publicidade
Política

TCU vê indício de irregularidade em voto de indicado de Lula para a CVM

Otto Lobo, que aguarda sabatina no Senado, deu voto decisivo em caso que envolve a Ambipar e o Banco Master

Otto Lobo - CVM - indicado de Lula
Otto Eduardo Fonseca de Albuquerque Lobo, indicado para o cargo de presidente Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no Senado Federal (5/7/2021) | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou “indícios de irregularidades” em um voto proferido por Otto Lobo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a presidência definitiva da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo apuração do jornal Valor Econômico, o caso envolve o julgamento que dispensou a Ambipar de realizar uma Oferta Pública de Ações (OPA) depois de operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

A investigação no TCU decorre de uma representação da deputada Caroline De Toni (PL-SC). A parlamentar questionou o “voto de qualidade” de Lobo, que, como presidente interino da CVM no ano passado, desempatou o julgamento a favor da Ambipar. O parecer técnico do Tribunal, conforme revela o jornal Valor Econômico, concordou com os termos da representação e decidiu dar prosseguimento às apurações.

Manobra no colegiado e renúncia inesperada

O julgamento da OPA começou sob a presidência de João Pedro Nascimento, que votou pela obrigatoriedade da oferta, sendo seguido pela diretora Marina Copola. No entanto, o processo sofreu uma interrupção por pedido de vista de Otto Lobo. Antes que o caso retornasse à pauta, Nascimento renunciou ao cargo inesperadamente. Ao assumir a presidência interina, Lobo votou pela dispensa da OPA e proferiu o voto de desempate, contrariando o entendimento da Procuradoria-Federal Especializada (PFE) da CVM.

A Procuradoria sustentou que Lobo deveria ter votado apenas como diretor, e não como presidente, uma vez que não comandava a autarquia quando o julgamento foi iniciado. A obrigatoriedade da OPA decorria do aumento relevante da participação do controlador na Ambipar. Se realizada, a operação exigiria um desembolso bilionário da companhia, que meses depois entrou em recuperação judicial.

Indicado de Lula pode ter favorecido o Master

A relação entre a Ambipar e o Banco Master surgiu em uma investigação da CVM sobre uma suposta operação coordenada para inflar as ações da empresa em cerca de 800% entre junho e agosto de 2024. Segundo o jornal, o esquema teria envolvido o acionista da Ambipar, Tércio Borlenghi Jr., e o empresário Nelson Tanure.

De acordo com as investigações, o Banco Master, de Daniel Vorcaro, utilizou a escalada artificial dos preços para dobrar seu próprio patrimônio líquido, que saltou de R$ 2,3 bilhões para R$ 4,7 bilhões. O Banco Master sofreu liquidação pelo Banco Central posteriormente. Agora, os técnicos do TCU avaliam se o voto de Otto Lobo favoreceu indevidamente a empresa e o banco de Vorcaro, em um momento em que ele busca a aprovação do Senado para o cargo máximo da CVM.

Leia também: “Governo pode impor sigilo sem prazo a cartas enviadas a Lula”

Leia mais sobre:

1 comentário
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.