O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta terça-feira, 2, que não vê grande impacto no fato de os Estados Unidos terem classificado o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais. Para o emedebista, a cooperação entre os países é um passo natural e necessário, já que o crime organizado não respeita fronteiras geográficas.
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“Eu não dou maior importância a isso [à classificação]“, declarou Temer ao portal Jota. “Você sabe que hoje o crime é internacional, não é nacional, nem interestadual. Ele percorre todos os países, então a ideia de que você tenha um inter-relacionamento entre os países é fundamental.”
“O que vale é combates o crime”, diz Temer sobre soberania
Ao ser perguntando sobre possíveis interferências ou prejuízos à soberania nacional com a medida de Washington, o ex-mandatário rechaçou os temores de analistas políticos. Segundo ele, o foco do debate público deve ser a segurança da população, e não teses jurídicas.
“Vamos deixar isso de lado. A soberania que interessa é a tranquilidade do povo brasileiro”, afirmou Temer. “Então se isso importar na eliminação desses grupos, eu sei como é que é, nós estamos em um período eleitoreiro. Então durante as eleições tudo é aproveitável, de um lado e outro. Argumentos para os dois lados. Para o meu paladar, o que vale é combater o crime organizado.”
As sanções econômicas de Washington contra as facções
A mudança de status jurídico e financeiro das quadrilhas brasileiras foi fixada pelo Departamento de Estado dos EUA na semana passada. Em comunicado, a Casa Branca alertou que os grupos comandam milhares de integrantes e promovem ações violentas na América Latina.
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O órgão estrangeiro enfatizou que o poder das facções cruzou as fronteiras do Brasil e já afeta o próprio território norte-americano. A nova classificação passa a valer formalmente a partir do dia 5 de junho deste ano. De acordo com o senador americano Marco Rubio, Washington vai acionar mecanismos administrativos para bloquear o fluxo financeiro do narcotráfico.
A ofensiva diplomática da gestão americana ganhou força na semana passada, fruto de uma articulação da oposição brasileira. O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se reuniu com o ex-presidente Donald Trump em 26 de maio, e sugeriu o enquadramento internacional do PCC e do CV.
O parlamentar brasileiro também debateu estratégias de segurança pública em Washington com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e com o próprio Marco Rubio. Os encontros em solo norte-americano precederam o anúncio oficial da classificação das facções como terroristas.
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