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Edição 278

Carta ao Leitor — Edição 278

O Brasil exposto ao mundo como país bandido, o tsunami que se aproxima e os malabarismos da PGR estão entre os destaques da edição

Donald Trump expôs ao mundo o que todo brasileiro que vê as coisas como as coisas são sempre soube: o Brasil está longe de poder ser chamado de democracia, e a roubalheira há muito foi institucionalizada. “Não basta que o governo dos Estados Unidos tenha acabado de nos denunciar ao mundo como um país bandido, onde a mais alta Justiça foi transformada em polícia política para a caça a inimigos do regime”, define J.R. Guzzo. “O Brasil de hoje também caminha para se tornar, além de uma ditadura judicial neurótica, a nação mais corrupta do planeta.”

Imaginar que Trump endureceu apenas o discurso, e que isso terá poucos efeitos práticos, é de uma ingenuidade tão grande quanto acreditar que a ofensiva é motivada somente por razões econômicas. Até porque o presidente americano fez questão de ressaltar na carta a Lula seu profundo incômodo pela “caça às bruxas”, como classificou a perseguição a Bolsonaro e aos acusados do 8 de janeiro.

Há um tsunami a caminho, lembra Silvio Navarro: “O governo americano decidiu olhar com lupa para o Brasil nas últimas semanas”. Além da taxação maior, abriu investigação sob a chamada Seção 301, “que trata de atos, políticas ou práticas de um país estrangeiro que são desarrazoadas ou discriminatórias e prejudicam ou restringem o comércio dos Estados Unidos”. As consequências disso, conclui Navarro, são imprevisíveis.

Os EUA não estão sozinhos nessa. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também informou que o Brasil sofrerá sanções ainda maiores se continuar negociando com a Rússia enquanto Vladimir Putin se negar a conversar sobre um acordo de paz justo com a Ucrânia. Tal cenário é observado de perto por Ana Paula Henkel: “As equações de Trump são um alerta calculado de que a atual Casa Branca vê o Brasil de Lula como um aliado desgarrado, deslizando para o totalitarismo, que pode se sentir fortalecido por sua aliança com a Rússia, China e Irã – hoje, regimes de exceção”.

Diante desse tsunami, ao qual Lula deu impulso decisivo quando atacou a moeda americana, o governo está paralisado por um misto de falta de competência, planejamento, diplomacia decente e de noção. A formação intelectual indigente de Lula vai muito além do espancamento do idioma nacional, afirma Augusto Nunes. “Só um Ph.D. em ignorância”, exemplifica, “seria capaz de propor a substituição do dólar como moeda de referência internacional por outra que ainda será parida pela companheirada do Brics”.

“Os Estados Unidos estão diferentes, o mundo é outro e, sim, o Brasil também mudou, mas para pior”, diz Adalberto Piotto. Lula tenta reverter a queda do PT aderindo de última hora, e com zero sinceridade, ao que combateu com fervor durante todo o governo Bolsonaro. A falsa luta pela soberania é o mais descarado patriotismo de ocasião, descreve Rachel Díaz. Acuado no plano internacional, internamente o governo segue fazendo estragos. Trata-se de um país em recuperação judicial, conta Carlo Cauti. Enquanto a equipe econômica afunda o Brasil, a Procuradoria-Geral da República faz malabarismos para pedir a prisão de Bolsonaro — pena de 43 anos — e de mais sete pessoas, relata Cristyan Costa.

Inteligência artificial, a Copa de Trump e a situação em Israel são outros destaques desta edição.

Boa leitura.

Eliziário Goulart Rocha,

Editor-executivo

Capa da Revista Oeste, edição 278 | Foto: Shutterstock

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4 comentários
  1. Ana Heloisa Veras Ayres da Silva
    Ana Heloisa Veras Ayres da Silva

    Uma boa noite….será? Pode ser, quando o cansaço apagar o estado vigil e nos desligar do pesadelo em que vivemos.
    Mergulhar no caos, assistir a ditadura petista estender os tentáculos e esmagar o Brasil, é de chorar.
    Só nos resta uma manifestação
    popular geral, e urgente, num último suspiro

    Que seja uma boa noite

  2. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    O crime faz parte do cotidiano do consórcio atualmente instalado no oásis de Brasília.

  3. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    é uma pena que a edição da revista não pegou a notícia do visto do moraes.

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