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Ilustração: Revista Oeste/IA/Shutterstock
Edição 282

Controle das redes sociais, versão russa

O consórcio PT-STF tem um “bom” modelo para sua obsessão por censura

O consórcio PT-STF é obcecado pelo “controle das redes sociais”. O pretexto é o de sempre: impedir o avanço da “extrema-direita” enquanto a extrema-esquerda fala em dar tiro na nuca dos adversários. E não sofre nenhum controle.

Reportagem de Paul Sonne para o jornal The New York Times mostrou um país em que esse controle foi elevado a estado de arte: a Rússia, sob controle total de Vladimir Vladimirovich Putin. O ditador está determinado a morrer no poder. E não admite qualquer tipo de opinião contrária à sua.

Segundo a matéria de Paul Sonne, “ao contrário da China, onde os usuários são restritos desde os primórdios da internet, a Rússia há muito tempo ostenta um dos ambientes online mais abertos e livres. Operando praticamente sem barreiras, milhões de russos migraram para plataformas tecnológicas ocidentais, publicaram notícias críticas e expressaram livremente seus pensamentos na internet”.

O “czar” Vladimir Putin determinou que isso não podia continuar. Ele se assustou com a força do candidato de oposição Alexei Navalny, que sabia usar as redes sociais, tinha um blog muito ativo e era bastante popular no YouTube. Navalny já foi devidamente eliminado no ano passado. Agora, o objetivo do regime é evitar que surja outro fenômeno semelhante. 

Putin eliminou Navalny e agora fecha o cerco para impedir novos líderes de oposição nas redes | Foto: Shutterstock

A “internet soberana”

Para isso, o governo passou da fase de promover a censura e a perseguição entre os usuários das redes sociais. Foi além: criou uma rede de mensagens como o WhatsApp, chamada MAX. A partir do mês que vem, o MAX será instalado por lei em todos os celulares vendidos na Rússia. Segundo Anastasiia Kruope, do Human Rights Watch, “o objetivo é o controle absoluto”.

Para isso, não basta controlar o que é transmitido pela internet. O Kremlin está trabalhando para controlar a rede em si, com a capacidade de isolar, por exemplo, regiões inteiras que estejam enfrentando protestos. 

O conceito desenvolvido por Vladimir Putin é o de uma “internet soberana”, desligada do resto do mundo e independente das big techs como a Google e a Meta. Segundo o The New York Times, o plano foi acelerado pouco antes da invasão da Ucrânia, em 2022. 

Putin baniu as redes Facebook, Instagram e Twitter. Criou uma empresa chamada VK, que foi entregue ao filho de um dos fiéis colaboradores do regime. Os usuários do WhatsApp já foram avisados de que o aplicativo será banido e substituído pelo MAX. 

O Telegram ainda é usado pela população russa para adquirir informações de jornalistas e ativistas exilados. Como o próprio regime utiliza o Telegram para distribuir sua propaganda, o aplicativo por enquanto está poupado. Mas talvez não por muito tempo, segundo Mikhail Klimarev, líder do grupo Sociedade de Proteção à internet. Se o Telegram for bloqueado, avalia Klimarev, “a Rússia vai virar Mordor” — o reino das trevas dos livros de J. R. R. Tolkien.

Telegram é a última janela da Rússia à informação livre — mas o regime pode fechá-la a qualquer momento | Foto: Shutterstock

O fator VPN

A meta do governo russo é fazer do MAX o equivalente ao chinês WeChat. É um aplicativo “faz tudo”. Além de trocar mensagens, o WeChat é banco digital, faz reserva de trens e oficializa casamentos. Moscou segue esse modelo e pretende fazer do MAX tudo isso e mais — um instrumento de comunicação entre alunos e professores. Ou seja, não apenas as mensagens estarão sob controle, como todos os aspectos da vida de cada cidadão. 

Duas questões estão dificultando até agora os planos de manter os russos sob controle absoluto. Um é a péssima qualidade dos aplicativos russos. O outro fator é o VPN — o instrumento que faz os celulares e computadores se esconderem em outras redes espalhadas pelo mundo.

Por meio de VPNs, alguns russos ainda conseguem usar aplicativos como o YouTube, o Instagram e o Facebook. Seus usuários vivem um jogo de pega-pega: as autoridades já fecharam quase 200 serviços de VPN, mas outros aparecem. 

As VPNs não são explicitamente proibidas na Rússia, mas sua venda e propaganda são. Seu uso para acessar “propaganda extremista”, como os vídeos de Navalny no YouTube, é criminalizado. 

Os robôs de Putin 

Para Vladimir Putin, não basta controlar as redes sociais. Segundo a repórter Liz Cookman, do jornal britânico The Times, a Rússia está promovendo agora a “ocupação digital” da Ucrânia usando uma técnica que os brasileiros conhecem bem: o uso de “robôs” digitais a serviço do governo.

Segundo o jornal, pesquisadores do Digital Forensic Research Lab (ligado ao Atlantic Council) descobriram “pelo menos 3.634 contas falsas que postaram mais de 316 mil mensagens entre janeiro de 2024 e abril deste ano na plataforma mais popular de mídia e mensagem, o Telegram”.

Essas mensagens são dirigidas às áreas ucranianas tomadas pelas tropas invasoras russas a leste do país. Elas tentam mostrar que todos os problemas causados na área em conflito — de quedas de energia à elevação dos preços dos grãos — são culpa dos ucranianos. E impor a ideia de que quem poderá resolver esses problemas são os russos.  

Segundo uma das pesquisadoras, Iryna Adam, “as atividades da Rússia no espaço da informação se enquadram em seu desejo geral de retornar às suas antigas margens coloniais. A Rússia não anseia apenas por reivindicação territorial física, mas também por homogeneidade cultural e linguística dentro de todos os ex-Estados soviéticos e além.”

É um exemplo de como as redes sociais, quando controladas por um governo, viram uma arma. Nesse caso, o bombardeio estatal lança três tipos de mensagens: elogios à Rússia, críticas aos ucranianos e pedidos genéricos de “paz” e “coexistência”. Além disso, mentem ao dizer que a Ucrânia “abandonou” esses territórios e sugerem que os habitantes devem aceitar os documentos de identidade russa. Ainda acusam o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de ser “viciado em drogas”.

Na Rússia, redes sociais controladas pelo regime se tornam armas de propaganda, com elogios, mentiras e ataques a Zelensky | Foto: Reprodução

Enquanto isso, no Brasil…

Na última terça, ficamos sabendo que o governo petista está testando um “WhatsApp estatal”, segundo informações do site Olhar Digital. A ideia inicial é que esse aplicativo seja usado internamente pelo Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin). O plano é que, depois dos testes, ele seja disponibilizado para toda a administração pública federal. Se ele poderá ser estendido a toda a administração, por que não poderia virar um dia nosso aplicativo estatal de mensagens, como o MAX russo? 

Luiz Inácio Lula da Silva declarou ao site Metrópoles esta semana: “É da nossa obrigação regular o que a gente quiser regular de acordo com os interesses e a cultura do povo brasileiro. Se não quiser regulação, que saia do Brasil. Não existe outro mecanismo”. Sim, existe outro mecanismo. Seu nome é liberdade.


dagomirmarquezi.com
@dagomirmarquezi

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5 comentários
  1. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Não tenha dúvidas que essa intenção da gangue petista de fazer um chat estatal, é para criar coisa pior depois, em cima de toda a população. Como vivem na base da mentira, eles precisam desse controle total. Senão a mentira não se sustenta!

  2. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    O STF já elegeu o modelo político chinês como preferido de todos.
    Os russos não ficarão de fora. Teremos o MAX para nos vigiar.
    Ou nossos políticos tomam a dianteira ou o sistema dominará a tudo e a todos.
    George Orwell não era escritor, era profeta.

  3. Jurandir
    Jurandir

    Onde já ouvimos essa expressão “internet soberana” mesmo? Lembrem-se que lula é cadelinha do Putin, mas a corja do PTSTF já se decidiu pelo modelo chinês de “democracia”.

  4. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    A China segue a Rússia e a Rússia segue a China. Companheiros de longa data, basta conhecer história. Como sempre Putin,escolhe o pior para o povo,instalar o Max em todos os celulares como lei.Fica a dica,nunca negocie sua liberdade.

  5. Wagner Destro
    Wagner Destro

    Dagomir, esse seu artigo está muito esquisito. Você jura que acredita nas “descobertas” feitas por pesquisadores financiados pelo Atlantic Council? Você nunca ouviu falar em Mike Benz? (Para ficarmos só nos acontecimentos desta semana) Você jura que ficou escandalizado ao ler que os russos malvadões estão acusando o presidente ucraniano de ser viciado em drogas?

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