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Churchill e Roosevelt no navio britânico, em 1941. Juntos redigiram a Carta do Atlântico | Foto: Wikimedia Commons
Edição 284

Imagem da Semana: Atlantic Charter

Há 84 anos, encontro marítimo secreto entre Roosevelt e Churchill resultou em uma declaração com princípios em comum por um mundo mais justo e livre

Na Baía de Placentia, em Terra Nova, ao longo de quatro dias a bordo do HMS Prince of Wales, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e o primeiro-ministro da Inglaterra, Winston Churchill, elaboraram em conjunto uma curta declaração, com apenas 300 palavras, em resposta à situação geopolítica na Europa em meados de 1941. O documento, conhecido como Atlantic Charter (Carta do Atlântico), foi emitido no dia 14 de agosto de 1941.

Roosevelt e Churchill (no canto superior esquerdo, sentados) assistem a serviço religioso durante o encontro que resultou na Carta do Atlântico | Foto: U.S Navy/National Archive

A carta que redigiram foi visionária. Deixava publicamente clara a solidariedade americana aos ingleses na guerra, além da busca pela prosperidade e pela paz. Em linhas gerais, delinearam oito princípios que se comprometeriam a apoiar no mundo pós-guerra, com os seguintes objetivos em comum:

  1. Nenhuma das nações buscava ganho territorial.
  2. Não desejavam ajustes territoriais sem o livre consentimento dos povos envolvidos.
  3. Respeitavam o direito à autodeterminação dos povos. Queriam que os direitos de soberania e autogoverno, que foram privados deles à força, fossem restaurados.
  4. Barreiras comerciais devem ser excluídas. Acesso igualitário de todos os Estados ao comércio e às matérias-primas.
  5. Esperavam uma cooperação econômica global e avanço do bem-estar social.
  6. A garantia de se viver livre de medos, inseguranças e privações. Buscariam a paz depois da queda da tirania nazista.
  7. Os mares deveriam ser livres.
  8. Desarmamento das nações agressoras.
Cópia editada por Churchill do rascunho final da Carta do Atlântico, em agosto de 1941 | Foto: Domínio Público
Carta do Atlântico publicada em 14 de agosto de 1941 | Foto: Domínio Público

Um dos trechos mais emblemáticos da Carta do Atlântico sustenta que todas as pessoas têm o direito de viver livre do medo e da miséria: “… após a destruição final da tirania nazista, [nós] esperamos ver estabelecida uma paz que proporcionará a todas as nações os meios de viver em segurança dentro de suas próprias fronteiras, e que dará a garantia de que todos os homens em todas as terras poderão viver suas vidas livres do medo e da miséria… a paz deve permitir que todos os homens atravessem os altos mares e oceanos sem obstáculos.”

A Carta do Atlântico teve um peso significativo no mundo. Estabeleceu bases para uma ordem internacional pós-guerra, mas não surtiu o efeito esperado pelos líderes inglês e americano naquele momento. O ponto central era encorajar o povo americano a apoiar a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e se unir aos Aliados. A população estava resistente e a opinião pública só iria mudar depois do ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941.

A Carta serviu mais tarde de inspiração para a formação de acordos e organizações internacionais como a ONU e influencia a política global até hoje.

Churchill e Roosevelt no navio britânico, em 1941 | Foto: Wikimedia Commons

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

Leia também “Imagem da Semana: o segredo de Oak Ridge”

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5 comentários
  1. Rosely M G Goeckler
    Rosely M G Goeckler

    Ao ler, fiquei pensando na Ucrânia! 🇺🇦
    Um plebiscito sobre as terras em disputa, perguntando à população com qual nação quer ficar! Atenderia ao segundo ponto elencado!
    Putin poderá ficar surpreso (ou decepcionado?) com os russos q vivem tem território Ucraniano!

    1. Rosely M G Goeckler
      Rosely M G Goeckler

      Esqueci de dizer: excelente! Adorei conhecer essa parte da História!
      Quando aprendi História, o conteúdo foi até a Modernidade! Estudamos muito pouco a Era Contemporânea, século XX!

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