Para saber se um país vai bem ou mal é suficiente olhar para suas empresas. Se conseguem aumentar o faturamento, investir mais, contratar pessoas, exportar, a nação prosperará. Mas se as corporações começam a cambalear, a se endividar, a quebrar, a desaparecer, o caminho da coletividade será a ruína.
O Brasil está se transformando em um enorme cemitério de empresas.
As recuperações judiciais, prelúdio da falência, registraram recordes seguidos nos últimos meses. Segundo dados da Serasa Experian, em 2024 totalizaram 2,2 mil solicitações, uma alta de mais de 61,8% na comparação com o ano anterior. O maior número desde o início da série histórica, iniciada em 2006. O dobro em relação aos pedidos protocolados em 2020 e 2021, piores anos da pandemia de covid-19.
E essa tendência de quebradeira empresarial está se repetindo em 2025, com mais de 600 pedidos de recuperação judicial protocolados somente de janeiro a abril. Nem mesmo empresas icônicas conseguiram se salvar. As aéreas Gol e Azul, a Casa do Pão de Queijo, a rede de supermercados Dia, a rede de lanchonetes Subway e a de cafeterias Starbucks, a gigante varejista Casas Bahia e até mesmo a fabricante de esponjas de aço Bombril. Todas acabaram entrando em recuperação judicial desde que Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao Palácio do Planalto, em 2023, prometendo picanha e cerveja. Até o momento, só entregou recuperações judiciais. E outras podem estar por vir, como da petroquímica Unigel e de empresas do setor de combustíveis.

Os destruidores de riqueza
A gestão econômica do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) é a principal causa dessa escalada no desaparecimento de empresas. A gastança desenfreada de dinheiro público está gerando o mais previsível dos efeitos econômicos: inflação. Uma alta generalizada dos preços que está corroendo o poder de compra das famílias e reduzindo o consumo. Com isso, as vendas também se comprimem, e o faturamento das empresas acaba minguando.
Segundo o Banco Central (BC), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (Ipca) estourará a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) pelo menos até 2027, obrigando a instituição monetária central a tomar a única medida possível para tentar conter a alta dos preços: subir a taxa básica de juros (Selic).
Atualmente, os juros no Brasil estão em 15% ao ano. O maior patamar desde 2006, superando até a desastrosa gestão de Dilma Rousseff. O drama é que essa porcentagem poderá subir ainda mais se a inflação continuar persistente. Juros tão elevados são um desastre para as empresas. O crédito para os consumidores fica demasiadamente caro. O “carnezinho” invocado pela empresária Luiza Trajano, controladora do Magazine Luiza, torna-se inviável, reduzindo significativamente as compras.
Os investimentos também ficam antieconômicos, pois não conseguem atingir uma rentabilidade tão elevada quanto a Selic. Pior de tudo, as dívidas se tornam mais caras. Consumidores e empresas começam a ter dificuldades para reembolsá-las. A inadimplência começa a crescer. E é exatamente o cenário que o Brasil está vivendo neste momento.
“Atualmente, mais de 7,7 milhões de CNPJs estão inadimplentes no Brasil. O que representa 32,8% dos negócios ativos em todo o território nacional. Desse total, quase 7 milhões são micro e pequenas empresas (MPEs), que acumulam 47 milhões de débitos em aberto. Em média, um CNPJ negativado tem sete dívidas. Por isso é tão difícil para uma empresa deixar a condição de inadimplente”, explica a Oeste Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa.
Em um contexto como esse, a economia simplesmente para. Não por acaso, o mercado espera um segundo semestre extremamente complicado. A casa de análise econômica BCA Research publicou um relatório nesta semana com um título indicativo “Brasil: não vale o risco”, no qual prevê uma recessão até dezembro de 2025.
“Esse cenário revela um problema estrutural profundo da economia brasileira. O governo deveria olhar isso com mais cuidado”, afirma a Oeste Thiago Freitas, assessor econômico da Federação do Comércio de São Paulo (FecomercioSP). “Existe uma crise silenciosa, que não ganha espaço no debate político, de falências de empresas brasileiras, principalmente de pequenas e médias. Inadimplência histórica, endividamento crescente e pedidos recordes de recuperação judicial estão marcando o retrato do setor empresarial brasileiro.”
As dívidas das dez maiores empresas em recuperação judicial no Brasil passam de R$ 140 bilhões, segundo um levantamento da Quantum Finance. Um montante que supera o Produto Interno Bruto (PIB) de quase metade dos Estados brasileiros.

Serviços e agronegócio são os mais afetados
O agronegócio, o motor da economia brasileira, está entre os setores que mais sofrem. Em 2024, as recuperações judiciais no campo cresceram 138% na comparação com o ano anterior. Entre os produtores rurais pessoa física a alta foi de 350% na comparação anual. O aumento dos custos dos insumos agrícolas por causa da inflação e da desvalorização cambial, o incremento da taxa de juros e a quebra da safra de grãos formaram uma tempestade perfeita sobre a agronegócio.
No primeiro trimestre deste ano as coisas não melhoraram. As recuperações judiciais no agronegócio aumentaram mais de 20% em comparação com o trimestre anterior e quase 45% no comparativo anual.
Uma catástrofe que acabou afetando até mesmo o resultado trimestral do Banco do Brasil, principal instituição financeira que empresta dinheiro aos empresários do setor agro. Entre janeiro e março deste ano, o lucro líquido ajustado do banco público caiu mais de 20%. Desde a publicação do balanço, as ações do Banco do Brasil na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) caíram quase 30%. E o futuro aparenta ser ainda pior. A gestora Legacy já alertou seus clientes: os resultados futuros e dividendos podem estar comprometidos, com cortes de até 50% na remuneração dos acionistas, e os papéis do banco continuarão caindo por causa dessa situação.
“A pergunta central é: por que os pequenos produtores do agronegócio foram os mais afetados? Entre 2022 e 2024, eles enfrentaram forte pressão externa e interna: alta nos custos de fertilizantes e combustíveis, inflação global, oscilação cambial, eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul, e dificuldades logísticas. Com menos acesso a crédito e menor margem para absorver prejuízos, pequenos empresários tornaram-se mais vulneráveis, sofrendo com queda na rentabilidade, problemas operacionais e crescente endividamento”, afirma Júlia Pillati, sócia da Barral Parente Pinheiro Advogados.

Mas a economia não estava indo bem?
O mais surpreendente é que essa quebradeira generalizada está ocorrendo em um momento em que os dados macroeconômicos parecem positivos. Desde 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresce mais do que o esperado, superando 3%. O desemprego está em sua taxa mínima histórica, por volta de 6%. A demanda por crédito, mesmo com uma Selic em dois dígitos, não parece se contrair. Portanto, tudo deveria conspirar para um crescimento das empresas, não por sua falência.
“Os números aparentemente bons da economia são fruto de uma grande expansão fiscal por parte do governo Lula. Só que isso está provocando inflação. Hoje temos um quadro muito complicado, pois a política monetária está sobrecarregada por uma política fiscal expansionista, o que leva ao estrangulamento das empresas”, explica Freitas.
Os gastos federais no terceiro mandato do governo Lula registraram um ritmo de crescimento equivalente a quase o dobro do aumento da arrecadação, que também cresceu substancialmente. O aumento de gastos sociais, salários e aposentadorias, além da injeção de precatórios na economia, impulsionaram artificialmente o consumo. Mas a produção não aumentou proporcionalmente, causando um aumento dos preços e, contextualmente, do rombo das contas públicas e da dívida pública.
Segundo Freitas, os efeitos das elevadas taxas de juros demoram cerca de seis meses para aparecer. Portanto, até o final do ano será possível ver uma “deterioração ainda maior dessa situação”.

O sistema não ajuda
O que também não contribui para a sobrevivência das empresas brasileiras é a legislação, muito complexa, com amplas margens de interpretação e elevados custos embutidos. “A perspectiva para a empresa que entra em recuperação judicial sempre foi muito negativa, pois o processo é extremamente complexo. A RJ é simplesmente uma postergação da morte, da falência. O porcentual de CNPJs que saem ao final do processo realmente reestruturados e ativos, e não como empresas-zumbis, não passa de 5%. Por isso a perspectiva é muito ruim para a economia brasileira como um todo”, explica Max Mustrangi, CEO da Excellance, consultoria especializada em recuperar empresas.
Sem contar as dificuldades provocadas por um Judiciário fora de controle. “O caso do IOF, por exemplo, é significativo. A volta desse imposto custará muito caro para as empresas brasileiras. Contribuindo, sem dúvida, para aumentar o nível de recuperações judiciais”, conclui Abdelmalack.
O Brasil se encaminha para as eleições de 2026 com uma economia cambaleante, inflação estourada, PIB em contração, juros astronômicos e empresas falindo. Difícil pensar como será.
Leia também “Fracasso e infâmia do Brics”




O desgoverno Lula3 levando o país ao abismo em velocidade de F1.