancaradamente impassíveis diante deste sequestro de judeus por fascistas. Feministas pareceram completamente indiferentes às jovens mulheres ensanguentadas sendo arrastadas para o inferno misógino de Gaza, governada pelo Hamas. Mesmo quando a parceira de Ariel Cunio, Arbel Yehud, foi libertada após 482 dias em cativeiro, influenciadoras feministas permaneceram em um silêncio asqueroso. Lá estava ela, emaciada, com os olhos fundos, cercada por uma turba selvagem de islamistas vociferando slogans em sua cara — seu único crime era ser judia. Ainda assim, suas “irmãs” no Ocidente não disseram p…rra nenhuma. Elas estavam ocupadas demais fazendo campanha pelo próprio direito de beber Merlot nos opulentos arredores do Garrick Club de Londres.
Precisamos de um acerto de contas por esta traição “progressista” aos judeus brutalizados pelos islamofascistas. Aqui em Londres, havia uma maneira infalível de saber que você estava em uma parte judaica da cidade: você via fitas amarelas. Os judeus foram quase que totalmente abandonados em sua manifestação por seus irmãos que estavam sendo tiranizados por pistoleiros genocidas — algo que pensei termos prometido a eles que “nunca mais” teriam de fazer.
O silêncio sobre os reféns nem foi o pior. O ódio por eles, sim. Você se lembra de que havia um ódio cego e insano por esses homens, mulheres e crianças pelas ruas do Ocidente? Em Nova York, Londres, Paris e Sydney, pôsteres dos reféns foram atacados e destruídos. Antissemitas selvagens os arranhavam com uma animosidade ardente até que os rostos dos judeus fossem reduzidos a farrapos. Pessoas rabiscaram “colonizador” em seus rostos. Na cidade de Nova York, fezes foram espalhadas no pôster de Yagil Jacob. Yagil tinha apenas 12 anos quando foi sequestrado pelo Hamas. Ele foi mantido em cativeiro por mais de 50 dias. Uma sociedade perde completamente o direito de se autodenominar civilizada se é incapaz de refletir sobre como uma profanação tão grotesca da imagem de uma criança judia pôde ocorrer no século 21.
Para ver as verdadeiras profundezas da desonra moral em que o Ocidente afundou depois do 7 de outubro, pense em David Cunio. Ele foi libertado hoje. Tem 35 anos. É um ex-ator. Em 2013, ele estrelou com seu irmão gêmeo, Eitan, um filme chamado Youth. Estreou no Festival de Cinema de Berlim (Berlinale), na Alemanha. E, no entanto, 11 anos depois, enquanto ele definhava no cativeiro dos antissemitas violentos, nem uma única pessoa no Berlinale de 2024 achou conveniente mencionar seu nome, muito menos pedir sua libertação — o Berlinale tentou compensar essa “gafe” doentia exibindo um filme sobre David no festival deste ano. Pior, quando um pôster de suas filhas gêmeas de três anos foi colocado em Londres, alguém desenhou bigodes de Hitler nelas. Bebês judeus foram reimaginados como nazistas — tal era o sadismo radiante que varreu o Ocidente após o 7 de outubro.

O que David Cunio fez para merecer 738 dias em cativeiro? O que ele fez para merecer o desprezo de seus colegas do mundo do cinema no episódio mais atroz de sua vida? O que ele fez para merecer que suas filhas pequenas fossem tratadas como alvos legítimos para o mais repugnante vilipêndio fanático? Todos sabemos a resposta: ele nasceu judeu. É isso. Essa é a única razão para seu sequestro e para a profanação da imagem de suas lindas meninas. Tanto em Gaza quanto no Ocidente, sua condição de judeu o marcou como uma “não-pessoa” pronta para a humilhação.
Cabe a nós, que ainda valorizamos a razão e a decência, confrontar a perfídia moral do Ocidente em relação aos reféns. O que vimos nestes últimos dois anos são as duas selvagerias da era moderna. A selvageria do islamismo violento e a selvageria da política identitária. O bárbaro desprezo pelos judeus que move o Hamas e a bárbara escassez de solidariedade aos judeus que é uma característica central do wokismo. Ambos os grupos veem os judeus como os “colonizadores brancos” da Terra Santa, arrogantes e saqueadores. “Progressistas” do Ocidente foram praticamente cúmplices do sequestro de judeus pelo Hamas, seja ignorando-o, seja justificando-o, seja agindo abertamente a mando do Hamas e destruindo os pôsteres dos reféns. Hoje celebramos a libertação de 20 homens do inferno da perseguição fascista — amanhã nos perguntaremos por que tantos em nossas próprias sociedades tomaram o partido daqueles que os perseguiram.

Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast da Spiked, The Brendan O’Neill Show. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy
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Infelizmente a Europa está sentindo as consequências dessa invasão muçulmana para a qual vem se inclinando
Excepcional artigo !
ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE : Explicou Brendan O’Neill com maestria, conhecimento e, sobretudo coração. Parece-nos que falta coração às mentes humanas. Tudo que mostra e fala são procedimentos de quem não tem coração e não tem mente sadia. Dá vontade de chorar ao ver todos estes acontecimentos até com crianças. Onde estão as maldades que precisam ser condenadas em crianças de 1…2…3….4…12 anos???SIMPLESMENTE NAO EXISTEM MALDADE NESTAS CRIANÇAS, para serem tratadas assim. TRISTEZA….