Depois de anos agindo como uma representante oficial do governo, a primeira-dama Janja da Silva finalmente tem um cargo institucional para chamar de seu. O Decreto nº 12.604, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 28 de agosto, amplia o poder institucional do gabinete de Janja e lhe dá a função de “apoiar o cônjuge do Presidente da República no exercício das atividades de interesse público”, incluindo a estrutura no organograma do Gabinete Pessoal da Presidência da República (GPPR), que atualmente possui 189 funcionários.
Como destacado em reportagem da Edição 244 de Oeste, tradicionalmente a figura de uma primeira-dama sempre teve caráter simbólico, associado à elegância, à caridade e ao exemplo de comportamento público. O Brasil adotou o título em 1889. Algumas se notabilizaram pelo estilo, outras pelo engajamento voluntário, mas todas mantinham a postura esperada da mulher do presidente da República.
O comportamento, inclusive, era algo considerado importante até pelas detentoras do título. Em uma entrevista ao jornal O Globo em 1972, Sarah Kubitschek, mulher de Juscelino Kubitschek, afirmou: “A mulher de um presidente vive num aquário, exposta a tudo. É preciso que ela tenha uma contenção de palavras e gestos. Se for negligente, pode criar problemas.”
Desde o início do governo Lula, no entanto, Janja não se destaca pelo estilo ou pelas pautas sociais, e sim por suas gafes. A ampla lista inclui o emblemático episódio do “f*ck you, Elon Musk” em um evento paralelo ao G20, erros de português, gestos exagerados e dancinhas fora de hora. Apesar disso, Janja parece não ver problemas em suas atitudes: em maio, declarou que “tem bom senso e se considera inteligente”.
Apesar do claro despreparo para um cargo institucionalizado, um gabinete próprio era uma pauta cara para a mulher de Lula desde o início do governo. Em novembro de 2023, quando indagada sobre o assunto, a mesma Janja que posteriormente chamaria jornalistas de “vira-latas” por perguntar sobre as tarifas de Donald Trump, justificou seu desejo estabelecendo um paralelo com a estrutura de governo norte-americana: “A primeira-dama dos EUA também tem”.
“Falam muito de eu não ter um gabinete, mas precisamos recolocar essa questão. Nos EUA, a primeira-dama tem”, disse Janja, durante uma entrevista ao jornal O Globo. “Tem também agenda, protagonismo, e ninguém questiona. Por que se questiona no Brasil? Vou continuar fazendo o que acho correto. Sei os limites. Eu quero saber das discussões, me informar, não quero ouvir de terceiros”
A mulher de Lula voltou a fazer a queixa em 2024, durante uma entrevista ao UOL. Além de se comparar novamente com as primeiras-damas dos Estados Unidos, disse que o motivo de não ter um gabinete próprio seria o “machismo”.
“A primeira-dama dos Estados Unidos tem um gabinete e outras diversas primeiras-damas têm”, argumentou. “Ontem mesmo, recebi uma carta da primeira-dama do Paraguai que, por um problema de saúde, não pôde estar no G20 com a gente e (foi enviado) da oficina da primeira-dama. Quer dizer, do gabinete da primeira-dama. Eu não posso nem colocar isso no papel.”
🚨GRAVE: Janja diz que não tem gabinete e que precisa pagar por suas roupas por culpa do 'machismo'. pic.twitter.com/noNxEVW8QX
— Chequei Ancap (@ancapchequei) November 18, 2024
A comparação, porém, não corresponde ao conteúdo do decreto assinado por Lula. Nos Estados Unidos, o Office of the First Lady (Escritório da Primeira-dama) existe apenas para dar suporte à agenda social e de comunicação da primeira-dama, sem qualquer autoridade política formal.
Já no Brasil, a mudança promovida pelo decreto confere base legal à atuação da primeira-dama, estabelecendo atribuições específicas e permitindo que servidores públicos apoiem oficialmente suas agendas e projetos, o que antes ocorria de modo informal.
Janja já mantinha gabinete “clandestino” na Presidência

Antes do decreto, o gabinete de Janja já funcionava de modo informal dentro do Palácio do Planalto. Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, de dezembro de 2024, a primeira-dama contava com ao menos 12 funcionários, entre assessores de imprensa, fotógrafos, especialistas em redes sociais e um militar como ajudante de ordens.
O grupo custava cerca de R$ 160 mil mensais em salários e já havia acumulado R$ 1,2 milhão em despesas com viagens desde o início do terceiro mandato de Lula. Em 2024, a Presidência chegou a contratar uma marcenaria de Taguatinga (DF) para ajustar as divisórias do terceiro andar do Planalto — onde fica o gabinete presidencial — a fim de acomodar a equipe da socióloga, que despacha de uma sala de 25 metros quadrados ao lado do marido.
Entre os principais nomes da equipe estariam Neudicléia Neres de Oliveira, conhecida como Neudi, formalmente assessora especial do Gabinete Pessoal, mas tida como chefe de gabinete de Janja, e Brunna Rosa Alfaia, chefe da Secretaria de Estratégia e Redes da Secretaria de Comunicação (Secom), responsável por contas oficiais do governo. A equipe inclui ainda fotógrafos, produtores e técnicos cedidos da Secom e do Gabinete Pessoal, além de um capitão do Exército como ajudante de ordens.
As viagens da primeira-dama também contam com esquema próprio de segurança e apoio diplomático, composto por agentes da Polícia Federal e integrantes do cerimonial da Presidência.
Uma reportagem do Poder360, publicada em dezembro de 2024, revelou que pelo menos sete funcionários que trabalhavam com Janja estavam originalmente lotados para atender o presidente Lula. Indagado sobre o motivo, o Palácio do Planalto afirmou que os servidores cumprem “funções designadas pelo presidente”.
O portal também mostrou que parte da equipe acompanha a primeira-dama em viagens oficiais. Entre 2023 e 2024, foram 359 deslocamentos nacionais e internacionais, com custo total de R$ 930,8 mil. Apenas em viagens internacionais, ela passou cerca de 145 dias fora do país — superando, inclusive, a quantidade de viagens do próprio presidente. Em alguns casos, 97% das passagens foram compradas em cima da hora, elevando os custos.
Os gastos da comitiva também chamaram atenção: uma viagem a Roma, no início de 2024, custou quase R$ 300 mil. Em parte dessas agendas, Janja chegou aos destinos antes de Lula ou participou de compromissos oficiais em nome do governo.
As despesas levaram o vereador Guilherme Kilter (Novo-PR) a denunciar o chamado “gabinete paralelo” ao Tribunal de Contas da União, pedindo a suspensão imediata dos gastos e a devolução dos valores. Em fevereiro, porém, a Advocacia-Geral da União rejeitou a ação, classificando-a como um “ataque desmedido” e afirmando que não há provas de irregularidades, apenas citações baseadas em reportagens jornalísticas.
Com o cartão corporativo à sua disposição, além do apreço por viagens, Janja também demonstra gostar bastante de fazer compras. Em duas agendas recentes — Nova York e Rio de Janeiro —, a primeira-dama tirou um tempinho para visitar lojas e comprar artigos de luxo. O passeio de Janja no Shopping Leblon em julho, inclusive, foi descrito por seus aliados como “momento de respiro” em meio à rotina institucional — mesmo que, naquela época, não ocupasse nenhum tipo de cargo no governo.
O gosto de Janja por artigos de luxo não é novidade. Em 2023, durante viagem a Portugal, ela exibiu uma bolsa da grife Celine avaliada em R$ 22,6 mil. No ano seguinte, discursou na ONU calçando um mocassim Hermès de R$ 8,5 mil — enquanto falava sobre “os problemas que o capitalismo causa na vida das pessoas”. A primeira-dama também ostenta peças nacionais de alto padrão, como uma camisa de seda da marca Nériage, usada em entrevista ao Fantástico e avaliada em R$ 2,5 mil.
O decreto assinado por Lula não detalha o que seria o “apoio em atividades de interesse público” que deve ser desempenhado por Janja em seu novo cargo. Porém, não seria surpresa se alguma dessas atribuições incluísse fazer “comprinhas” durante viagens oficiais, já que estas também se estendem ao marido. Em setembro, durante a Assembleia da ONU, Janja gastou R$ 735 em um cinto e dois pares de meias da grife Zegna para presentear Lula — segundo ela, por ter esquecido de colocar o cinto do presidente na mala. A marca parece ser uma das preferidas do casal: em 2023, a socióloga comprou uma gravata da Zegna por R$ 1,1 mil, e o petista já foi visto usando dois pares de tênis da grife, um de R$ 10,5 mil e outro de R$ 8 mil.
As Janjas da América Latina

Além de todos os gastos, Janja se aproxima de um fenômeno comum em regimes de esquerda latino-americanos: a transformação do papel conjugal em instrumento de poder.
Evita Perón foi a pioneira do modelo de primeiras-damas com protagonismo político na América Latina. Entre 1946 e 1952, sem ocupar cargo formal, tornou-se o principal elo popular do peronismo, comandando uma fundação beneficente, defendendo o voto feminino e fundando o Partido Peronista Feminino.
Décadas depois, outras mulheres seguiram a mesma trilha: Vilma Espín, em Cuba, liderou a Federação de Mulheres Cubanas e influenciou políticas de Estado; Isabel Perón assumiu a Presidência da Argentina depois da morte do marido; Rosario Murillo, na Nicarágua, transformou-se em copresidente de fato; e Cilia Flores, na Venezuela, consolidou-se como figura poderosa do chavismo-madurismo. Cristina Kirchner levou o modelo ao auge ao suceder Néstor Kirchner na Presidência, perpetuando um projeto de poder conjugal por 12 anos.
Com o decreto de Lula, Janja oficializa o que já praticava — o luxo com verba pública e a influência sem mandato. O “gabinete paralelo” agora tem carimbo legal e orçamento disfarçado de função institucional. Entre viagens caras, mimos de grife e declarações desastrosas, a primeira-dama brasileira se insere no figurino latino-americano das mulheres que transformaram o casamento em carreira política. Enquanto o contribuinte trabalha meses para sustentar o Estado, a primeira-dama esbanja.

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Essa ex garota de programa deslumbrada pode comprar o luxo que for, nunca terá classe. Mulher feia, burra é desqualificada, além de não ter nenhum carisma por não ser humilde. Tão nojenta quanto o marido. Merece ter de se deitar com ele. Continua sendo uma quenga
Se essa janja for fazer tudo que acha certo, é tragédia na certa. Como um país se deixa chegar a esse ponto. Nossa Senhora um surrealismo político-econômico. Esse STF com 11 bandidos ladrões terroristas torturadores narcotraficantes assassinos comunistas burocráticos e esse Lula um podre da política. Esperar providências de Donald Trump… Temos que tomar providências estamos num abismo colossal
Ridícula e de baixo nível!!!!!
Como mulher não me sinto representada por essa figura. Pode estar coberta de ouro, será sempre ridícula. Esse povo é feio por dentro e por fora.
E ela teve a coragem de dizer que iria resignificar o cargo de 1º Dama. Realmente ela o fez gastando em nivel astrônomico, a Esbanja.