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Política

Relator diz que governo 'evitou' debater PEC das Drogas

Ministros da Justiça e da Saúde faltaram à audiência sobre a proposta

Apesar da ação do governo, o relator garante que o Senado tem votos suficientes para aprovar a PEC das Drogas | Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a criminalização do porte e da posse de drogas, senador Efraim Filho (União Brasil-PB), disse, nesta segunda-feira, 20, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “evitou debater” a matéria.

Como mostrou Oeste, os ministros Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) e Nísia Trindade (Saúde) faltaram à primeira audiência que discutiu a PEC. Ambos foram convidados pelo relator e sequer enviaram algum representante ao local.

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Na ocasião, Efraim classificou a atitude como de “omissão”. Os ministros teriam informado o relator que não poderiam ir à sessão por “questões de agenda”. Apesar da ação do governo, o relator garante que o Senado tem votos suficientes para aprovar a PEC das Drogas.

“Há no Senado, estimo, uma aprovação na proporção da que há na sociedade hoje, de 70% e 30%”, disse o parlamentar à imprensa. No Senado, para uma PEC ser aprovada, é necessário, ao menos, 49 votos favoráveis em dois turnos.

Conforme o relator, a expectativa é que a PEC das Drogas seja apreciada na quarta-feira 22 na Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Além disso, Efraim garantiu que a matéria será aprovada pelo plenário do Senado até o fim deste ano.

A ideia da PEC é consagrar na Constituição o que a Lei das Drogas (2006) prevê, de acordo com Efraim. Isso por que o Supremo Tribunal Federal se debruça sobre o tema em um julgamento que prevê a descriminalização do porte de maconha.

Conforme os votos proferidos até o momento — pois houve pedido de vista do ministro André Mendonça — a ideia é fixar uma quantidade da maconha para caracterizar uso pessoal, e não tráfico de drogas. A quantidade ficaria entre 25 e 60 gramas de maconha ou seis plantas fêmeas de cannabis. Contudo, ela será definida quando o julgamento for finalizado. 

“Quando se define um critério quantitativo, digo que a droga continua ilícita, mas que a posse e o uso será lícito”, explicou o relator. “Se não vende em farmácia e em mercado, só vai restar o tráfico. Comprando no tráfico, estou financiando o crime organizado. Indiretamente, estaria legalizando o tráfico em pequenas proporções.”

A ideia do relator é que a PEC dê ao usuário de drogas alternativas de prestação de serviços à comunidade e que a solução não seja o encarceramento do usuário. “A criminalização vai permanecer, mas separando o usuário”, contou.

Atualmente, a Lei de Drogas prevê oito circunstâncias para diferenciar o traficante do usuário de drogas, sendo: quantidade, natureza da substância apreendida, local e condições da ação delituosa, circunstâncias sociais, pessoais, conduta e antecedentes.

O objetivo de Efraim é fazer com que a decisão sobre a quantidade que vai diferenciar um usuário de um traficante permaneça nas mãos da autoridade policial e judicial.

O relator ainda pontuou que a PEC tem uma função institucional, pois defende as prerrogativas do Senado.

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