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Capas de livros anticomunistas da editora Faro Editorial | Foto: Júlia Xavier/Shutterstock
Edição 286

O mercado editorial descobre a direita

Editoras brasileiras se destacam ao abrir espaço para autores e obras que desafiam os dogmas da esquerda

Detalhar como a imposição dos ideais comunistas na agricultura levou milhões de pessoas à morte na Ucrânia, no período conhecido como Holodomor. Listar as ideias e os crimes de Vladimir Lenin, primeiro líder da União Soviética. Trazer à tona relatos de horror de cristãos, incluindo padres e freiras, que sofreram com perseguições, prisões, torturas e assassinatos em países nos quais o comunismo imperou. Essas histórias são destacadas, respectivamente, nos livros Os Anos da Fome (R. W. Davies e Stephen G. Wheatcroft), Lenin: O Homem por Trás do Mito (Alyson Nonato) e Quando a Foice Balança (Kristen Van Uden). Em fase de pré-lançamento no Brasil, as três obras integram o catálogo da Editora Caravelas.

A trinca de lançamentos não é um ato isolado no mercado editorial brasileiro. Ajuda a ilustrar o quanto autores e produções que vão contra as versões propagadas pela esquerda têm ganhado vez nas livrarias do país. Espaço conquistado não apenas na Caravelas. A Faro Editorial e a LVM Editora seguem estratégias semelhantes.

Na LVM, publicar livros que destacam o liberalismo e o conservadorismo é mais do que buscar um nicho de mercado. Trata-se de ação que vai ao encontro dos princípios expostos em seu site oficial. A editora registra ter a missão de defender a liberdade, os valores humanos e as regras do mercado. Tudo que vai contra os ideais socialistas e comunistas. Dessa forma, a LVM foi responsável por comercializar no Brasil obras como Liderança segundo Margaret Thatcher, de Nile Gardiner e Stephen Thompson, e o best-seller Os Ungidos: a Fantasia das Políticas Sociais dos Progressistas, do economista e escritor norte-americano Thomas Sowell.

No Brasil, o escritor norte-americano Thomas Sowell tem obras publicadas por editoras como LVM e Faro Editorial | Foto: Reprodução

Por meio do selo Avis Rara, a Faro Editorial também dá vez a best-sellers internacionais que fogem das “narrativas” da esquerda. Assim como a LVM, a Faro conta com livros de Sowell, com os dois volumes de Essencial e Intelectuais e a Sociedade. Marxismo Social (James Lindsay), Como Desarmar a Cultura Woke (Charles Pincourt e James Lindsay), Os Tribunais de Stalin (Nicolas Werth), A Mitologia Científica do Comunismo (Lucian Boia) e Revolução Cultural Silenciosa — Como a Esquerda Radical Assumiu o Controle de Todas as Instituições (Christopher F. Rufo) são outros títulos comercializados no Brasil via Avis Rara.  

Editores e pesquisadores

Esses e outros livros só estão disponíveis para os leitores brasileiros em decorrência do trabalho de pesquisa dos profissionais na linha de frente das editoras. Professor e historiador, Marcelo Andrade, da Caravelas, explica a tarefa de “caçar” textos no mercado internacional. “As pessoas imaginam que achar um bom livro é fácil, mas não é”, diz. “É um movimento complexo que envolve, sobretudo, pesquisas de temas que consideramos importantes e, no meu caso, repertório de mais de 20 anos de estudos”. Sócio dele, Gabriel de Paula lembra que há a parte burocrática do processo, a de aquisição de direitos autorais. “Tem livro que foi publicado originalmente por uma editora que não existe mais, o que torna ainda mais difícil a negociação”, exemplifica. “Algumas obras a gente quer publicar, mas não consegue, pois não é possível localizar os detentores dos direitos.”

Com mais de 30 anos de carreira no mercado editorial, o ex-militar Pedro Almeida, da Faro Editorial, conta que a pesquisa também se dá de forma reversa, com “olheiros” indicando obras e representantes de grandes editoras, sobretudo as baseadas nos Estados Unidos, que agem para disseminar trabalhos, mundo afora. Foi por meio de indicação que ele teve contato, ainda como publisher da Ediouro, com Marley e Eu, de John Grogan. Lançou o livro no Brasil em 2006 (antes do filme, que chegou às telas em 2008) e foi sucesso. De acordo com Almeida, o título já vendeu 15 milhões de exemplares no país. Para seguir dedicado ao trabalho de observar, pesquisar e analisar obras indicadas por “olheiros” e agentes, ele conta com a parceria do sócio, Diego Drummond. Cientista econômico e pós-graduado em marketing e vendas, Drummond fica à frente da administração da Faro.

marley e eu - capa
O livro Marley e eu chegou ao Brasil por meio das mãos — e da leitura — de Pedro Almeida, hoje sócio da Faro Editorial | Foto: Reprodução/Enjoei

A pesquisa no mercado estrangeiro também faz parte do cotidiano profissional de Pedro Henrique Alves, que desde 2021 é o editor-chefe da LVM, editora fundada pelo cientista político Helio Beltrão. “Digo que sou um editor 24 horas por dia”, comenta Alves, que é colunista do site de Oeste, com artigos publicados semanalmente. Atividade editorial que se dá, avisa ele, até por meio de comunidades on-line, como o site norte-americano Goodreads, onde leitores registram suas impressões sobre os mais variados títulos. “Recebi notificação de um livro que estava saindo, Defenders of the West. O nome já me chamou a atenção. A partir daí começou o trabalho de pesquisa propriamente dito.” Neste ano, o livro de Raymond Ibrahim ganhou sua versão brasileira, denominada Defensores do Ocidente.

O ambiente digital como aliado

Para Alves, o ambiente digital é um aliado tanto na hora de pesquisar títulos interessantes no exterior quanto nas ações de divulgação. Exemplo disso foi o vídeo publicado no perfil da LVM no Instagram para promover Socialismo Amargo: Dois Economistas em um Giro Etílico pelo Mundo, de Robert Lawson e Benjamin Powell. No ar desde 27 de fevereiro, a postagem viralizou. Mostrando uma versão de Che Guevara se rendendo às benesses do capitalismo, o conteúdo soma 4,5 milhões de visualizações, 260 mil curtidas e quase 3 mil comentários. Repercussão que se converteu em vendas. De acordo com a LVM, a obra já teve cerca de 6 mil exemplares comercializados.

“Muita gente do meio editorial vê as redes sociais como inimigas”, diz Alves. “Se usadas de maneira correta, são aliadas. Buscamos ancorar nossas postagens quase diárias em conteúdos de relevância, não somente com convites à compra de um livro, mas com assuntos que consideramos interessantes.”

O meio digital também é benquisto pela dupla da Caravelas. Aliás, a ideia de criar a editora surgiu quando De Paula passou a ajudar Andrade em um canal no YouTube. Agora no mercado editorial, promovem campanhas de financiamento virtual a fim de evitar prejuízos na hora de lançar livros. Para o lançamento de Os Anos da Fome, Lenin e Quando a Foice Balança, a editora arrecadou R$ 155 mil. Além disso, a empresa investe em cursos on-line, com temas correlatos ao catálogo.

Almeida, da Faro Editorial, observa o fato de a divulgação de livros ter pouco espaço na velha imprensa. “Quem toma conta disso hoje são as redes sociais”, analisa. “O público ajuda a divulgar os livros, o que é muito importante porque o grande desafio na hora de um lançamento é fazer aquele trabalho ficar conhecido.”

De brasileiros para brasileiros

Para se aproximar do público brasileiro, as editoras voltadas a temas anticomunistas investem em projetos de escritores nacionais. Colunista de Oeste, o jornalista Guilherme Fiuza já tem três livros publicados pela Avis Rara: Fake Brazil, Passaporte 2030 e O Passado Promete. Lista que irá aumentar oficialmente em 10 de setembro, com o lançamento de O Grande Circo: Para Entender as Acrobacias da Imprensa. Pelo mesmo selo, a Faro Editorial irá lançar o Guia Politicamente Incorreto do Meio Ambiente, de Leandro Narloch. A obra chegará às livrarias no fim de outubro, dias antes da realização da COP30, em Belém.

Pedro Henrique Alves também corre atrás de autores brasileiros. Nesse sentido, conta ter provocado Fabio Gurgel, campeão mundial de jiu-jitsu, a escrever Inabalável — Princípios do jiu-jitsu aplicados à vida e aos negócios, que chegou ao mercado em dezembro do ano passado. O editor da LVM também dá espaço até para quem é ou já foi de esquerda. É o caso do antropólogo Antonio Risério, que escreveu Identitarismo, lançado em julho de 2024. E registra: o trabalho de pesquisador segue ativo para localizar potenciais novos escritores nacionais.

Além de Alyson Nonato, de Lenin — O homem por trás do mito, a Caravelas conta com outros jovens escritores brasileiros em seu time. A lista conta, por exemplo, com a mestre em economia Débora Luciano, de Autópsia do Feminismo, e o historiador e mestre em Direito Lucas Lancaster, com o livro São Luís — O rei da coroa de espinhos.

Dando espaço a escritores nacionais e internacionais e suas vozes — e letras — à direita, o mercado editorial brasileiro avançou no ano passado. No total, o setor contou com 55,3 milhões de livros vendidos em 2024, para um faturamento de R$ 2,8 bilhões, segundo o Sindicato Nacional dos Editores de Livros. Números que representam oscilação positiva de quase 1% em vendas e crescimento de 8,5% em faturamento, no comparativo com os dados consolidados de 2023.

O avanço do mercado editorial brasileiro de um ano para o outro teve contribuição das três editoras que fazem questão de dar voz à direita. Com cerca de 45 funcionários, além de uma rede de prestadores eventuais, a Faro Editorial vendeu 1,5 milhão de exemplares em 2024, com faturamento na casa dos R$ 23 milhões. A Caravelas, que conta com pouco mais de um ano de vida, registra, desde a sua fundação, 14 colaboradores, aproximadamente 30 mil exemplares vendidos e projeção de gerar R$ 3 milhões de caixa em 2025. Com 13 pessoas na equipe fixa, a LVM anuncia ter vendido mais de 50 mil livros em 2024, o que gerou a receita na ordem de R$ 6 milhões.

Com escritores brasileiros e estrangeiros, os representantes da Caravelas, da LVM e da Faro Editorial lamentam um problema crônico de um país em que políticas de ensino no nível federal estão sob responsabilidade da esquerda: a falta de leitura, inclusive na sala de aula. Situação que se exemplifica com a notícia de que o Ministério da Educação não comprou todos os livros didáticos para o próximo ano letivo. Problema que, no que depender dos editores de plantão, pode virar tema de livro num futuro próximo. Certamente, os leitores anticomunistas irão agradecer.

Leia também “O legado de Thomas Sowell”

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7 comentários
  1. Carlos Sergio Souza Rose
    Carlos Sergio Souza Rose

    Os colunistas da Oeste poderiam sugerir alguns títulos no final dos artigos semanais.

  2. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Pra mim uma das melhores notícias, gosto de de entrar nas livrarias me sinto bem pegar nos livros consultar as pestanas me sentar me sinto como um escritor, sonho. Quando pedimos pela Internet, a ansiedade nos adoece.

    1. Juliana Andréia Vrba Brandão
      Juliana Andréia Vrba Brandão

      Nós também temos a editora PHVox que já publicou mais de 22 livros, dentre eles 2 do Dr. Heitor de Paola, 3 do Plínio Corrêa de Oliveira, 3 do Flávio Gordon e mais recente: 9 Comentários Sobre o Partido Comunista (em parceria com a Epoch Times). O Paulo Henrique Araújo é o editor e ele publicou no ano passado O Foro de São Paulo e a Pátria Grande.

  3. João Carlos de Souza Carvalho
    João Carlos de Souza Carvalho

    Fico muito satisfeito em saber que o livro do Leandro Narloch desmitificando esses falsos ambientalistas vai ser lançado no Brasil ! Quero comprar e fazer propaganda !

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