Desde que Israel e o Irã começaram a trocar foguetes na segunda semana de junho, os manifestantes anti-Israel de Londres adicionaram bandeiras iranianas aos keffiyehs, aos cartazes e às bandeiras palestinas que compõem seus habituais adereços. Essas tentativas de “solidariedade” com o Irã devem, com certeza, ser um falso consolo para aqueles que sofrem sob seu regime opressor.

A brutalidade da teocracia iraniana não pode ser subestimada. No exato momento em que ativistas ocidentais estavam ocupados arranjando bandeiras iranianas, Mojahed Kourkouri foi executado no Irã. Ele foi preso após os protestos antigovernamentais que varreram o país em 2022, e acusado de matar um menino de 9 anos, Kian Pirfalak. A família de Kian negou repetidamente que tenha sido isso; eles afirmam que seu filho foi morto pelas forças de segurança iranianas. No entanto, depois de ser submetido à tortura e a um julgamento que a Anistia Internacional descreveu como “flagrantemente injusto”, Kourkouri tornou-se a 11ª pessoa a ser executada em decorrência dos protestos. Eles se juntam a centenas de outros que foram mortos pelas forças de segurança na época das manifestações “Mulher, Vida, Liberdade”, enquanto o regime se engajava em uma luta mortal para impor a ordem.
A agitação de 2022 no Irã foi desencadeada pela morte sob custódia de Mahsa Amini, uma mulher de 22 anos que havia sido detida pela polícia da moralidade do regime por exibir seu cabelo publicamente. As rígidas leis islâmicas do regime obrigam as mulheres a usar o hijab em público e a cobrir braços e pernas. A recusa de Amini em cumprir essa regra opressora a levou à prisão e, por fim, à morte. Testemunhas dizem que os oficiais atacaram Amini na parte de trás de uma van da polícia. A polícia iraniana nega essa alegação e afirma que ela sofreu uma “parada cardíaca súbita”. Mas seu pai disse a jornalistas que a filha estava “em forma e não tinha problemas de saúde” antes de seu encontro com a polícia.

Pouco mudou para as mulheres desde a morte de Amini e os protestos que se seguiram. Em abril de 2024, outra mulher de 22 anos, Aida Shakarami, foi detida pela polícia da moralidade em Teerã pelo crime de “não aderir ao hijab compulsório”. A irmã mais nova de Aida, Nika, participou dos protestos de 2022. Um vídeo de Nika, com apenas 16 anos, mostra a jovem em cima de uma lixeira ateando fogo em lenços de cabeça. Sua família encontrou seu corpo dez dias depois em um necrotério. As forças de segurança alegaram que ela havia caído de um prédio, mas a família acredita que ela foi sequestrada, agredida sexualmente e morta pelas forças de segurança. Em outubro de 2024, seis meses após a prisão de sua filha mais velha, a mãe de Aida e Nika, Nasrin, também foi presa e condenada a um ano de cadeia, além de inúmeras restrições punitivas a seus movimentos e suas atividades.
Não são apenas as mulheres que sofrem sob a tirania dos governantes teocráticos do Irã. A homossexualidade é ilegal e pode ser punida com a morte. Desde que o aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica, emitiu uma fatwa (“decreto”) permitindo a cirurgia de redesignação de gênero, nos anos 1980, homossexuais têm sido pressionados a viver como o sexo oposto para parecerem heterossexuais. Hoje, o Irã realiza mais operações de “mudança de sexo” do que qualquer outro país no mundo, exceto a Tailândia — um fato que, em 2007, permitiu que o então presidente Mahmoud Ahmadinejad se gabasse de que não havia homossexuais no Irã.

Um regime que trata seus próprios cidadãos dessa maneira não tem misericórdia de seus inimigos. Desde a Revolução Islâmica de 1979, a oposição a Israel tem sido fundamental para a ideologia governante do Estado iraniano. O Irã não só se recusa a reconhecer o direito de Israel existir, como também busca ativamente sua erradicação. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, chamou Israel de um “tumor canceroso” que “será indubitavelmente extirpado e destruído”. Nas mãos de um regime tão antissemita, as armas nucleares representam uma ameaça real para a única nação judaica do mundo.
Manifestantes ocidentais que brandem a bandeira iraniana não podem alegar ser simplesmente pacifistas antiguerra e amantes da paz. Eles estão ativamente se aliando a um regime que busca o extermínio não apenas de seus vizinhos judeus, mas também de muitos de seus próprios cidadãos. Agitar a bandeira iraniana é dar apoio aos teocratas islâmicos que não medirão esforços para erradicar judeus, a homossexualidade, mulheres que mostram seus cabelos em público e críticos dessa ditadura opressora. Pessoas como Mahsa Amini, Mojahed Kourkouri, Nika, Aida e Nasrin Shakarami demonstraram imensa bravura ao enfrentar o Estado iraniano. Muitas pagaram com a vida. Ocidentais que erguem a bandeira iraniana insultam a memória delas.

Joanna Williams é colunista da Spiked.
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Como essa cegueira se alastra!
Incrível como a Inglaterra foi tomada por essa turma…