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Política

Senado aprova criminalização da misoginia; projeto vai à Câmara

Texto inclui ódio ou aversão a mulheres entre os crimes de preconceito e discriminação; proposta foi aprovada por unanimidade, com 67 votos

Senado Imposto de renda
Votação ocorreu no plenário do Senado Federal | Foto: | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O Senado aprovou nesta terça-feira, 24, o projeto que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito e discriminação previstos na legislação brasileira. O texto, relatado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), recebeu 67 votos favoráveis, nenhum contrário e nenhuma abstenção. A proposta agora segue para a Câmara.

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Na prática, a proposta altera a Lei n° 7.716/1989, conhecida como Lei do Racismo, para incluir os crimes praticados “em razão de misoginia”. A pena prevista é de dois a cinco anos de prisão, além de multa.

O texto aprovado define misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão a mulheres” e inclui a “condição de mulher” entre os critérios de interpretação da lei, ao lado de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. 

Tramitação da criminalização da misoginia

A proposta é de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e tramita desde 2023. Antes de chegar ao plenário, passou pela Comissão de Direitos Humanos e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. 

Em dezembro de 2025, havia sido aprovada terminativamente na CCJ, mas um recurso levou o texto ao plenário. A votação, inicialmente prevista para a semana passada, acabou adiada em busca de um acordo. 

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Ao defender a aprovação em plenário, Soraya afirmou que o texto responde a uma realidade concreta de violência e hostilidade contra mulheres, inclusive no ambiente digital. 

Segundo a relatora, “o ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, é crescente e ceifa vidas todos os dias”. Ela também citou a atuação de grupos conhecidos como “red pills”, que propagam discurso de ódio contra mulheres, muitas vezes pela internet. 

Aprovação unânime

Apesar da aprovação unânime, o projeto enfrentou resistência e ressalvas no plenário. Senadores como Eduardo Girão (Novo-CE), Damares Alves (Republicanos-DF) e Carlos Portinho (PL-RJ) demonstraram preocupação com eventuais riscos à liberdade de expressão e com possível banalização da Lei do Racismo. 

Um destaque apresentado para votar separadamente uma emenda de Girão — que buscava proteger manifestações artísticas, científicas, jornalísticas, acadêmicas ou religiosas, quando ausente intenção discriminatória — foi rejeitado. 

O que o projeto estabelece

  • Inclui a misoginia entre os crimes de preconceito e discriminação;
  • Define misoginia como ódio ou aversão a mulheres;
  • Insere a “condição de mulher” na Lei n° 7.716/1989;
  • Estabelece pena de 2 a 5 anos de prisão e multa;
  • Leva o tema para o regime jurídico mais rigoroso dos crimes de discriminação, em vez de deixá-lo apenas no campo da injúria ou difamação.

Leia também: “O rastro da roubalheira”, reportagem de Sarah Peres publicada na Edição 314 da Revista Oeste

O que muda em relação à lei atual

Hoje, condutas consideradas misóginas podem ser enquadradas em crimes contra a honra, como injúria e difamação, com penas mais baixas. O projeto aprovado no Senado desloca o tratamento penal da misoginia para a lógica dos crimes de preconceito e discriminação, endurecendo a resposta penal do Estado. 

A relatora também apresentou ajuste para evitar conflito de interpretação com o Código Penal, de modo que ele passe a reger apenas a injúria no contexto de violência doméstica e familiar, e não a injúria misógina, considerada por ela mais grave.

Senadores que votaram a favor da proposta:

  • Alan Rick (Republicanos-AC);
  • Alessandro Vieira (MDB-SE);
  • Ana Paula Lobato (PSB-MA);
  • Augusta Brito (PT-CE);
  • Beto Faro (PT-PA);
  • Bruno Bonetti (PL-RJ);
  • Carlos Portinho (PL-RJ);
  • Carlos Viana (Podemos-MG);
  • Chico Rodrigues (PSB-RR);
  • Ciro Nogueira (PP-PI);
  • Cleitinho (Republicanos-MG);
  • Confúcio Moura (MDB-RO);
  • Damares Alves (Republicanos-DF);
  • Daniella Ribeiro (PP-PB);
  • Dra. Eudócia (PL-AL);
  • Eduardo Braga (MDB-AM);
  • Eduardo Girão (Novo-CE);
  • Eduardo Gomes (PL-TO);
  • Efraim Filho (União-PB);
  • Esperidião Amin (PP-SC);
  • Fabiano Contarato (PT-ES);
  • Fernando Dueire (MDB-PE);
  • Fernando Farias (MDB-AL);
  • Flávio Arns (PSB-PR);
  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
  • Giordano (Podemos-SP);
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS);
  • Humberto Costa (PT-PE);
  • Irajá (PSD-TO);
  • Ivete da Silveira (MDB-SC);
  • Izalci Lucas (PL-DF);
  • Jader Barbalho (MDB-PA);
  • Jaime Bagattoli (PL-RO);
  • Jaques Wagner (PT-BA);
  • Jayme Campos (União-MT);
  • Jorge Kajuru (PSB-GO);
  • Jussara Lima (PSD-PI);
  • Laércio Oliveira (PP-SE);
  • Leila Barros (PDT-DF);
  • Lucas Barreto (PSD-AP);
  • Luis Carlos Heinze (PP-RS);
  • Marcelo Castro (MDB-PI);
  • Marcio Bittar (PL-AC);
  • Marcos do Val (Podemos-ES);
  • Marcos Rogério (PL-RO);
  • Margareth Buzetti (PP-MT);
  • Nelsinho Trad (PSD-MS);
  • Omar Aziz (PSD-AM);
  • Oriovisto Guimarães (PSDB-PR);
  • Paulo Paim (PT-RS);
  • Plínio Valério (PSDB-AM);
  • Randolfe Rodrigues (PT-AP);
  • Renan Calheiros (MDB-AL);
  • Roberta Acioly (Republicanos-RR);
  • Rodrigo Pacheco (PSD-MG);
  • Rogério Carvalho (PT-SE);
  • Sergio Moro (União-PR);
  • Soraya Thronicke (Podemos-MS);
  • Styvenson Valentim (PSDB-RN);
  • Teresa Leitão (PT-PE);
  • Tereza Cristina (PP-MS);
  • Vanderlan Cardoso (PSD-GO);
  • Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB);
  • Wellington Fagundes (PL-MT);
  • Weverton (PDT-MA);
  • Wilder Morais (PL-GO);
  • Zenaide Maia (PSD-RN).

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4 comentários
  1. Rafael M.
    Rafael M.

    Caras Revista Oeste e Sarah Peres, autora do texto: a informação de que grupos conhecidos como “redpills” propagam discurso de ódio contra mulheres na internet é, no máximo, uma opinião da senadora Soraya Thronicke. E em se tratando de uma opinião inverídica, uma vez que o que os chamados “grupos redpill” fazem é simplesmente aconselhar e alertar os homens quanto aos riscos de se envolver com determinados tipos de mulher (risco de falsas acusações de violência doméstica, falsas acusações de estupro, risco de ser obrigado a pagar pensão para filho de outro homem – a chamada pensão socioafetiva, etc.), essa frase deveria ter sido atribuída à senadora e não escrita solta como se fosse uma verdade que a Revista Oeste certifica.

  2. Luiz Alberto Oliveira Maranhão
    Luiz Alberto Oliveira Maranhão

    Meu voto no Flávio acabou de mudar.

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