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Cena do filme "Gladiador" (2000) | Foto: Reprodução
Edição 284

Os bárbaros

Quem justificava os abusos supremos, pois seu alvo era o bolsonarismo, agora se deu conta de que todos serão atingidos

Na batalha que marca a cena de abertura de Gladiador, um “diplomata” romano é enviado para negociar a rendição com os bárbaros da Germânia, mas sua cabeça é decepada e o líder dos bárbaros exibe o troféu enquanto grita. Quintus, então, fala com o general: “As pessoas deveriam saber quando foram conquistadas”. Maximus pergunta: “Você saberia? Eu saberia?”. E mais uma guerra assimétrica se inicia, com a vitória dos superiores romanos.

Lembrei disso ao ver a reação dos nossos ministros supremos às investidas do governo americano. Trump tem um arsenal à sua disposição e deu apenas alguns pequenos tiros de alerta para que o regime brasileiro possa capitular sem muito “derramamento de sangue”. Mas nossos bárbaros nunca sabem quando já foram conquistados. Vão cair atirando, vão lutar até o fim, como se pudessem salvar a própria pele.

Segundo disse a velha imprensa, até mesmo partir para cima de ativos de empresas americanas estaria no radar de possíveis medidas para “retaliar” os americanos. Isso seria digno de Cuba ou Venezuela, e parece um ato desesperado de quem se encontra encurralado. Apostar contra o poderio do “império estadunidense” nunca é sábio, mas os togados estão dispostos a dobrar a aposta. Vão perder, mas não sem antes causar enormes danos ao país.

STF
Sede do STF em Brasília | Foto: Reprodução/Supremo Tribunal Federal/Flickr

O grau de negação da realidade chega a patamares absurdos. Segundo a Folha de S. Paulo, Alexandre de Moraes diz esperar que Trump revogue sanções contra ele, não se sabe com que base. Ao mesmo tempo, Moraes diz que bancos podem ser punidos se aplicarem sanções dos Estados Unidos a ativos brasileiros. No Metrópoles, a coluna de Paulo Cappelli diz: “EUA estudam tirar de Moraes acesso a companhias aéreas, hotéis e Apple”. A probabilidade maior é de mais sanções, mas Moraes, por algum motivo bizarro, aguarda uma revogação de suas sanções…

Para tentar blindar Moraes, o STF resolveu peitar a Lei Magnitsky e determinar que ela não terá valor no Brasil. Em um só dia, como resultado, as ações dos bancos despencaram e perderam mais de R$ 40 bilhões de valor. Os ministros supremos querem o impossível, e colocam os bancos num dilema sem solução, pois ignorar o que vem da Ofac significaria sua ruína financeira. Pelo visto, o STF não liga e aceita ver o circo pegar fogo. É pura barbárie!

Sempre dobrando a aposta, Moraes partiu para cima do pastor Silas Malafaia. É um estágio novo em nossa ditadura, que nos aproxima da Nicarágua: perseguição a líder religioso. Conversas particulares obtidas por meio da “pesca probatória” são vazadas para se criar constrangimento e tentar dividir a direita, isso enquanto a comunicação entre pai e filho, Jair e Eduardo Bolsonaro, continua proibida. Cautelares são aplicadas para todo lado, numa demonstração de poder abusivo. Todos ignorando a demanda básica de Trump: parar com a “caça às bruxas” contra o ex-presidente.

O desabafo do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança é justo: “Antes tínhamos o problema de estar numa ditadura. Agora percebemos que é pior. É um bando de imbecis com poder absoluto”. Naturalmente, ele se refere a esta tentativa do STF de revogar a lei da gravidade. O deputado, sempre tão educado, perdeu a paciência. E não é para menos! A estupidez suprema vai custar cada vez mais caro para o Brasil.

Dá para imaginar Moraes segurando a cabeça do diplomata americano que foi negociar os termos da rendição, gritando palavras de ordem e desafiando seus adversários. “As pessoas nunca sabem quando já foram conquistadas”. Não há como vencer essa guerra. Trump nem começou a atirar ainda. E está determinado a impedir uma nova Venezuela no continente. Os Estados Unidos estão inclusive enviando tropas para a região. Desafiar seu poderio não é muito inteligente. Mas nossos bárbaros não ligam, e vão causar estragos gigantescos nesse processo de “retaliação”.

Trump
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos | Foto: Shutterstock

Enquanto isso, cada vez mais gente que até aqui hibernava vai despertar e se dar conta de que não é viável manter essa postura. Justificaram os abusos supremos, pois seu alvo era o bolsonarismo, mas agora se deram conta de que todos serão atingidos. Os banqueiros que o digam! Até quando o país vai suportar isso? Quanto tempo mais dá para bancar o custo Moraes? Não faz muito mais sentido o sistema entregar a cabeça de Moraes aos americanos e recuar na caça às bruxas a Bolsonaro, para finalmente ter paz?

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9 comentários
  1. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Grande Constantino. Bravo guerreiro!

  2. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Sem dúvida Constantino, mas como as eleições de 2026 estão se aproximando, gostaria de ver o governo Trump nos socorrer para evitar novos conflitos com os resultados das apurações, impondo transparência no processo eleitoral e com urnas auditáveis como foram as da Venezuela.
    Só assim foi descoberta fraude na Venezuela, quando a apuração das urnas já demonstrava vitória da oposição.
    Afinal, Barroso não disse que pediu auxilio ao governo Biden para garantir as eleições em 2022 que nós sabemos como ocorreram?. Agora é a vez do governo Trump nos auxiliar. Vejo também importante que o governo Trump aproxime suas forças militares às nossas que tanto dependem dos EUA, para que voltem a ser admiradas pela sociedade brasileira. Nada de golpe, apenas garantir a Lei e a Ordem como a Constituição lhes atribui.

  3. Cristiano
    Cristiano

    O grande legado de Bolsonaro foi levantar o tapete e expor todos os grandes beneficiados “amigo do amigo do meu pai” que operam nas entranhas do poder “deep state tupuniquim”. Sabemos agora quem é quem – vide alguns que se diziam ser os representantes da Nova Direita NeoCon “Anointed”.

  4. Ronaldo Rodrigues Rosa
    Ronaldo Rodrigues Rosa

    É uma guerra necessária para mudar os rumos do Brasil. Não podemos mais fingir que o Brasil é um país sério, administrado por pessoas sérias: não é. Somos um país dominado por marginais e criminosos de alta periculosidade. É tudo ou nada, e que ainda não entendeu, que sofra as consequências.

  5. gilson roberto cardoso de oliveira
    gilson roberto cardoso de oliveira

    Pra esquerda tudo é fácil. Quer ser generoso ? Use o dinheiro dos outros. Quer parecer corajoso ? Desafie alguém e mande outra pessoa lutar. Quer mudar a realidade ? Tudo bem desde que os outros paguem o preço.

  6. Vanildo
    Vanildo

    Feliz por ve-lo bem meu caro Constantino. Observando o ultimo paragrafo do seu artigo me permito concluir que bom senso é para quem tem.

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