Em 18 de junho de 1964, perto do meio-dia, manifestantes negros e brancos pularam na piscina exclusiva para brancos do Monson Motor Lodge, em Saint Augustine, Flórida, durante um protesto pelos direitos civis. Para expulsá-los, o enfurecido gerente do hotel, James Brock, teve a infame ideia de despejar uma garrafa de ácido clorídrico na piscina enquanto gritava: “Estou limpando a piscina!”.
A imagem é impactante. Fotografias e gravações do episódio correram o mundo. De imediato, o registro se converteu em um dos símbolos da segregação racial. O rosto em pânico de duas mulheres negras que estavam na piscina é emblemático — afinal, ninguém poderia imaginar uma atitude tão absurda.

O protesto aconteceu uma semana depois de Martin Luther King ter sido preso ao tentar frequentar o restaurante desse mesmo hotel. Mamie Nell Ford (que mais tarde passou a ser chamada de Mimi Jones) tinha 17 anos quando pulou a cerca do Monson Motor Lodge junto com outros seis jovens para participar do ato chamado “swim-in“. Piscinas e praias estavam entre os espaços públicos mais segregados e disputados no norte e no sul.
Diluído na água, o ácido não causou maiores danos, apenas irritou a pele e os olhos dos manifestantes. Nas proximidades, uma multidão branca aplaudia e gritava: “Prendam-nos! Peguem os cachorros!”. Um policial sem uniforme mergulhou na água. A Sra. Jones e seus colegas nadadores foram levados para a cadeia, juntamente com um grupo de mais de 40 outros manifestantes pelos direitos civis, incluindo 16 rabinos que tentaram jantar no restaurante exclusivo para brancos do Monson Motor Lodge.


J.T. Johnson também era um dos manifestantes na piscina naquele dia e, em uma entrevista anos depois, lembrou da atitude de James Brock. “Tentei acalmar a turma. Eu sabia que havia água demais para o ácido fazer alguma coisa”, disse. “Mas toda a mídia estava lá, porque, de alguma forma, acho que eles tinham sido avisados de que algo aconteceria naquela piscina naquele dia. E acho que foi aí que o presidente [Lyndon B.] Johnson entendeu a mensagem.”
“Isso nunca tinha acontecido antes neste país, um homem despejando ácido nas pessoas na piscina”, afirmou J.T. “Não tenho tanta certeza de que a Lei dos Direitos Civis teria sido aprovada se não houvesse um Saint Augustine. Foi um marco. Éramos jovens e achávamos que tínhamos feito algo — e fizemos.”
Left: "a white hotel manager James Brock poured acid into a whites-only pool at the Monson Motor Lodge after Black Americans including Mimi Jones jumped into the water during a 'swim-in' protest." 57 years ago
— arte y frases (@jorbr9) September 20, 2021
Right is 58 years ago in DC pic.twitter.com/B9ugaWOINL
Embora os protestos em Saint Augustine tenham sido amplamente esquecidos, ofuscados por manifestações em cidades como Selma, Montgomery e Birmingham, historicamente o episódio teve a sua relevância na conquista do apoio pelos direitos civis. No dia seguinte — quando fotos do “swim-in” apareceram na capa dos jornais The Washington Post, The New York Times e outros ao redor do mundo — a Lei dos Direitos Civis foi aprovada depois de uma obstrução de 83 dias no Senado americano, decretando, assim, o fim do regime de segregação racial nos Estados Unidos.
Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Sensacional!!!!
Racismo não pode ter lugar em qualquer sociedade atual!
Parabéns, Daniela!
Ótima coluna.