publicidade
Política

Tribunal revoga aposentadoria de quase R$ 50 mil de ex-desembargador acusado de vender sentença

Edgard Lippmann usou valores recebidos como propina para comprar 7 imóveis no intervalo de apenas 4 meses

A sentença do tribunal também determina a perda de bens obtidos ilicitamente pelo desembargador Edgard Antônio Lippmann Júnior (à esquerda do leitor) | Foto: Divulgação/Assembleia Legislativa do Paraná
A sentença do tribunal também determina a perda de bens obtidos ilicitamente pelo desembargador Edgard Antônio Lippmann Júnior (à esquerda do leitor) | Foto: Divulgação/Assembleia Legislativa do Paraná

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, decidiu por unanimidade revogar a aposentadoria do desembargador Edgard Lippmann, de 71 anos. Ele foi condenado por improbidade administrativa, sob acusação de ter vendido uma sentença para reabrir uma casa de bingo em Curitiba. Segundo a decisão, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o ex-magistrado usou os valores recebidos como propina para adquirir sete imóveis no intervalo de apenas quatro meses.

A cassação retira de Lippmann o direito a um contracheque mensal de quase R$ 50 mil. A sentença do tribunal também determina a perda de bens obtidos ilicitamente, além do pagamento de multa civil de R$ quase 65 mil, valor que será corrigido desde janeiro de 2005.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

A defesa do ex-desembargador preferiu não comentar o caso sob alegação de segredo de Justiça. A decisão final será registrada no Cadastro Nacional de Condenados por Improbidade Administrativa, conforme prevê resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Como a ação chegou ao tribunal

A ação foi movida pela Advocacia-Geral da União (AGU), que identificou uma evolução patrimonial incompatível com a renda do magistrado. De acordo com o processo, entre dezembro de 2003 e março de 2004, Lippmann e familiares compraram cerca de sete imóveis, o que chamou atenção por ocorrer logo depois da liberação judicial para o funcionamento do bingo.

O Ministério Público Federal reforçou a acusação ao apontar depósitos semanais nas contas bancárias do magistrado, além de movimentações financeiras e aquisições imobiliárias em nome dele e de parentes. Na época, Lippmann ocupava o cargo de desembargador no TRF-4.

Em 2009, o Conselho Nacional de Justiça determinou sua aposentadoria compulsória — a punição máxima prevista na Lei Orgânica da Magistratura. Apesar de afastado da toga, Lippmann continuava a receber proventos proporcionais ao tempo de serviço. Dados atualizados do CNJ mostram que, até maio de 2025, o valor bruto da aposentadoria se aproximava dos R$ 50 mil.

A cassação da aposentadoria do desembargador

A AGU ajuizou em 2014 uma ação de improbidade administrativa para anular a aposentadoria do magistrado, com base em provas de enriquecimento ilícito. A sentença de primeira instância acolheu o pedido e determinou a perda da função pública.

Na apelação, a União solicitou ainda a aplicação de multa, alegando que o ex-desembargador havia transformado a atividade jurisdicional em instrumento de lucro. O advogado da União, Eugênio Muller Lins de Albuquerque, afirmou que Lippmann “atentou contra a honra do cargo e do Poder Judiciário” e defendeu a cassação como medida para resguardar a integridade da magistratura.

A AGU ajuizou em 2014 uma ação de improbidade administrativa para anular a aposentadoria do magistrado, com base em provas de enriquecimento ilícito | Ilustração: Shutterstock

O tribunal acolheu todos os argumentos da AGU. Os desembargadores confirmaram a cassação da aposentadoria, a perda de bens adquiridos com recursos ilícitos e a imposição de multa. Para o procurador Lins de Albuquerque, a decisão evita que um magistrado condenado por improbidade seja “premiado” com vencimentos integrais e impunidade. “Logrou-se obter a aplicação da multa civil, além da cassação da aposentadoria e da perda do patrimônio acrescido ilegalmente”, afirmou o procurador, na manifestação à Justiça.

Edgard Lippmann ingressou na magistratura federal em 1988, por concurso. Anos depois, já como desembargador, integrou a própria 4.ª Turma do TRF-4 — a mesma que, agora, o condenou. O caso se arrastava havia quase duas décadas.

O que é aposentadoria compulsória na magistratura

A aposentadoria compulsória é a punição mais grave prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). Quando aplicada, o magistrado é afastado de forma definitiva do cargo, de modo a perder o direito de exercer qualquer função jurisdicional. No entanto, continua recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço — o que, na prática, garante um salário elevado mesmo depois da penalidade.

Foi esse o caso de Edgard Lippmann, aposentado pelo Conselho Nacional de Justiça em 2009. Embora impedido de atuar como juiz, o magistrado seguia recebendo proventos mensais que se aproximavam dos R$ 50 mil, valor que ultrapassou R$ 140 mil em um único mês com gratificações. A decisão mais recente do TRF-4 revoga esse direito, por entender que a conduta do ex-desembargador feriu a honra do cargo e comprometeu a integridade do Poder Judiciário.

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. João Carlos de Souza Carvalho
    João Carlos de Souza Carvalho

    Temos que reconhecer que o Sistema Judiciário do Brasil está podre e corrupto !

  2. Inteligencia Artificial
    Inteligencia Artificial

    Que inteligencia……. comprar varios imoveis. Sorte que os corruptos sempre se afogam no proprio veneno. Quanta corrupçao esse individuo nao participou ? Essa foi fruto de ter ficado muito confiante e ter a certeza da impunidade. Triste que nao estejamos no Oriente Medio, as duas maos decepadas e com muita sorte a cabeça.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.