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O presidente Lula | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
Edição 265

O machista preferido da esquerda

Lula acumula declarações pejorativas sobre mulheres há décadas, mas continua sendo blindado por aliados e pela imprensa velha

“Misógino é o termo usado para descrever o indivíduo que não respeita nem valoriza as mulheres”, informou o texto publicado no site do PT em março de 2022. “Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, celebrado todo 8 de março, é importante lembrar esses tristes episódios, pois a população, em especial as brasileiras, tem o direito de saber qual é o verdadeiro caráter do homem que hoje ocupa a Presidência do país.”

O autor pensava em Jair Bolsonaro, claro. Mas o que escreveu se encaixa perfeitamente numa descrição do estilo Lula de enxergar mulheres — um de seus temas favoritos. Em seus discursos, o atual presidente invariavelmente se refere a elas de forma pejorativa, repetindo velhos estereótipos “machistas, misóginos, sexistas e patriarcais”, entre outros termos usualmente atribuídos à “gente da direita”.

Poupado de quaisquer críticas por militantes e blindado por parte da imprensa, Lula segue falando o que quer. Em 8 de abril deste ano, por exemplo, no Encontro Internacional da Indústria da Construção, em São Paulo, decidiu alegrar a plateia relembrando um encontro com Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI, em Hiroshima.

“Eu estive em 25 de janeiro de 2023 em Horishima”, afirmou Lula, errando o nome da cidade que virou símbolo da bomba atômica. “Lá eu encontro com uma muiézinha, sabe, presidenta do FMI, diretora-geral do FMI, nem me conhecia. ‘Presidente Lula, presidente Lula, é verdade que o Brasil tá difícil a coisa para o Brasil, o Brasil só vai crescer 0,8%?’ Eu falei: ‘Você nem me conhece. Eu não te conheço. Como é que se fala que o Brasil vai crescer 0,8%?’. E a resposta veio no final do ano: o Brasil cresceu 3,2%.”

A reação da imprensa foi tão reveladora quanto o próprio discurso. Incapazes de condenar apenas Lula, os principais veículos preferiram diluir a crítica, comparando o episódio a deslizes de Bolsonaro e da direita. “Eu fico me perguntando, se fosse um homem o diretor-geral do FMI, se o presidente falaria ‘esse homenzinho’?”, disse Andréia Sadi, apresentadora da GloboNews. “As vezes eu tenho impressão que, se você colocar algumas falas, sabe aqueles quizzes perguntando ‘quem falou essa frase?’, com esse cunho machista que o presidente usou para se referir a Kristalina Georgieva, você não sabe se foi Lula, se foi Bolsonaro, se foi alguém da direita.”

Para quem conhece o boquirroto incurável, foi apenas Lula sendo Lula. Desde sempre, o presidente reforça estereótipos de gênero, minimiza conquistas femininas, faz piadas sobre violência contra mulheres e objetifica suas interlocutoras — para usar termos muito apreciados pelas companheiras quando alvejam inimigos.

Em 1979, numa entrevista à revista Playboy, Lula descreveu como monitorava “viuvinhas bonitinhas” que apareciam no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde atuava, para resolver problemas de herança ou pensão: “Eu tinha dito ao Luisinho, que trabalhava comigo no sindicato, que me avisasse sempre que aparecesse uma viuvinha bonitinha. Quando a Marisa apareceu, ele foi me chamar”. Lula já tinha escutado um taxista falar daquela que viria a ser sua segunda mulher: 

“Eu saía da casa de uma namorada à meia-noite e pegava um táxi na pracinha de São Bernardo. Era o táxi de um velho (…). Ele me contou que tinha uma nora muito bonita, e que o filho tinha sido assassinado três meses depois do casamento. Ele continuava muito revoltado com a morte do filho e me contou que a nora não ia mais se casar. Como eu tinha contado minha história para ele, de vez em quando pegava o táxi e ele desabafava, falava do filho. E às vezes também falava da nora. Eu pensava: ‘Qualquer dia eu vou papar a nora desse velho…’”

Entrevista de Lula à revista Playboy, em 1979 | Foto: Reprodução

Quase 40 anos depois, o comportamento não mudou. Durante a Lava Jato, em uma conversa vazada com Dilma Rousseff, Lula riu ao comentar que Clara Ant, diretora do Instituto Lula na época, teria pensado que a chegada de cinco policiais federais em sua casa era “um presente de Deus”. “Foram na casa da Clara Ant, sabe? A Clara estava dormindo sozinha quando entraram cinco homens lá dentro. Ela pensou que era um presente de Deus, e era a Polícia Federal.” A “piada” arrancou gargalhadas de Dilma.

Em outro momento constrangedor, Lula perguntou durante uma conversa com Paulo Vannuchi, seu ex-ministro: “Cadê as mulheres de grelo duro do nosso partido?”. 

Durante a campanha eleitoral de 2022, tentando abordar o problema da violência doméstica, Lula disse em comício: “Quer bater em mulher? Vá bater em outro lugar, mas não dentro da sua casa ou no Brasil, porque nós não podemos aceitar mais isso”. No mesmo período, sugeriu que homens fossem “para a cozinha ajudar no serviço da mulher”. A imprensa se limitou a classificar as falas do candidato como “equivocadas”.

Eleito, Lula ampliou o repertório. Um desses melhores piores momentos aconteceu num evento na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, quando Lula puxou pela mão uma jovem negra e disse:

“Essa menina bonita que está aqui. Eu estava perguntando: o que faz essa moça sentada, que eu não ouvi ninguém falar o nome dela? Falei: ‘Ela é cantora, vai’. Não, não vai cantar. Perguntei, e disseram: ‘Não, não vai ter música’. Então, ela vai batucar alguma coisa. Porque uma afrodescendente assim gosta de um batuque de um tambor. Também não é. Falei: ‘Nossa, então ela é namorada de alguém’. Também não é. O que é essa moça? Essa moça foi premiada como a mais importante aprendiz dessa empresa e ganhou um prêmio na Alemanha. É isso o que nós queremos fazer para as pessoas nesse país.”

No mês seguinte, em Brasília, o presidente avisou que “mulher não é inferior a nenhum homem” e que elas deveriam trabalhar para não precisar pedir ao pai “R$ 5 para comprar batom” ou “R$ 10 para comprar uma calcinha”. Em maio, ao anunciar as medidas de socorro ao Rio Grande do Sul, à época afetado por enchentes, Lula afirmou que “uma máquina de lavar roupa é uma coisa muito importante para as mulheres”. 

A prática acompanha o discurso: dos quase 40 ministros do governo, três quartos são homens. Quatro mulheres já deixaram o governo, três delas substituídas por “companheiros” do sexo oposto. Ana Moser entregou o Ministério do Esporte para André Fufuca, Daniela Carneiro deixou o Turismo para Celso Sabino, e Nísia Trindade passou o bastão da Saúde para Alexandre Padilha. Na presidência da Caixa Econômica Federal, Rita Serrano foi trocada por Carlos Vieira.

Em entrevista para o UOL, ao comentar o desequilíbrio, Lula culpou a “falta de oferta” de mulheres para cargos relevantes:

“Esse é um problema crônico. É porque, como a mulher não tem uma participação ativa durante muito tempo, fica mais difícil você encontrar mulher para determinados cargos, fica mais difícil você encontrar negros para determinados cargos. Não é que não tenha, é que a oferta dela é menor na medida em que, embora seja a maioria da população, não tiveram uma participação política histórica mais contundente.”

Em janeiro deste ano, Lula tentou brincar novamente. Numa cerimônia que marcou os dois anos dos atos de 8 de janeiro de 2023, ele afirmou que era um “amante da democracia”. “Eu diria que eu sou um amante da democracia. Não sou nem marido, eu sou amante, porque a maioria das vezes os amantes são mais apaixonados pela amante do que pelas mulheres.”

Em março, Janja havia passado cinco dias em Paris, em companhia de quatro assessores, para participar da cúpula Nutrição para o Crescimento. Para justificar o uso de dinheiro público nas viagens internacionais da primeira-dama, Lula atacou: “Eu queria que a oposição lesse o discurso dela para eles deixarem de ser ignorantes”. E completou: “E ela vai continuar fazendo o que ela gosta, porque a mulher do presidente Lula não nasceu para ser dona de casa. Ela vai estar onde ela quiser, vai falar o que ela quiser e vai andar para onde ela quiser”.

“O Lula não é e nunca foi defensor das mulheres; ele usa esse discurso para enganar você”, acusou o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), num vídeo publicado no Dia Internacional da Mulher. “Ele tenta ser engraçado. Ele tenta explicar, mas está enraizado nele essa cultura machista.” Entre outros vídeos, Paulinho mostrou um em que Lula, ao comentar o aumento da violência contra a mulher depois de jogos de futebol, “brincou”: “Se o cara é corintiano, tudo bem”. 

Ironicamente, entre as inúmeras declarações que Lula já fez menosprezando mulheres, uma das que mais causaram comoção entre a militância soa como uma fábula infantil quando comparada às outras. Durante o lançamento do programa Crédito do Trabalhador, o presidente afirmou ter nomeado Gleisi Hoffmann para a Secretaria de Relações Institucionais por ela ser uma “mulher bonita”, sugerindo que isso facilitaria a relação com o Congresso Nacional.

“Eu fico estarrecida, não tem outra palavra”, indignou-se mais uma vez Andréia Sadi. “É impossível não ficar indignada. A gente está em 2025, pelo amor de Deus. Não me venha com essa de que é de outra geração. Não tem espaço para isso”. Flávia Oliveira, comentarista da GloboNews, endossou o parecer da colega: “E tem uma leitura muito imprópria, que é: ‘Botei uma mulher bonita’. Quer dizer, é o corpo à disposição de dois homens”. 

Num artigo publicado na Gazeta do Povo, a jornalista Madeleine Lacsko chama a atenção para a incongruência da reação: “O mesmo grupo que ignorou as infames ‘feministas do grelo duro’, que fechou os olhos quando Lula comparou o amor pela democracia ao amor por uma amante agora parece indignado porque ele comentou sobre a aparência de uma aliada política”. Como observa Madeleine, o feminismo foi sequestrado por um progressismo seletivo, “onde o machismo só é denunciado quando politicamente conveniente”.

Gleisi Hoffmann saiu correndo para livrar o presidente das críticas. Em publicação no X, ela acusou bolsonaristas de oportunismo: “Não teve e não tem outro líder como o presidente @LulaOficial que mais empoderou as mulheres”. Matérias jornalísticas passaram a comparar declarações de Lula e de Bolsonaro — diluindo, mais uma vez, o episódio no relativismo político.

Notícia publicada na Folha de S.Paulo (14/3/2025) | Foto: Reprodução/Folha de S. Paulo
Notícia publicada no site Congresso em Foco (13/3/2025) | Foto: Reprodução/Congresso em Foco

Dias antes, Bolsonaro havia sido duramente criticado por causa de um vídeo em que aparecia dizendo que “não tem mulher bonita petista”. Nenhum veículo de comunicação comparou essa frase com outras proferidas pelo atual presidente. No Brasil de hoje, assim como acontece com a prisão de cidadãos ou a punição a parlamentares, a lupa sobre o discurso público também é seletiva. O importante mesmo não é o que foi dito. É quem disse.


— Com reportagem de Edilson Salgueiro

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11 comentários
  1. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Estas 15 mulheres do final da página, na verdade se tratam de 15 ladras de dinheiro público, e comparsas de criminosos.

  2. daise a.scopiato
    daise a.scopiato

    Além de ladrão e imoral o PR do brasil é tarado! Vivi qndo jovem o tempo em que Elle vagabundeava no Sindicato de SBC atrás do que Elle nominava de Viuvinhas!! Era sem vergonha, tarado e se dizia MACHO, tendo, como tem até hoje, a complacência e admiração dos “cumpanheros”!!

  3. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Esse Lula é um ladrão terrorista narcotraficante assassino, ele e toda essa corja do executivo e do judiciário, fraudaram as eleições, ele confessa que gastou 320 bilhões pra comprar todo mundo, sem contar com essa bandidagem do TSE e STF, destruiram os HDS etc etc. E estão esperando o quê pra botar essa corja toda na cadeia?essa corja toda b

  4. Oldair Dorigon Bianco
    Oldair Dorigon Bianco

    Essa turma aí são as mulheres do PT, que medo.

  5. Leonardo de Almeida Queiroz
    Leonardo de Almeida Queiroz

    O polimento que seus marqueteiros e seus milhões $$$ adquiridos só Deus sabe como, só atingiu a barba e o cabelo, suas ideias continuam toscas,grosseiras , mal educadas e antigas.

  6. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Lula sendo Lula sempre. Fiel só a si, continua firme e forte em suas convicções corruptas, hipócritas, mentirosas, levianas, populistas, toscas, amorais, imorais e, sobretudo, machistas. É um homenzinho sem valor algum.
    Parabéns pela impecável matéria, da ideia à execução.

  7. Ednelson Barbosa de Sousa
    Ednelson Barbosa de Sousa

    O Lula representa a força da CORRUPÇÃO

  8. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Lula é assim mesmo,nunca me esqueço do velório de Marisa, sua mulher por anos e mãe de seus quatro filhos. Não se dignou a pronunciar sequer uma palavra ou frase a falecida.Estava bêbado e falou apenas para seus companheiros de plantão, em seguida foi levado para prisão em Curitiba. Esse é o homem que hoje é novamente presidente do Brasil.

  9. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Muito bem Branca. Além de boa editora está mostrando textos heróicos. Logo que apareceu o facebook fui um dos primeiros a pegar uma antiga revista Playboi aonde tinha uma entrvsita do Juca Kfuri com o Lula. Inaugurei um scaner com a confissão de Lula que gostava do Hitler… Postei e compatihei com uns 20 ou trinta. Passou um tempo e amigos novos enviaram pra mim a postagem pensando que era uma revelação, uma descoberta… Se fossem pesquisar, o autor era eu. Noutra aparecia o Lula dizendo que Pelotas só tinha veados para exportar. Noutra conversa particular Lula teria dito que se ele descobrisse que era corno, tomaria veneno. Por enquanto não cumpriu a promessa.

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