publicidade
Política

Relatório de comissão do governo conclui que JK foi assassinado

Texto sustenta que ex-presidente morreu a mando do regime militar, em 1976

Juscelino Kubitschek discursa durante o período da Campanha da Legalidade | Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo
Juscelino Kubitschek discursa durante o período da Campanha da Legalidade | Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo

Um relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK) foi morto pelo regime militar em 1976, e não vítima de um acidente automobilístico, como sustentaram investigações oficiais da época e a Comissão Nacional da Verdade em 2014. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, 7.

Elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso na comissão, o documento tem mais de 5 mil páginas, incluindo anexos, e está em análise pelos demais integrantes do colegiado. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, o texto ainda não foi submetido à votação.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

O parecer foi apresentado aos conselheiros em 1º de abril. A votação chegou a ser prevista para o mesmo mês, mas foi adiada para que os integrantes tivessem mais tempo para examinar o material e para que os familiares de JK fossem previamente comunicados sobre as conclusões.

Criada por lei em 1995, a CEMDP é um órgão de Estado vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos. Sua função é reconhecer pessoas mortas ou desaparecidas em razão de perseguição política entre 1961 e 1988. Em seu site oficial, a comissão lista 377 vítimas reconhecidas.

JK morreu em 22 de agosto de 1976, na Via Dutra, em Resende (RJ), quando viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro no banco traseiro de um Chevrolet Opala conduzido pelo motorista e amigo Geraldo Ribeiro. Segundo a versão oficial adotada pelo regime, o carro teria sido atingido por um ônibus durante uma ultrapassagem, perdido o controle, atravessado o canteiro central e colidido com uma carreta. JK e Ribeiro morreram no local. O motorista da carreta, Ademar Jahn, sobreviveu.

Leia mais:

Relatório contesta versão histórica do acidente que vitimou JK

O novo relatório conclui que houve uma “ação externa” responsável pela saída do veículo da pista. A relatora sustenta que não há indícios da colisão inicial com o ônibus e aponta responsabilidade do Estado brasileiro no episódio.

O documento utiliza como principal referência um inquérito civil conduzido pelo Ministério Público Federal entre 2013 e 2019, divulgado em 2021. A investigação descartou a hipótese de colisão entre o ônibus e o Opala, embora tenha afirmado ser “impossível afirmar ou descartar” um atentado político por ausência de elementos materiais conclusivos.

O procurador da República Paulo Sérgio Ferreira Filho afirmou, segundo a Folha, que houve “falhas severas nas investigações realizadas pelo Estado brasileiro”. Entre os pontos citados estavam a ausência de exames toxicológicos amplos no corpo de Ribeiro e inconsistências nos laudos produzidos à época.

A investigação do MPF utilizou ainda uma perícia do engenheiro Sergio Ejzenberg, especialista em transportes. O estudo contestou tecnicamente os laudos anteriores do Instituto de Criminalística Carlos Éboli e rejeitou a hipótese de que o Opala tenha perdido o controle depois do contato com o ônibus.

Acidente de carro que matou JK
Veículo Opala, onde estava o ex-presidente Juscelino Kubitschek, avariado depois do choque com caminhão, causando um acidente na Via Dutra, em Resende (RJ) | Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo

Maria Cecília também levou em consideração investigações conduzidas pelas comissões da Verdade de São Paulo e Minas Gerais. Esses trabalhos apontaram a hipótese de atentado político, incluindo possibilidade de sabotagem mecânica ou disparos contra o veículo. A comissão da Câmara Municipal de São Paulo chegou a sustentar que Ribeiro poderia ter sido atingido por um tiro na cabeça antes da colisão.

A Comissão Nacional da Verdade, no entanto, concluiu em 2014 que não havia “qualquer elemento material” que sugerisse homicídio doloso. Na ocasião, a comissão também descartou que um fragmento metálico encontrado no crânio de Ribeiro durante exumação realizada em 1996 fosse projétil de arma de fogo, afirmando tratar-se de um cravo metálico do revestimento do caixão.

O relatório da CEMDP não realizou novas perícias, mas compilou investigações anteriores e utilizou fundamentos jurídicos baseados na tese do “in dubio pro victima”, expressão em latim que significa “na dúvida, decide-se em favor da vítima”.

Caso o relatório seja aprovado, a comissão poderá reconhecer oficialmente que JK e Ribeiro morreram em razão de perseguição política promovida pelo Estado brasileiro. A decisão também poderá levar à retificação das certidões de óbito dos dois.

Leia também: “A esquerda está nua”, artigo de J. R. Guzzo publicado na Edição 272 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Agora vão aparecer os decendenres aos montes para receber indenizações milionárias mas que terão de dividir com o membros dessa comissão como sempre fazem.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.