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Perfil de Alexandre de Moraes | Foto: Pedro Fran/Senado Federal do Brasil
O ministro Alexandre de Moraes | Foto: Pedro Fran/Senado Federal do Brasil
Edição 280

Carta ao Leitor — Edição 280

As tarifas anunciadas por Donald Trump e o comportamento da imprensa diante das arbitrariedades de Alexandre de Moraes estão entre os destaques desta edição

No fim da tarde desta quarta-feira, 30, quem consultasse os principais sites e portais do país dificilmente saberia do fato mais relevante dos últimos meses: Alexandre de Moraes, ministro do STF, foi enquadrado na Lei Magnitsky por violações de direitos humanos. Pela primeira vez na história, os Estados Unidos usaram esse texto legal para punir um integrante do Judiciário de um país que se declara oficialmente democrático.

Na imprensa velha, todos os destaques da página principal giravam em torno do tarifaço anunciado por Donald Trump e suas consequências. O caso Moraes estava esmagado em notas de rodapé. 

“É esse o procedimento-padrão no noticiário político de hoje: a ideia é aplicar uma espécie de vacina obrigatória para imunizar o público contra os riscos do pensamento que a junta de governo Lula-STF considera ‘antidemocrático’”, observa J. R. Guzzo em seu artigo. A linha editorial dominante é claríssima: concordar em tudo com o STF, especialmente com Moraes.

Se o Supremo diz que houve um “golpe armado” numa baderna em que a arma mais perigosa foi um par de estilingues, a mídia reproduz sem ressalvas. Se uma mulher de 72 anos, presa a uma cadeira de rodas, é tratada como ameaça à segurança pública e devolvida à prisão, a mídia endossa. Se uma cabeleireira é condenada a 14 anos por escrever com batom numa estátua uma frase dita meses antes pelo atual presidente da Corte, a imprensa olha para o outro lado. “A noção de absurdo foi abolida no Brasil pelo STF”, afirma Guzzo. “A mídia aboliu junto.”

Enquanto a maioria dos veículos silenciou, a reportagem de capa de Oeste, assinada por Cristyan Costa e Silvio Navarro, exibe sem retoques o país real: o governo americano investigou os fatos com seriedade e tem provas de que Moraes atuou de forma autoritária no Brasil. Também agiu fora da lei contra empresas e cidadãos americanos. “Não teríamos crise alguma se todos respeitassem a Lei Maior”, resumiu Alexandre Garcia.

A reportagem de Artur Piva aponta que a lista da Magnitsky abriga o que há de pior, mais opressor e condenável no planeta. Apesar da gravidade da decisão divulgada pelos EUA, Moraes requisitou um avião para assistir ao jogo em São Paulo entre o Corinthians, time do qual é torcedor, e o Palmeiras. O sorriso amarelo que ensaiou foi desmascarado pelo gesto sem precedentes. Ao ouvir uma vaia tímida, o ministro foi até a beira do camarote, ergueu a mão e exibiu aos torcedores o dedo do meio.

O comportamento no estádio não foi o único indicativo de que não há limites para o ministro. Nos últimos dias, Moraes proibiu manifestações na Praça dos Três Poderes, impediu militares de depor fardados e cerceou a fala de advogados nas audiências — todas medidas aceitáveis pelo regime que os ministros agora chamam de “democracia combativa”, mostra Uiliam Grizafis. Não é pouca coisa. Mas não é tudo.

Há alguns anos, a perseguição política se limita a um lado do espectro jurídico, detalha Edílson Salgueiro. “Essa assimetria se tornou regra”, explica. “Aos aliados do governo, indulgência: habeas corpus, arquivamento, progressão de regime e anulação de provas. Aos opositores, arbitrariedade: prisões preventivas, censura prévia, bloqueio de contas, desmonetização e mandados de captura”.

A prisão de Filipe Martins, por exemplo, tema do artigo de Ana Paula Henkel, é uma das maiores arbitrariedades judiciais da história. Pouco se fala sobre isso no que já se chamou de grande mídia — a mesma que esconde até hoje a morte de Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, no Presídio da Papuda, ocorrida depois de Moraes ignorar sucessivos alertas da defesa sobre seu estado de saúde.

Nesta semana, o ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello disse publicamente que “a história será impiedosa com a postura atual do STF”. Com a imprensa estatizada que hoje domina o país, também. Como costuma dizer Augusto Nunes, os brasileiros que quiserem saber o que realmente aconteceu no Brasil desses tempos estranhos terão na Oeste uma fonte de consulta obrigatória.

Boa leitura.

Branca Nunes,

Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 280. Ministro Alexandre de Moraes | Foto: Gustavo Moreno/STF

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5 comentários
  1. João Raylisson
    João Raylisson

    O Alexandre de Moraes consegue o feito notável de censurar até quando não pretende. Na capa desta edição, por exemplo, sua testa reflexiva (no mais literal sentido espelhado) ofusca o nome da revista. Uma censura involuntária, mas ainda assim eficaz. Parabéns à equipe pelo brilhante trabalho editorial!

  2. Enoch Bruder
    Enoch Bruder

    Excelente resumo da situação em que vivemos! Ótima capa! Parabéns a todos da OESTE! A informação necessária!

  3. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Impitima esses 2 psicopatas do governo e do STF que o resto vem no novelo

  4. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    O Editorial está bom e bem resumido. 1) a imprensa trata como ataque a soberania nacional, mas não fala em regime soberano que está tratando de sua própria sobreviência escondendo o termo correto, que é ditadura; 2) sempre esquecem de mostrar as tabelas de tarifas apresentadas pelo Trump e nunca apontam quanto os países atingidos cobravam dos EUA. Ex: Índia tarifa 52% contra os EUA. Levou 25%, ainda abaixo do que poderíamos dizer reciprocidade; 3) as pesqusas que circulam por aí nunca apresentam o resultado por regiões ou por cidades, uma vez consegui olhar uma delas através de um ex-aluno e vi que aqui na serra gaúcha foram 3 entrevistados, o que significaria estatísticamente de que representariam a opinião de 300.000 eleitores…. 4) muitas pessoas estão apoiando Lula e Moraes em função da tal “soberania”, e o que eles não sabem é que estão apoiando um regime ditatorial que está em escala fatal para a democracia e ao próprio conceito de soberania nacional. Além disto, fica claro que Lula e seus parceiros estão utilizando um método justamente para romper relações com os EUA.

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