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Política

Servidora diz que ‘todo mundo’ sabia da corrupção no TJ de MS

Em conteúdo obtido pela Polícia Federal, funcionária fala: ‘Não sei como que o CNJ não pega, a Polícia Federal não pega’

Desembargadores afastados pela Justiça: (acima) Sideni Pimentel e Vladimir Abreu; (abaixo) Alexandre Bastos, Sérgio Fernandes e Marcos Brito | Foto: Reprodução: redes sociais
Desembargadores afastados pela Justiça: (acima) Sideni Pimentel e Vladimir Abreu; (abaixo) Alexandre Bastos, Sérgio Fernandes e Marcos Brito | Foto: Reprodução: redes sociais

A Polícia Federal (PF) usou uma mensagem da analista Natacha Neves de Jonas Bastos para mostrar que a venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) era de ‘notório conhecimento interno no Judiciário’.

A PF obteve diálogos que demonstram a existência de um suposto esquema de corrupção no órgão. A descoberta relaciona-se à Operação Último Ratio, de conhecimento do Poder Judiciário.

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Funcionária do TJ: “Todo mundo fala” 

A servidora Natacha Bastos, assessora do gabinete do desembargador Júlio Roberto Siqueira Cardoso, aposentado em junho, diz: “Todo mundo fala: ‘Ai não sei como que o CNJ não pega, a Polícia Federal não pega’”.

A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 4 milhões em dinheiro vivo nesta quinta-feira, 24, na casa desse desembargador. Natacha enviou a mensagem à juíza Kelly Gaspar Duarte Neves, da Vara Criminal de Aquidauana, ex-diretora da Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul.

Por dinheiro, juiz soltou traficante

O contato ocorreu depois da Operação Tiradentes, em fevereiro, quando a PF fez buscas em endereços do desembargador Divoncir Schreiner Maran. Suspeita-se que o magistrado recebeu propina para soltar um traficante no plantão judicial.

No diálogo com a juíza, Natacha busca informações sobre outras investigações que estariam em curso: “Vocês devem saber mais, porque eu acho que tem juízes que participam das coisas no CNJ e tal, porque lá em cima o povo não fica sabendo.”

Natacha continua: “Todo mundo lá em cima fala negócio de Sideni, de rolo disso, daquilo, do povo… até do Marcão e tal.” 

Os desembargadores Sideni Soncini Pimentel e Marcos José de Brito Rodrigues, mencionados na conversa, foram afastados nesta quinta-feira, 24, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Desembargador usava conta PJ

Em resposta à analista, a juíza fala das investigações. “Segundo a gente sabe, teria entrado dinheiro lá na conta, mas como desde a morte da primeira mulher dele, do Divoncir, tudo vai pra empresa. Eles não movimentam nada na pessoa física”.

A magistrada acrescentou que a Receita Federal quebrou sigilos bancários. “Prova tem, né, mas o pessoal fala que um dos filhos dele, não sei se é Vando, alguma coisa assim, diz que esse é muito sério, tal, sei lá.”

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Por fim, a juíza conta sobre suspeitas que envolvem o desembargador Sideni Soncini Pimentel, que agora está afastado. “Do Sideni também tem e… só que sempre pelos filhos, sabe? Sempre pelos filhos. Mas a investigação lá tá há um tempão no CNJ.” 

Para a Polícia Federal, as mensagens “apontam que a prática de crimes por desembargadores é de notório conhecimento interno no Judiciário”.

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