Na última década, quando passou a ser iluminado por holofotes com bastante frequência, Javier Milei parecia apenas um economista polêmico e agressivo, que garantia espaço na mídia com falas espontâneas e, sobretudo, ácidas. O jeitão despojado, as costeletas à Elvis Presley e os cabelos revoltos também se tornaram marcas registradas da novidade argentina.
Gustavo Segré, o novo apresentador do Faroeste à Brasileira, conviveu bastante com Milei. Entre as descobertas que fez está o método usado pelo atual ocupante da Casa Rosada para montar diariamente a cabeleira ornamental. Ele se limita a lavar os cabelos e, sem penteá-los, entra no carro que vai usar, mantém os vidros abertos e coloca a cabeça para fora. O vento cuida do resto.

Esse método extravagante explica o penteado do homem que, eleito chefe de governo, vem conseguindo tirar a Argentina do buraco em que foi enfiada por sucessivas gestões presidenciais. Além de militares sem voto, houve sobretudo os peronistas sem limites. Três deles: Néstor e Cristina Kirchner, além do recentíssimo Alberto Fernández.
A atividade econômica avança mais de 5%. As exportações cresceram 55% no primeiro semestre deste ano. A inflação de 25% ao mês que devastava a Argentina quando Milei tomou posse, em 2023, caiu em maio para 1,5%. São alguns dos muitos indicadores da impressionante recuperação econômica obtida em menos de dois anos.
Na reportagem de capa desta edição, Silvio Navarro descreve os ingredientes que compõem a receita do sucesso: “Austeridade fiscal, redução de penduricalhos, corte de 19 impostos, diminuição do tamanho do Estado e, sobretudo, muita coragem, porque começou o governo sem maioria robusta no Legislativo”.
Enquanto isso, Lula segue o caminho inverso nestes tristes trópicos. Resolveu, por exemplo, tumultuar ainda mais a política externa comprando uma briga com Donald Trump (com quem Milei estreitou suas relações). “Lula teve outras ideias tão fixas e tão estúpidas como essa, mas possivelmente nenhuma delas foi tão irresponsável quanto seu rugido de rato diante dos americanos”, resume J.R. Guzzo.
O setor privado brasileiro, sobretudo o industrial, tenta preservar o mercado americano diante de um cenário preocupante, decorrente do que Adalberto Piotto descreve como “comportamento radical de antiamericanismo empoeirado dos anos 1970” por parte de Lula.
Enquanto briga com os EUA, Lula afaga países que compõem o Brics — bloco do qual o Brasil é de novo o primo pobre. A reportagem de Artur Piva mostra que, com exceção da África do Sul, o país perde de lavada na maioria dos indicadores quando comparado às outras nações que deram origem à sigla.
Um desses indicadores é a área militar. No ranking global de despesas com as Forças Armadas em 2024, o Brasil amargou a 21ª colocação. China e Rússia ocupam o segundo e o terceiro lugares. A Índia aparece em quinto. Na liderança, previsivelmente, aparecem os EUA. Fabio Boueri detalha a situação de penúria em que se encontram hoje as Forças Armadas nacionais.
Nesse cenário confuso, Hugo Motta, presidente da Câmara, conseguiu destacar-se com uma medida inverossímil: proibiu os deputados de trabalhar em julho. “Está certíssimo”, ironiza Guilherme Fiuza. “Essa gente anda trabalhando demais. Todo ser humano precisa de descanso. Não pense que é fácil encarar o batente três dias por semana — sendo que, em um deles, às vezes é necessário acordar cedo!”
A repercussão internacional dos excessos do Judiciário, o risco de o Brasil perder o GPS americano e a marca bilionária de Neymar estão entre os demais destaques desta edição.
Boa leitura.
Branca Nunes,
Diretora de Redação




Realmente Javier Milei vem seguindo suas convicções e respeitando seus eleitores. Parabéns Oeste por mais uma brilhante edição.
Estava com saudade dos seus textos Branca, gosto da forma, como apresenta as colunas que estão a nosso dispor. Não lhe assisto tanto assim em algum programa, mas gosto de iniciar a experiência primeiro lendo sua apresentação.
No mais, bem-vinda de volta
Abraços
Não tem conversa é mandar uma arraia preta pra fuzilar STF TSE OAB Lula e os 40 ladrões MP TJ CNJ STJ 400 deputados federais e 53 senadores e passa a régua
Pera aí, “excessos” do judiciário?? Vocês devem estar de brincadeira…
Mais uma vez parabéns Dona Branca. A revista está bem de capa e chamadas. Mais tarde a gente (mais 3 em casa) lê mais atentamente. Vou compartihar para o público no face. Claro que está faltando a cobertura de muitas notícias, pois os fatos jornalísticos são dinâmicos e no atual momento sua velocidadde não pode ser acompanhada. A Venezuela taxa o Brasil, são coisas dos amigos mais chegados. A queda nas exportações foram antes de Trump falar em 50% e sim quando ainda era 10%. Aqui na região os empresários estão na berlinda e os trabalhadores acreditando que o seguro desemprego dura eternamente.