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Política

Transição energética para quem e para onde?

Ativistas ambientais e oportunistas aproveitam a COP30 para seguir com a enganação de que existe um 'problema' com o 'clima do mundo'

Entre 2023 e 2024, o uso das energias tradicionais — carvão, gás e petróleo — cresceram mais que as energias renováveis | Foto: Shutterstock

Estamos no ritmo carnavalesco de COP30, a reunião climática na qual políticos, ativistas ambientais e oportunistas planejam as piores mazelas para a humanidade, enganando a todos com a afirmação de que existe um “problema” com o “clima do mundo”. Para piorar, eles têm a pretensão, com grande soberba, de anunciar que é possível consertá-lo, mas para isso, a mesma humanidade precisa fazer muitas concessões e sacrifícios, enquanto os governos e os embusteiros engordam. Entre as “soluções” da lista do inferno, está a tal “transição energética”, que além de estúpida, é um verdadeiro engodo.

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Assim, todo ano acompanhamos as promessas políticas dos governantes do Ocidente dizendo que precisamos fazer essa transição energética para uma geração de eletricidade, cujas emissões de CO2 sejam baixas ou até mesmo nulas. Para além do discurso, nenhum destes despreparados, que seguem pautas ambientais-climáticas loucas, consegue explicar como isso seria possível — hoje a principal fonte de geração de energia, da eletricidade à operacionalização de frotas motoras, são petróleo, carvão e gás.

Quando nós estamos a falar de desenvolvimento econômico e benfeitoria para a humanidade, temos que entender que isso não acontece sem energia, especialmente a oriunda dessas três fontes citadas, pois elas são a base majoritária da energia mundial, diga-se de passagem, insubstituível na nossa atual demanda. Dessa forma, criar um problema que envolva o CO2, fantasiando um aquecimento exercido pelo seu “poder de estufa”, torna-se muito proveitoso para quem tem intenções globais de controle e poder, pois é impossível uma substituição de fontes estáveis de energia nos moldes que são apresentados pelos burocratas internacionais.

Segundo o relatório do Energy Institute, uma instituição britânica de viés ambientalista que segue a linha alarmista, almejando que seja estabelecido o controle global com a idolatria da natureza, em 2023, a maior parte da energia que usamos veio do petróleo, carvão e gás. Utilizando o Joule (J) como unidade de energia do Sistema Internacional (SI), o que moveu o mundo foram os 196EJ (Exajoules ou 1018J) fornecidos pelo petróleo (32%), 144EJ do gás natural (23%) e 164EJ pelo carvão (26%), totalizando pouco mais de 81% dos 620EJ consumidos no ano. As nucleares produziram 25EJ (cerca de 4%) e as hidrelétricas 40EJ (~6%). Os valores decimais foram arredondados.

Placas para produção de energia solar em parque industrial de Oliveira dos Brejinhos, na Bahia | Foto: Joa Souza/Shutterstock

Todas as renováveis juntas produziram 51EJ (8%) gastando orçamentos três vezes maiores. Mas a maior vergonha é ver a Europa, continente ínfimo que acusa os países pobres como destruidores da natureza, produzir 78EJ de sua energia com petróleo, enquanto o pleno da América do Sul, com seu imenso tamanho e população considerável, apenas 31EJ, sendo que o consumo de petróleo sul-americano também foi muito menor, proporcionalmente ao que é usado na Europa. Seus burocratas nos acusam do que eles fazem, ou seja, usam petróleo, carvão e gás sem parcimônia, mas nós, especialmente do Brasil, não podemos usar porque temos políticos semialfabetizados que detêm o poder de vetar tudo o que usaríamos da natureza da nossa geografia para proporcionar riqueza e prosperidade, refletindo no social de forma efetiva e não cosmética.

Ademais, a produção de CO2 brasileira sequer apareceu nas estatísticas do instituto em diversas de suas avaliações, exceto as mais ridículas, onde ficou clara a nossa submissão aos acordos ambientais e de inventários de carbono. Deve ser porque o nosso suposto 1,0% de emissões, sempre atribuídas às queimadas e à agricultura, mas agora totalmente inflacionadas sem nenhuma justificativa para 1,7 ou 2,0%, não aparece nas escalas gráficas. Contudo, servem para os políticos brasileiros despreparados, ou oportunistas, poderem se encher de orgulho, dizendo que “nós somos os protagonistas climáticos”, submetendo-nos a quaisquer tipos de controle que sejam elaborados. É o protagonismo das minorias do 1,0% tirado da cartola, sendo bastante polido!

Seguimos ouvindo que já estamos na fase da “transição energética”. Será? Se em 2023 o valor referente à geração de energia das matrizes do petróleo, carvão e gás ficou ao redor de 81,0%, qual seria o valor para o ano seguinte, supondo-se que a tal agenda de transição está em progresso, em alta velocidade, com muita “eficiência” pelos países?

5 de maio
Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Foto: Bruno Batista/ VPR

Pois bem, com o fechamento do balanço do ano de 2024, observou-se que a energia dessas três matrizes alcançou 86,7%, ou seja, subiu em relação ao ano anterior. Mesmo que haja uma variação ano a ano, esperar-se-ia que, pelos “acordos climáticos”, houvesse uma redução na fatia de geração de energia oriunda dessas fontes. De qualquer forma, os números relativos nos servem apenas para indicar as fatias de geração da participação dos setores, portanto, uma análise quantitativa geral e parcial nos apresentará uma melhor observação.

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Iniciemos pelo montante geral. Se em 2023 o total de energia foi de 620EJ consumidos no ano, em 2024 esse valor estimado caiu para pouco mais de 593EJ, mostrando aparentemente que houve uma retração econômica de forma global, tendo em vista que 1EJ é aproximadamente equivalente a 174 milhões de barris de petróleo (reduzindo-se apenas por comparação a essa única fonte como referência energética). De um ano para o outro, 28EJ deixaram de ser gerados, mas discutiremos isso mais adiante.

Aplicando uma divisão análoga à análise de 2023 para os dados obtidos em 2024, temos 199EJ fornecidos pelo petróleo (34%), 149EJ do gás natural (25%) e 165EJ pelo carvão (28%), alcançando os 86,7% dos aproximadamente 593EJ descritos anteriormente para o ano completo. Já a geração oriunda de centrais nucleares alcançou 31EJ (~5%). Enquanto todas as gerações mais clássicas subiram em valores absolutos, contribuindo para o aumento percentual das suas respectivas fatias, as hidrelétricas apresentaram uma grande redução, gerando 17EJ (~3%). Todas as outras energias alternativas “renováveis” juntas também produziram menos, alcançando pouco mais de 33EJ (6%). Os valores também foram arredondados, podendo variar 1% ou até 1,5EJ devido à escala nas operações parciais.

Comparação de valores de energia gerados, global e por tipo, entre 2023 e 2024 | Fonte: Energy Institute e Statistical Review of World Energy, 2025
Comparação de valores de energia gerados, global e por tipo, entre 2023 e 2024 | Fonte: Energy Institute e Statistical Review of World Energy, 2025

Como dissemos antes, a redução geral de geração de energia global parece ter diminuído provavelmente por causa de uma retração econômica mundial. Contudo, se analisarmos bem os dados absolutos, poderemos observar coisas interessantes. Vejamos que a soma de petróleo, carvão e gás em 2024 superaram, mesmo que timidamente, a produção de 2023 em 9EJ. Para as nucleares, o setor sozinho destacou-se em aproximadamente 6,5EJ a mais. Com a soma destes dois grupos de geração efetiva, obtivemos 15,5EJ, portanto, foram pouco mais de 55% do valor de cerca de 28EJ, que representou a diferença de 2023 (mais geração) por 2024 (menos geração). Notar que essa diferença é quase o total deixado de ser gerado pelas “renováveis”, de 2023 a 2024, cujo montante ficou negativo em um pouco mais de 17,5EJ entre esses dois anos.

Em outras palavras, essa energia alternativa foi totalmente dispensável, porque além de não aumentar, reduziu significativamente sua participação global, mas custou muito caro. A hidrelétrica, uma das mais importantes, despencou de forma absurda, deixando de gerar 23EJ. Assim, se tivemos de fato uma retração econômica global, o que os números nos indicam é que ela “escolheu” operar com petróleo, carvão, gás e nuclear. O resto, que o contribuinte arque com os prejuízos da insanidade da burocracia climática patológica!

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Concluímos que, embora no ano de 2024 a quantidade total global de transformação de energia seja menor que o ano anterior, as gerações oriundas de petróleo, carvão, gás e nuclear apresentaram um valor maior do total gerado (incluindo suas contribuições particulares por setor), enquanto observamos uma redução considerável na geração por hidrelétricas em mais que o dobro. Ao mesmo tempo, as chamadas “renováveis”, objeto do discurso fantasioso da sustentabilidade, apresentaram também uma queda significativa em valores absolutos e na sua participação global. Assim perguntamos, onde está a tal transição energética a não ser nas faturas de contas que temos que pagar?

Vejamos que no Brasil, o ano de 2025 já se tornou o recordista em desconectar as “renováveis” do sistema, dobrando o recorde anterior que ocorreu em 2024, ou seja, elas estão gerando energia para ninguém, mas recebem por isso. Ao mesmo tempo, o brasileiro, aquele que paga as suas contas, será presenteado com mais encargos oriundos dos benefícios dados às pessoas que não terão mais que pagar as suas contas. É o Estado fazendo caridade com o sacrifício dos outros. Quando será que os nossos congressistas vão acordar? É imperativa a realização de uma auditoria completa no setor elétrico do Brasil. Infelizmente a falta de um projeto de nação cada vez cobra mais caro o seu preço.

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1 comentário
  1. Edgar Rodrigues Rocha
    Edgar Rodrigues Rocha

    Como é agradável ler um texto com fundamentação acadêmica. Muito obrigado, Prof. Ricardo Felício.

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