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Política

Governo Lula: Ministério do Trabalho quintuplica repasses a ONGs ligadas a aliados

Entidades relacionadas a políticos e sindicatos concentram recursos milionários em contratos firmados sob chancela federal

Ongs
Entre as maiores beneficiadas está uma entidade com raízes no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, base política do ministro Luiz Marinho | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Ministério do Trabalho quintuplicou o valor repassado a organizações não governamentais (ONGs) em 2024. Entre as maiores beneficiadas está uma entidade com raízes no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, base política do ministro Luiz Marinho. O jornal Folha de S.Paulo divulgou as informações neste domingo, 4.

Outras duas ONGs, com contratos robustos, foram posteriormente alvo de apurações por suspeitas de irregularidades. Juntas, as três lideram o ranking de repasses da pasta e concentram mais de R$ 79 milhões em verbas públicas.

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A Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil (Unisol), por exemplo, recebeu R$ 17,6 milhões em acordos com o Ministério do Trabalho apenas no último ano. Até então, os projetos da entidade nunca haviam superado os R$ 4,2 milhões anuais, mesmo durante gestões anteriores.

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A disparada nos valores coincide com o retorno da pasta ao status de ministério e com o uso intenso de emendas parlamentares — que responderam por R$ 60,6 milhões dos R$ 76,3 milhões nos dez maiores convênios firmados com ONGs.

Sediada em São Bernardo do Campo (SP), a Unisol firmou contrato de R$ 15,8 milhões para atuar em Roraima, organizando catadores e retirando lixo da Terra Indígena Yanomami. O dinheiro vem de ações federais contra a crise humanitária na região.

O Ministério do Trabalho afirma que o contrato foi resultado de chamada pública, com aprovação técnica. A pasta também responsabiliza os parlamentares pela escolha das entidades destinatárias das emendas impositivas.

A entidade é presidida por Arildo Mota Lopes, ex-dirigente do sindicato presidido por Marinho entre 2002 e 2005. A Folha procurou a Unisol para esclarecer a execução do projeto em território roraimense, mas não obteve resposta.

Suspeitas que envolvem ONGs levam a bloqueios e sanções

A segunda ONG com maior volume de recursos é o Instituto Brasileiro de Cidadania e Ação Social, que soma R$ 25,9 milhões em convênios firmados com a atual gestão. Depois de uma avaliação, a Controladoria-Geral da União (CGU) declarou como inidônea a falta de transparência.

O Ministério das Mulheres também havia firmado parcerias com o instituto, mas suspendeu todos os pagamentos. Os contratos com a pasta do Trabalho foram firmados antes da penalidade. Hoje, a entidade está impedida de celebrar novos acordos com o poder público.

A liderança em repasses é do Instituto de Políticas Públicas Brasil Digital, com R$ 36,1 milhões em dez contratos patrocinados pela bancada do Tocantins. Os serviços envolvem qualificação profissional e outros programas sociais.

No entanto, a CGU investiga quatro desses contratos. Um relatório divulgado em novembro de 2024 destacou suspeitas de combinação entre propostas e descumprimento de cláusulas contratuais, com prejuízo estimado de R$ 1,6 milhão aos cofres públicos.

CGU destaca falhas graves no controle dos convênios

A CGU classificou como “incipientes” os mecanismos de controle adotados pelo Ministério do Trabalho nos contratos com ONGs. O órgão também ressalta que os pagamentos ao Instituto Brasil Digital foram suspensos até nova deliberação.

A pasta alega que, à época da contratação, não havia registros de inadimplência e que todos os documentos foram entregues corretamente.

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Quatro das dez entidades mais beneficiadas por contratos do ministério mantêm vínculos diretos ou indiretos com o movimento sindical, o que reforça os questionamentos sobre a independência dos critérios de seleção.

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2 comentários
  1. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    Esse é o exemplo mais claro do se denomina PARADOXO.
    Um lugar onde só tem parasitas que nunca trabalharam…

  2. PCC
    PCC

    O congresso deveria proibir a existência de ONGS em todo território nacional. Não passam de antros de corrupção.

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