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Política

STF veta divulgação de processos de assédio sexual que envolvem servidores da Corte

Barroso ignora precedente da CGU e restringe acesso a documentos mesmo depois do encerramento das apurações

STF
Para a ONG Transparência Brasil, o sigilo generalizado contraria a lógica da LAI | Foto: Fellipe Sampaio /STF/Flickr

O Supremo Tribunal Federal (STF) barrou o acesso aos autos de denúncias de assédio moral e sexual que envolvem servidores da Corte. O ministro Luís Roberto Barroso assinou o despacho que negou o compartilhamento dos documentos solicitados com base na Lei de Acesso à Informação, mesmo nos casos já encerrados. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou as informações nesta quarta-feira, 25.

A decisão contraria entendimentos firmados pela Controladoria-Geral da União (CGU) segundo os quais processos disciplinares concluídos devem se tornar públicos. Nos últimos cinco anos, o STF admitiu ter recebido 35 denúncias, 15 delas encerradas. Mas o conteúdo permanece em sigilo total.

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Barroso justifica que, mesmo com tarjas em nomes e dados pessoais, a liberação de informações poderia permitir a identificação das vítimas ou autores, por causa do “quadro funcional reduzido” do tribunal.

A Corte informou que sete denúncias de assédio moral partiram de um mesmo setor e foram tratadas de forma conjunta. Outras envolveram terceirizados. Inclusive, a empresa demitiu um deles por assédio sexual depois da denúncia interna.

Em resposta ao pedido, o STF disse ter adotado “medidas estruturais” para prevenir novos casos, entre elas a criação da Ouvidoria da Mulher e a realização de uma semana temática sobre combate ao assédio. No entanto, o tribunal não informou se os casos ocorreram em áreas administrativas ou em gabinetes de ministros.

STF vai na contramão do Executivo e silencia sobre decisões internas

Enquanto o Itamaraty atendeu a pedido semelhante e entregou os documentos com trechos sigilosos ocultados, o STF optou por não liberar nenhuma parte dos processos. A CGU já afirmou que, em casos como esses, é possível garantir transparência sem violar a privacidade dos envolvidos.

+ Leia também: “Governo Lula considera apelar ao STF para reverter derrota do IOF”

Especialistas criticaram a decisão da Corte. Para a ONG Transparência Brasil, o sigilo generalizado contraria a lógica da LAI, que prevê a divulgação dos documentos depois do encerramento dos trâmites. A justificativa genérica de Barroso — centrada na proteção de dados — não foi considerada suficiente para impedir o acesso.

3 comentários
  1. João José Augusto Mendes
    João José Augusto Mendes

    Se sentem dentro de uma redoma e, são intocáveis pela lei.

  2. Marcos Antônio de Carvalho
    Marcos Antônio de Carvalho

    Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a lei e mais o que nós quisermos….

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