Na Baía de Placentia, em Terra Nova, ao longo de quatro dias a bordo do HMS Prince of Wales, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e o primeiro-ministro da Inglaterra, Winston Churchill, elaboraram em conjunto uma curta declaração, com apenas 300 palavras, em resposta à situação geopolítica na Europa em meados de 1941. O documento, conhecido como Atlantic Charter (Carta do Atlântico), foi emitido no dia 14 de agosto de 1941.

A carta que redigiram foi visionária. Deixava publicamente clara a solidariedade americana aos ingleses na guerra, além da busca pela prosperidade e pela paz. Em linhas gerais, delinearam oito princípios que se comprometeriam a apoiar no mundo pós-guerra, com os seguintes objetivos em comum:
- Nenhuma das nações buscava ganho territorial.
- Não desejavam ajustes territoriais sem o livre consentimento dos povos envolvidos.
- Respeitavam o direito à autodeterminação dos povos. Queriam que os direitos de soberania e autogoverno, que foram privados deles à força, fossem restaurados.
- Barreiras comerciais devem ser excluídas. Acesso igualitário de todos os Estados ao comércio e às matérias-primas.
- Esperavam uma cooperação econômica global e avanço do bem-estar social.
- A garantia de se viver livre de medos, inseguranças e privações. Buscariam a paz depois da queda da tirania nazista.
- Os mares deveriam ser livres.
- Desarmamento das nações agressoras.


Um dos trechos mais emblemáticos da Carta do Atlântico sustenta que todas as pessoas têm o direito de viver livre do medo e da miséria: “… após a destruição final da tirania nazista, [nós] esperamos ver estabelecida uma paz que proporcionará a todas as nações os meios de viver em segurança dentro de suas próprias fronteiras, e que dará a garantia de que todos os homens em todas as terras poderão viver suas vidas livres do medo e da miséria… a paz deve permitir que todos os homens atravessem os altos mares e oceanos sem obstáculos.”
A Carta do Atlântico teve um peso significativo no mundo. Estabeleceu bases para uma ordem internacional pós-guerra, mas não surtiu o efeito esperado pelos líderes inglês e americano naquele momento. O ponto central era encorajar o povo americano a apoiar a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e se unir aos Aliados. A população estava resistente e a opinião pública só iria mudar depois do ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941.
A Carta serviu mais tarde de inspiração para a formação de acordos e organizações internacionais como a ONU e influencia a política global até hoje.

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
Leia também “Imagem da Semana: o segredo de Oak Ridge”




Excelente coluna.
Ao ler, fiquei pensando na Ucrânia! 🇺🇦
Um plebiscito sobre as terras em disputa, perguntando à população com qual nação quer ficar! Atenderia ao segundo ponto elencado!
Putin poderá ficar surpreso (ou decepcionado?) com os russos q vivem tem território Ucraniano!
Esqueci de dizer: excelente! Adorei conhecer essa parte da História!
Quando aprendi História, o conteúdo foi até a Modernidade! Estudamos muito pouco a Era Contemporânea, século XX!
Adoro Giorno, obrigado
Muito obrigada, Erasmo <3