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Política

Toffoli: empréstimo para o Resort Tayayá teve 5 renegociações

Documentos revelam que o Bradesco adiou cobrança de dívida de R$ 20 milhões por quase uma década

Resort Tayaya, que foi de propriedade de Dias Toffoli | Foto: Resort Tayaya
Resort Tayaya, que foi de propriedade de Dias Toffoli | Foto: Resort Tayaya

O Resort Tayayá, empreendimento imobiliário que contou com a participação societária do ministro José Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), carrega uma dívida com o banco Bradesco renegociada pelo menos cinco vezes nos últimos anos. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, o empréstimo original de R$ 20 milhões, contraído em 2016, deveria ter sido quitado em apenas três anos. Contudo, registros em cartório mostram que os prazos foram sucessivamente esticados sem a aplicação de multas por impontualidade e com taxas de juros significativamente inferiores à Selic, a principal referência do mercado financeiro.

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A última repactuação ocorreu em outubro de 2024, período em que o magistrado ainda constava como sócio do empreendimento. Na ocasião, o saldo devedor de aproximadamente R$ 7,1 milhões recebeu um novo vencimento para julho de 2026, com juros prefixados de 6,5% ao ano. Conforme levantamento do Estadão, essa taxa contrasta com o Panorama de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que apontava juros médios de 10,5% para financiamentos imobiliários de pessoas jurídicas no mesmo período. O Bradesco não comentou o caso, citando sigilo bancário.

Conflito de interesses e atuação no STF

O ministro Toffoli afirmou, via assessoria, que não participou das negociações do empréstimo ou de seus aditamentos. O magistrado destacou que declarou impedimento para julgar processos envolvendo o Bradesco há muitos anos. Entretanto, o jornal O Estado de S. Paulo identificou que o ministro voltou a proferir decisões monocráticas e votos em causas relacionadas à instituição financeira em período posterior a 2018, inclusive enquanto já era sócio formal da DGEP Empreendimentos, incorporadora do resort, por meio de sua empresa Maridt S.A.

Conexões de Toffoli com o Banco Master

O Resort Tayayá também figura no centro de questionamentos sobre a relatoria de Toffoli em inquéritos envolvendo o Banco Master. O magistrado vendeu parte de sua participação no empreendimento a um fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens e extratos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam que o fundo destinou R$ 35 milhões ao resort. Embora o ministro negue ter recebido valores de Vorcaro ou de seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, os documentos mostram aportes milionários coordenados entre os fundos Leal e Arleen nas mesmas datas em que o Arleen ingressou na sociedade do Tayayá.

A relação dos Toffoli com o projeto remonta a 2006, quando um primo do ministro incorporou o terreno. Irmãos de Toffoli, incluindo um engenheiro e um padre, atuaram como dirigentes da empresa que controlava o resort. Enquanto a ordem constitucional exige transparência, o emaranhado de renegociações bancárias e investimentos cruzados com figuras investigadas pela Polícia Federal amplia a pressão sobre a conduta ética do magistrado no topo do Judiciário brasileiro.

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