publicidade
Política

Relatório do TCU identifica falhas no Mais Médicos

O tribunal cobra melhorias em relação a metas, indicadores e gestão de riscos

Presidente Lula em anúncio do programa Mais Médicos pelo Brasil | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Desde 1959, Havana enviou mais de 600 mil profissionais de saúde ao exterior | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas na formulação e na execução do programa Mais Médicos, principal política federal para ampliar a presença de profissionais na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em relatório aprovado pelo plenário, os auditores concluíram que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apresentou evidências suficientes para sustentar o diagnóstico de carência de médicos em áreas vulneráveis no momento da reformulação da política, em 2023.

Receba nossas atualizações

Segundo o TCU, embora a lei e as notas técnicas do Ministério da Saúde sinalizem a dificuldade de fixação de profissionais em regiões prioritárias, os dados analisados mostraram crescimento no número total de médicos na atenção primária de 2012 a 2024 — inclusive em municípios de alta vulnerabilidade. Para os ministros, faltou comprovar que havia escassez de médicos nessas localidades.

Detalhes do relatório do TCU sobre o Mais Médicos

Distrito Federal
Programa Mais Médicos | Foto: Reprodução/Agência Brasil

Outro ponto destacado foi a ausência de análise de alternativas antes da reativação do programa. O TCU considerou que o governo decidiu pela expansão do Mais Médicos sem avaliar comparativamente outras opções de política pública.

O relatório também sinaliza que as metas do programa continuam genéricas, restritas ao número de vagas abertas e preenchidas. Embora o Ministério da Saúde disponibilize indicadores de eficácia, como adesão de municípios e ocupação das vagas, ainda não há métricas consolidadas de eficiência, custo-benefício e impacto real na saúde da população.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Além disso, o TCU identificou a ausência de uma gestão de riscos institucionalizada, o que deixa o programa vulnerável a mudanças políticas ou cortes de recursos. Em termos de governança, os auditores reconheceram avanços na coordenação e no monitoramento, mas consideraram frágeis as estruturas de avaliação.

Entre as recomendações, o tribunal cobra do governo federal a elaboração de diagnósticos mais robustos, baseados em evidências, a definição de metas específicas e mensuráveis, a criação de indicadores de custo-efetividade e a institucionalização de mecanismos de gestão de riscos.

O que diz o Ministério da Saúde

Em nota ao jornal Gazeta do Povo, o Ministério da Saúde informou que já vem adotando medidas para atender às recomendações, como a criação de algoritmos de priorização territorial, a elaboração de indicadores de impacto e a ampliação do painel de monitoramento.

Em 2024, o Mais Médicos registrou 26,4 mil médicos em 4,5 mil municípios. Ao todo, no ano passado, o programa atendeu cerca de 67 milhões de pessoas.

Leia também: “Governo na UTI”, artigo de Cristyan Costa para a Edição 284 da Revista Oeste

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.