O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, declarou nesta quinta-feira, 5, que não acredita em um acordo entre o MDB e o PT para a chapa presidencial de 2026. Ao jornal Folha de S.Paulo, o emedebista afirmou que a maioria do partido é contrária à aliança. Nunes destacou que o presidente Lula agiu de forma desrespeitosa durante a eleição de 2024 ao lançar todas as cartas contra a candidatura do MDB na capital paulista.
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De acordo com informações da Folha, uma ala do PT defende a composição e cogita nomes como Renan Calheiros, Simone Tebet e Eduardo Braga para a vaga de vice na chapa de reeleição de Lula. Contudo, levantamentos internos do MDB mostram que 16 dos 26 diretórios estaduais rejeitam a proximidade com os petistas. O prefeito da capital ressaltou que a postura adotada pelo governo federal no ano passado gerou um desgaste que agora cobra o seu preço nas negociações nacionais.
Resistência interna e ironias da cúpula
Ainda segundo o jornal, a cúpula do MDB reagiu com ironia à proposta de aliança vinda do Palácio do Planalto. Integrantes da Executiva Nacional, ouvidos sob reserva, chegaram a sugerir o nome de Michel Temer como resposta às sondagens petistas. O ex-presidente é tratado como traidor por setores do PT por causa do apoio ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016. A resistência de Ricardo Nunes ecoa o sentimento de líderes regionais que preferem manter a independência ou buscar novos parceiros.
Lideranças da legenda avaliam agora a possibilidade de indicar um nome para compor uma chapa presidencial liderada pelo PSD. O partido de Gilberto Kassab possui três governadores como pré-candidatos ao Planalto (Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr). O jornal Folha de S.Paulo apurou que o presidente do MDB, Baleia Rossi, já mantém conversas de bastidores com Kassab para viabilizar um bloco alternativo ao governo federal e à polarização.
Estratégia de Ricardo Nunes
O movimento liderado por Ricardo Nunes e outros prefeitos eleitos pelo MDB visa a consolidar o partido como uma força de centro-direita desvinculada da esquerda. A ala favorável ao PT, concentrada principalmente no Nordeste, perde força diante do crescimento das bancadas emedebistas em grandes centros urbanos do Sudeste e do Sul. A definição sobre os rumos presidenciais da sigla deve ocorrer apenas nas convenções do próximo ano, mas o distanciamento de Lula parece irreversível para o grupo majoritário.
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