“Eu não estou aguentando mais em termos físicos, psicológicos, emocionais. Não consigo dormir sossegado, não tenho tranquilidade, estou perdendo completamente a higidez mental, o pouco que eu ainda tinha. Realmente, a coisa está feia”. A frase que rodou o país nesta semana, com a divulgação de novos arquivos da Vaza Toga, é do juiz Airton Vieira, auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Num ponto, o magistrado cúmplice de Moraes tem razão: ninguém aguenta mais.
Que o ministro comandou uma engrenagem de censura e violação de direitos fundamentais, o brasileiro já sabia desde as primeiras condenações arbitrárias dos presos pelo tumulto de 8 de janeiro de 2023 — ou até antes, como o caso do ex-deputado Daniel Silveira. A novidade é que agora o mundo está prestando atenção nas suas atitudes.

Nesta semana, o jornal The New York Times, conhecido pela linha editorial de esquerda, afirmou: “Moraes prendeu sem julgamento, bloqueou veículos de notícia e ordenou remoção de contas”. Não foi a primeira vez: em outubro, o jornalista Jack Nicas produziu uma extensa reportagem intitulada “O Supremo está salvando ou ameaçando a democracia brasileira?”.
No domingo passado, 10, o Wall Street Journal foi mais assertivo que o NYT: “Não é tarde demais para resgatar o Brasil de um retorno semelhante à ditadura”. O texto do WSJ, assinado pela prestigiada colunista Mary Anastasia O’Grady, é intitulado “Um Golpe de Estado da Suprema Corte no Brasil“. Ela diz que “a liberdade nas Américas enfrenta um grau de perigo nunca visto desde a Guerra Fria”. Pela primeira vez, a imprensa estrangeira comparou o consórcio de poder que governa o Brasil à força com a ditadura venezuelana. “Homens fortes do século 21 estão copiando Hugo Chávez, que consolidou seu governo tomando o controle das instituições democráticas enquanto era popular e, em seguida, prendeu seus oponentes ou os exilou”.

A reportagem do WSJ chegou à Europa. O correspondente da emissora britânica BBC, também alinhada à esquerda, reproduziu um trecho no site. Ele diz que a colunista é “conhecida por suas visões conservadoras e críticas a governos de esquerda na América Latina”, mas não criticou o artigo dela. Pelo contrário, relembrou a trajetória do inquérito-matriz (nº 4.781) no STF, desde 2019, quando o então presidente da Corte, Dias Toffoli, abriu a investigação de ofício e a entregou a Moraes sem o rito do sorteio.
O nome do ministro brasileiro tornou-se frequente no noticiário estrangeiro desde a aplicação da Lei Magnitsky (Magnitsky Act), que impõe penalidades a violadores de direitos humanos e corruptos, por exemplo. Há duas semanas, quando a sanção foi anunciada pelo governo americano, a informação ganhou destaque no Washington Post e foi espalhada pela agência Reuters em diversos países. Repercutiu em Portugal, um dos destinos preferidos para o evento de lobby jurídico promovido pelo decano Gilmar Mendes — apelidado de “Gilmarpalooza”, em alusão ao nome do festival de música. A portuguesa RTP estampou na manchete: “EUA impõem Lei Magnitsky ao juiz brasileiro Alexandre de Moraes”.

A Reuters tem acompanhado de perto os desdobramentos da crise institucional e as afrontas de Lula a Donald Trump. Numa das reportagens, a agência diz que o Departamento do Tesouro americano sancionou Moraes por “autorizar detenções arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão” e usou as palavras do secretário Scott Bessent: “O ministro assumiu para si o papel de juiz e júri” em uma “caça às bruxas ilegal” contra cidadãos e empresas dos Estados Unidos.

Moraes já era assunto pelo mundo antes da Lei Magnitsky. Em abril, a revista The Economist, editada em Londres, disse que o Judiciário brasileiro “detém poder excessivo”, personificado na figura do ministro que preside mais de 20 inquéritos.

Outras publicações, como a agência italiana Ansa e os diários argentinos Clarín e La Nación, também reagiram à punição severa imposta pela Casa Branca a um magistrado brasileiro. Os textos relacionam a aproximação de Moraes com Lula e citam as provocações do petista aos Estados Unidos por meio das reuniões dos Brics, que agora têm 11 integrantes — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. É evidente que a tentativa de abrir todas as portas comerciais possíveis para China e Rússia, descartando o dólar como moeda corrente, além do alinhamento ideológico com o eixo anti-Ocidente, não cai bem em Washington. A presença dos aiatolás do Irã também é vista como provocação — os americanos acabaram de bombardear instalações nucleares no país na luta contra o terror.

A Casa Branca tem se manifestado com frequência sobre a dupla Lula-Moraes. No caso do ministro togado, ele passou a ser tratado como “violador de direitos humanos”. Um dos comunicados oficiais mais recentes, divulgado logo depois da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, levou um recado direto: “Os Estados Unidos responsabilizarão todos aqueles que colaborarem” com ele. A frase foi interpretada pelos ministros mais próximos a Moraes como um aviso de que também poderão ser enquadrados em sanções severas — a maioria já perdeu o visto americano.
Anualmente, o Departamento de Estado americano produz uma vasta compilação dos casos de violações de direitos humanos, usada como referência por tribunais internacionais. A versão mais recente ficou pronta na terça-feira, 12. Segundo o jornal The Washington Post, o documento enviado ao Congresso lista as canetadas de Moraes para aplicar censura nas redes sociais. “Ele ordenou pessoalmente a suspensão de mais de 100 perfis de usuários na plataforma de mídia social X”, diz o texto. Outro trecho fala de ação deliberada para influenciar no campo político: “Moraes suprimiu desproporcionalmente o discurso de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro”.
O relatório é amplo e abarca outros tipos de violações, como mortes causadas por milicianos, a guerra da polícia contra traficantes de drogas e a degradação dos presídios brasileiros. Mas, para vergonha do pagador de impostos brasileiro, um ministro do Supremo Tribunal Federal está na lista. “Decisões do STF restringiram a liberdade de expressão de indivíduos considerados, pela Corte, em violação à lei que proíbe discurso antidemocrático”, diz o relatório. O documento ainda traz um ponto que os ministros esqueceram há um bom tempo: “A Constituição e a lei garantem a liberdade de expressão, inclusive para membros da imprensa e de outros meios de comunicação”.
“Questões significativas de direitos humanos incluíram relatos críveis de: assassinatos arbitrários ou ilegais; tortura ou tratamento ou punição cruel, desumano ou degradante; prisão ou detenção arbitrária; e restrições graves à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa, incluindo violência ou ameaças de violência contra jornalistas”. (Relatório do Departamento de Estado americano sobre a piora dos direitos humanos no Brasil).
Há semanas, o Itamaraty tenta convocar uma reunião de crise, mas esbarra num detalhe: os Estados Unidos não indicaram até hoje um embaixador. Tampouco há sinais de que isso deve mudar. O número 2 da diplomacia americana, o vice-secretário do Departamento de Estado, Christopher Landau, tem reiterado críticas a Moraes, que diz exercer “poder ditatorial”. Landau afirmou que o ministro é responsável por “destruir a relação histórica de proximidade entre Brasil e Estados Unidos”.
É impossível afirmar quais serão os rumos da relação entre Brasil e Estados Unidos enquanto Lula estiver no poder. A retórica beligerante e ultrapassada do “anti-imperialismo ianque” petista parece ter encontrado guarida nos interesses econômicos chineses, russos e em outros entulhos ideológicos pelo planeta. Mas, nessa hora, talvez seja possível separar por um instante o consórcio PT-STF.
A cada dia, aumenta o número de autoridades e jornalistas estrangeiros que apontam o dedo para uma figura de toga: Alexandre de Moraes. O motivo? Ele violou direitos humanos: bastam fotos de idosos condenados a 15 anos de cadeia, pessoas com deficiência física, andarilhos que não têm o que comer com tornozeleiras eletrônicas, presos precisando de tratamento médico com urgência — um deles, Clériston da Cunha, o Clezão, morreu no pátio do presídio — e mães há dois anos separadas de filhos pequenos. Tudo isso pode ser compreendido em qualquer idioma. Agora, o mundo inteiro também sabe.











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A corda estica até chegar no ponto de ruptura, exatamente acorre descontrole das ações perpetradas pelas desconformidades institucionais.
É incrível mas o Brasil até hoje é uma república de bananas e não se cansa de passar recibo. Aqui a competência não tem a devida importância, mas o ‘puxa-saco’ é amplamente valorizado. Toffoli e Moraes são grandes exemplos. A nomeação política tem grande importância em detrimento do mérito do concurso público. O interessante é verificar que o próprio concurso é falho, admitindo o juiz Airton Vieira seja concursado e não nomeado pelo quinto constitucional, outra jabuticaba brasileira para levar advogados e promotores a magistratura sem a devida aprovação meritória, mas tão somente política.
Quando Alexandre de Moraes aceitou a “nomeação” de Toffoli para presidir inquéritos ilegais restou clara a ausência de conscientização do papel de um ministro do STF, da estatura do cargo, da importância do Tribunal. Estamos a cada dia banalizando a justiça e a administração pública, pois em um país dito sério, um ladrão jamais voltaria a Presidência da Republica, especialmente tendo sido condenado exatamente por seus atos na Presidência. Outro detalhe importante no país é a SELETIVIDADE da própria justiça, pois aqui um DA SILVA é preso, mas outros que ocuparam cargo de distinção como a Presidência da República e não foram tão sérios assim no trato da coisa pública, nunca foram incomodados por seus atos ilegais. Já tivemos oito constituições, golpes a vontade e até um “presidente’ que ficou vinte anos no poder com ajuda conveniente de militares. Temos um grande fazendão chamado Brasil onde a plutocracia/oligarquia manda e aristocracia não tem espaço de fala, onde o conhecimento não é valorizado, mas o oportunismo político tem vez e voz.
É insustentável um país sofrer tanto por causa de uma criatura como essa, envolta de seus comparsas supremos. Esse cara precisa cair!
Não tem como mais reparar todo o dano que causou.
Estranho um avião da fab vai com
janja para Moscou depois vem um avião de Moscou um.avkaomde Moscou para várias
janta para Moscou
Apesar de ser “niilista-existencialista”, se não nesta vida ou em qualquer outro lugar, espero e desejo ardentemente que o Cabeça de Ovo, tenha uma morte lenta e dolorosa e sofra eternamente pelo mal que tem causado a tantas pessoas inocentes.
Silvio, se tivéssemos eleições transparentes e auditáveis em 2022, seguramente estaríamos com outro Supremo. Não esta na hora da Revista Oeste entrevistar, FHC, TEMER, KASSAB provavelmente autores desse regime PT/STF/IMPRENSA?
Afinal, por que Temer defende Alexandre de Moraes como o responsável por termos eleições em 2022?
Atingimos este nível de degradação política e jurídica por omissão e covardia de nosso Congresso que continua refém do sistema.
Infelizmente, para os ´perseguidos políticos, ente eles cidadãos honestos, políticos e nosso presidente Bolsonaro, estamos dependendo de ações externas para sufocar os ditadores. Nosso senado federal, que deveria agir em prol da sociedade, está tomado por bandidos eleitos por pessoas que votam com o estômago e não com o cérebro, não vai agir, até porque, tanto o senado federal quanto a câmara de deputados são comandados por seus presidentes covardes e corruptos, que agem de acordo com seus interesses, submetendo 512 deputados federais e 80 senadores aos seus interesses, o que é lamentável. As casas que deveriam zelar pela sociedade são formadas por uma maioria de covardes e omissos, que tem em seus currículos, ou de familiares, processos pendentes na justiça e acabaram reféns os ministros do STF e da quadrilha que ocupa o Palácio do Planalto
Perfeita análise. Para o Moraes e os togados sem decência, eu sempre recordava: deixe estar jacaré, um dia a lagoa há de secar. E a seca já avança avassaladoramente. Passamos a ouvir choros e ranger de dentes.
Quem vai resolver essas barbaridades ? Quem vai tirar esse homem do poder?
Se tivéssemos um senado sério, essa situação já estaria resolvida. Acontece que o senado federal e boa parte da câmara de deputados está tomada por mercenários, ávidos por emendas e cargos. Infelizmente a quadrilha tomou conta.
Jogaram nosso pais na lama
O STF está no nível mais baixo da História
O Próprio STF sabe que se automutilou, sabe que se jogou no precipício da imundície jurídica, quiseram inovar praticando o NeoConstitucionalismo, porém, por serem medíocres, não souberam aplicar as nuances desse corolário, isto, por serem soberbos , indiscretos e abusivos do poder que possuem; por consequência só resta um fim, serem enlatados com o lixo tóxico que produziram por paixões ideológicos partidárias; Sabedores disso, só restou ao STF gastar nosso dinheiro contratando influenciadores digitais visando propagar engano pra “melhorar” a imagem da corte (com letras minúsculas porque seus integrantes são merecedores). Enfim, quando se paga pra melhorar imagem é porque sabe que está ruim.
Tudo está evidente, tá faltando a iniciativa para sairmos dessa política surrealista
Excelente texto Silvio. A velha mídia vendida nada abordou a respeito da vaza toga 2, as verbas do governo silenciam os meios de comunicação que dependem desse recurso para sobreviver.
Moraes é um ditador esperamos punição severa.
Enquanto a Imprensa internacional repercute os desmandos de nossa Suprema Corte , imprensa brasileira , congresso, e a OAB se calam .
Isso é vergonhoso para nós brasileiros que queremos um pais livre . Todos se calam . O circo foi montado
A “velha imprensa” encardida de omissões e distorções da realidade, financiada pelo governo com dinheiro do pagador de impostos, terá que engolir a contragosto este artigo notório de Silvio Navarro. Ele mostra recortes da imprensa estrangeira que revela o declínio político, diplomático e jurídico do Brasil. Revela os abusos de poder em sequências cada vez mais algozes de um ministro sobre quem recaiu a LEI MAGNITSKY, uma mácula irrevogável. Os dois principais protagonistas do desastre brasileiro são o presidente Lula e o STF sob comando do ministro Moraes. Hoje o Brasil é um país onde os corruptos e os ladrões triunfam e de onde os investidores mundiais fogem.
Muito bom ver que lá fora estão vendo esse absurdo de protagonismo do Moraes, presidindo mais de 20 inquéritos. Deve ser bem mais. Só se vê decisão dele o tempo todo, ingerindo por todo lado. Algo precisa ser feito.
Ótimo texto, Silvio. Enquanto o assunto está quente é o momento certo para o CENTRÃO inerte ganhar coragem. Basta de covardia!
Vergonhoso sermos um país com dimensões continentais e termos uma classe política medíocre. Certamente que não me refiro aos conhecidos guerreiros, esses que estão sendo perseguidos o tempo inteiro pelos 8 escrotos do STF.
Continuaremos indo às ruas para mostrar que os palhaços no STF mentem e mentem feio. NÃO ESTAMOS NUMA DEMOCRACIA.
E o careca posando de garoto propagando com youtubers de esquerda
Bravo Silvio Navarro, artigo extremamente importante para um dos piores e mais sensíveis momentos que o Brasil atravessa. Sim Alexandre de Moraes é figura chave da Ditadura que hoje vivemos, um juiz que nunca prestou concurso para a Magistratura, portanto não é um juiz de carreira, mas sempre foi indicado para todos cargos que ocupou por um político. Sua figura é nefasta, tornou-se um político infiltrado dentro de uma corte de justiça. Suas ordens são supremas,sempre determina prazo de 24 a 48 hs para serem cumpridas,um tirano.Não gosta de ser contrariado, adota sempre suas sentenças como verdades absolutas.Só que um dia a realidade bate a porta, está sendo punido como violador de direitos humanos básicos ao lado de traficantes, ladrões da pior espécie. O mundo todo sabe Alexandre, onde irá se esconder?