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Política

Vorcaro omite valor de multa em proposta de delação

Banqueiro promete revelar rota de bilhões escondidos, mas adia discussão sobre ressarcimento à Justiça

Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federa - 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube master
Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal - 28/12/2025 | Foto: Reprodução/YouTube

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, entregou nesta semana uma proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento ignora o valor da multa que o executivo deve pagar. Segundo o jornal O Globo, o ressarcimento pelos danos causados ficou para uma etapa posterior das negociações.

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Vorcaro se comprometeu a detalhar o caminho de bilhões de reais mantidos ilegalmente no Brasil e no exterior. O dinheiro estaria escondido em nomes de laranjas, empresas de fachada e fundos obscuros. O banqueiro não solicitou benefícios imediatos, como a prisão domiciliar, nesta fase inicial da colaboração.

Mapeamento de bilhões

A Justiça pretende bloquear a fortuna de Vorcaro assim que os valores forem localizados. Estimativas revelam que o ex-CEO ainda detém cerca de R$ 10 bilhões. Somente o BRB enviou R$ 12,2 bilhões ao Master em operações sob suspeita. Fundos de pensão municipais e estaduais também acumulam prejuízos de R$ 3 bilhões.

Segundo o jornal, investigadores descobriram recentemente que o banqueiro ocultou R$ 2,2 bilhões em uma conta no nome do pai, Henrique Vorcaro. O montante deveria servir para pagar credores depois de o Banco Central liquidar o Master. O dinheiro acabou bloqueado durante uma fase da Operação Compliance Zero.

Exigências do Supremo

O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, considera a devolução do dinheiro essencial para validar o acordo. Segundo fontes do jornal O Globo, o ministro quer o pagamento da multa à vista. O objetivo é evitar parcelamentos longos que possam ser interrompidos por mudanças judiciais futuras.

O banqueiro teme que seu patrimônio desapareça enquanto ele cumpre prisão. Sem o controle direto das contas, Vorcaro acredita que gestores e investidores possam subtrair os valores desviados. A demora na entrega de provas consistentes irritou a PF, que chegou a pedir o retorno do preso para a Penitenciária Federal de Brasília.

Falhas na colaboração

A PF considera a proposta de delação atual “fraca e insuficiente”. A defesa de Vorcaro omitiu detalhes importantes que fundamentaram operações recentes, como a ação contra o senador Ciro Nogueira. Os investigadores exigem que o executivo refaça o conteúdo para incluir fatos novos e provas concretas sobre o esquema.

O impasse na negociação aumenta o risco para o ex-banqueiro. Se o acordo não avançar, ele perde a chance de reduzir sua pena e garantir a preservação de parte do patrimônio. O processo de discussão segue travado até que a defesa apresente termos que atendam às exigências dos órgãos de controle.

Leia também: “Mendonça diz que ainda não teve acesso à delação de Vorcaro”

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