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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante Sessão Plenária da Cúpula Brasil-Caribe, no Palácio Itamaraty | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Edição 286

Diplomacia dos excluídos

A péssima atuação da diplomacia brasileira não se resume ao fracasso nas negociações com o governo Trump

Primeiro e único brasileiro a conquistar o posto de alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Sérgio Vieira de Mello sempre lutou pela paz. O diplomata dedicou grande parte da carreira a apoiar a reconstrução de comunidades que foram devastadas pelas guerras. Em 1969, com apenas 21 anos, mediou conflitos em Bangladesh, na busca pela independência. Depois esteve em países como Moçambique, Ruanda, Bósnia, Líbano e Camboja.

Mas foi no Timor-Leste que o jovem diplomata se destacou. De 1999 a 2002, atuou como chefe da administração de transição da Organização das Nações Unidas. A chegada dele ao país asiático ocorreu depois de as tropas da Indonésia deixarem o lugar em destroços, resultado de quase 25 anos de invasão. Na qualidade de governador provisório, Sérgio foi encarregado de reorganizar o Estado. A harmonia que existe no Timor-Leste se deve ao diplomata brasileiro. Para lutar pela paz, é necessário viver em perigo. Foi morto em agosto de 2003, aos 55 anos, depois de um atentado terrorista na sede da ONU em Bagdá. Sua história virou roteiro de filme.

O discreto diplomata serviu a vários países quando atravessavam os piores momentos. Mais conhecido no Brasil depois de morrer, Sérgio buscou honrar as relações exteriores, assim como fez José Maria da Silva Paranhos Júnior. Considerado o pai da diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco comandou o Ministério das Relações Exteriores de 3 de dezembro de 1902 até a morte, em 10 de fevereiro de 1912. Deixou o Brasil republicano 900 mil quilômetros quadrados maior que o Brasil imperial sem precisar declarar guerra com os países vizinhos.

Sérgio e o Barão do Rio Branco eram os modelos a serem seguidos. A diplomacia brasileira sempre promoveu a paz. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), mediou o conflito entre Peru e Equador, em 1998, por meio do chanceler Luiz Felipe Lampreia. A ação culminou no acordo de paz e pôs fim a décadas de tensões territoriais e conflitos armados entre os dois países. 

Retrato de Sergio Vieira de Mello, ex-Subsecretário-Geral de Assuntos Humanitários e Coordenador de Socorro de Emergência | Foto: ONU/Ky Chung

A chegada do PT

O sossego acabou quando o petismo entrou em ação. Antes mesmo de ser presidente, Luiz Inácio Lula da Silva ironizou o fato de o chanceler Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores de FHC, ser obrigado a tirar os sapatos a pedido da segurança dos aeroportos nos Estados Unidos. Isso ocorreu em setembro de 2001, dias depois dos atentados às Torres Gêmeas. 

Para Lafer, não havia problema em obedecer às normas de segurança. Lula, por sua vez, declarou que nenhum ministro seu passaria por tal constrangimento. O que o petista não sabia à época era que, nove anos depois, em 2010, seu ministro Celso Amorim seria humilhado ao ser impedido de cruzar a Faixa de Gaza.

Gafes diplomáticas

Amorim colecionou outras gafes diplomáticas. Deixou escapar, em 2023, que o café argentino era “uma merd…“. Em agosto deste ano, embaralhou-se ao confundir “Holocausto” com “antissemitismo” durante uma entrevista no programa Roda Viva. Afirmou que o Brasil “não acolheu o novo embaixador israelense em Brasília porque humilharam o nosso lá”. Também qualificou Israel de persona non grata.

Conforme a agenda oficial, Amorim teve cinco compromissos em julho passado, mas continua a comandar a política externa do governo federal. Segundo o jornalista Cláudio Humberto, da Rádio Bandeirantes, Lula impediu os diplomatas do Itamaraty de atuarem na crise que envolve o tarifaço.

O jornalista afirmou que o petista nunca se preocupou com os impactos do imposto na economia brasileira nem com a supressão de empregos. “Lula só pensava em tirar proveito da briga com Trump para reverter a ampla desaprovação nas pesquisas”, disse.

Atuações de Mauro Vieira

A omissão do Itamaraty foi escancarada depois da viagem à Croácia de Mauro Vieira, Ministro das Relações Exteriores. A ida à Europa, em 10 de julho, ocorreu um dia depois de Trump anunciar as tarifas sobre os produtos brasileiros. Vieira errou o assunto: preferiu reunir-se com Maka Botchorishvili, chanceler da Geórgia, para conversar sobre a relação comercial entre os dois países.

Somente depois disso, Vieira pousou nos EUA. O objetivo, contudo, não foi discutir o assunto que interessava, mas dar palpites sobre a guerra no Oriente Médio. Em discurso na Conferência da ONU sobre a solução de dois Estados, o ministro de Lula defendeu “determinação” para enfrentar “alegações credíveis de genocídio” na Faixa de Gaza. 

Encerrado o evento, Vieira mandou um recado ao governo do presidente Trump: estaria disposto a ir a Washington para negociar o tarifaço. Vieira chegou a se encontrar com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a quem informou que o Brasil “não aceita negociar questões relacionadas à política interna porque fere a soberania do país”.

A trapalhada não para por aí. A embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, estava de férias quando Trump anunciou as sanções ao Brasil. Ao voltar do descanso, tentou negociar com o governo norte-americano, mas não a receberam. “Tarde demais”, disseram.

Amizade com ditadores

A atuação da diplomacia brasileira não se resume ao fracasso nas negociações com o governo Trump. Em maio, Lula esteve no palanque ao lado de ditadores no desfile de 80 anos da vitória da União Soviética (URSS) na Segunda Guerra Mundial. Também normalizou a fraude eleitoral na Venezuela. 

Pior: almoçou com Miguel Díaz-Canel, ditador de Cuba. É amigo do ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, que persegue padres e freiras. Homenageou Bashar al-Assad, ditador sírio deposto depois de 24 anos no poder. Trouxe ao Brasil, em avião da FAB, Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru condenada por corrupção. Pediu a libertação da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner em visita ao país sul-americano.

O vice de Lula, Geraldo Alckmin, por sua vez, sentou-se ao lado de Ismail Haniyeh, líder dos terroristas do Hamas, eliminado pelo Exército de Israel em julho de 2024.

Lula e o PT levaram a diplomacia para o lado errado. Políticos e especialistas condenam esse tipo de atuação. O cientista político Paulo Kramer disse que a atual diplomacia brasileira age com gestos desdenhosos. Também afirmou que o governo brasileiro se aproveita da tensão para desviar o foco do desastre da política econômica.

O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança, por exemplo, afirmou que o Itamaraty caiu em desgraça. “Itamaraty não é uma democracia, mas uma piada.”

 
 
 
 
 
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3 comentários
  1. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Quando vejo Celso Amorim, só me lembro do Augusto Nunes, relatando a figura de pantufas no avião.

  2. Sebastiao Márcio Monteiro
    Sebastiao Márcio Monteiro

    Quem aparece na com Lula na primeira foto da matéria não é Celso Amorim, como consta da legenda. Trata-se de Mauro Vieira, ministro das relações exteriores.

  3. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Esse itamaraty sempre foi anão, mas com esse PT perdeu esse estereótipo que já não valia nada para um expoente negativo de diplomacia lixo. Quem manda ficar submissa a um sujeito completamente analfabeto e bandido

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