O deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) lamentou nesta terça-feira, 7, a morte de mais um produtor rural no Rio Grande do Sul, que teria tirado a própria vida em meio a dificuldades financeiras. Segundo ele, já são 25 casos registrados apenas em 2025, todos marcados por endividamento e falta de suporte estatal.
“Quando um homem do campo cruza a linha do desespero, é porque algo muito grave está acontecendo”, escreveu Zucco. “E o silêncio do poder público vira cumplicidade.”
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Zucco declarou que a Medida Provisória nº 1.314, que previa socorro ao setor, não teve efeito prático. O acesso ao crédito segue difícil, agravando a crise entre produtores afetados por perdas e dívidas. “Quem alimenta o Brasil está perdendo a própria esperança”, acrescentou.
O deputado tem usado as redes sociais para denunciar o que chama de abandono do campo gaúcho, ressaltando que os casos de suicídio entre agricultores refletem uma situação de colapso econômico e emocional no meio rural.
Detalhes da medida provisória citada por Zucco

Conforme mostrou Oeste, a Medida Provisória nº 1.314, de 2025, editada no início de setembro deste ano pelo governo federal, prometia principalmente abrir uma linha de crédito de R$ 12 bilhões para renegociar dívidas de produtores rurais que enfrentaram perdas sucessivas com eventos climáticos.
Na teoria, a MP autoriza a liquidação ou a amortização de débitos de produtores familiares, médios e grandes, além de cooperativas. O Conselho Monetário Nacional já aprovou normas para enquadramento, mas o processo de regulamentação se arrasta. Desse modo, bancos alegam falta de clareza operacional, exigências técnicas ainda não totalmente definidas, assim como burocracia para comprovação de perdas.
Enquanto isso, no Congresso Nacional, a MP aguarda análise em comissão mista. Parlamentares têm até novembro para votar a medida, mas há risco de alterações ou mesmo de caducidade, caso não cumpram o prazo. Essa demora, somada à lentidão do Executivo em transformar a autorização legal em operações de crédito reais, expõe os produtores a, sobretudo, um vácuo de assistência.
Na prática, os agricultores seguem sem acesso ao prometido alívio financeiro. Produtores relatam que as agências bancárias ainda não têm instruções claras para liberar recursos. Dessa forma, a cada nova exigência burocrática, aumenta a sensação de abandono.
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