O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, entregou nesta semana uma proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento ignora o valor da multa que o executivo deve pagar. Segundo o jornal O Globo, o ressarcimento pelos danos causados ficou para uma etapa posterior das negociações.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
Receba nossas atualizações
Vorcaro se comprometeu a detalhar o caminho de bilhões de reais mantidos ilegalmente no Brasil e no exterior. O dinheiro estaria escondido em nomes de laranjas, empresas de fachada e fundos obscuros. O banqueiro não solicitou benefícios imediatos, como a prisão domiciliar, nesta fase inicial da colaboração.
Mapeamento de bilhões
A Justiça pretende bloquear a fortuna de Vorcaro assim que os valores forem localizados. Estimativas revelam que o ex-CEO ainda detém cerca de R$ 10 bilhões. Somente o BRB enviou R$ 12,2 bilhões ao Master em operações sob suspeita. Fundos de pensão municipais e estaduais também acumulam prejuízos de R$ 3 bilhões.
Segundo o jornal, investigadores descobriram recentemente que o banqueiro ocultou R$ 2,2 bilhões em uma conta no nome do pai, Henrique Vorcaro. O montante deveria servir para pagar credores depois de o Banco Central liquidar o Master. O dinheiro acabou bloqueado durante uma fase da Operação Compliance Zero.
Exigências do Supremo
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, considera a devolução do dinheiro essencial para validar o acordo. Segundo fontes do jornal O Globo, o ministro quer o pagamento da multa à vista. O objetivo é evitar parcelamentos longos que possam ser interrompidos por mudanças judiciais futuras.
O banqueiro teme que seu patrimônio desapareça enquanto ele cumpre prisão. Sem o controle direto das contas, Vorcaro acredita que gestores e investidores possam subtrair os valores desviados. A demora na entrega de provas consistentes irritou a PF, que chegou a pedir o retorno do preso para a Penitenciária Federal de Brasília.
Falhas na colaboração
A PF considera a proposta de delação atual “fraca e insuficiente”. A defesa de Vorcaro omitiu detalhes importantes que fundamentaram operações recentes, como a ação contra o senador Ciro Nogueira. Os investigadores exigem que o executivo refaça o conteúdo para incluir fatos novos e provas concretas sobre o esquema.
O impasse na negociação aumenta o risco para o ex-banqueiro. Se o acordo não avançar, ele perde a chance de reduzir sua pena e garantir a preservação de parte do patrimônio. O processo de discussão segue travado até que a defesa apresente termos que atendam às exigências dos órgãos de controle.
Leia também: “Mendonça diz que ainda não teve acesso à delação de Vorcaro”
Investigadores veem delação de Vorcaro como tentativa de proteger aliados
Nunes Marques livra Lula e Gleisi de processo de Bolsonaro
STJ aceita denúncia contra desembargador suspeito de venda de sentenças
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.