O desembargador Ricardo Couto de Castro detém agora as rédeas do Poder Executivo fluminense em caráter emergencial. A posse ocorreu logo que Cláudio Castro oficializou sua saída do cargo na última segunda-feira, 23. O magistrado, que preside o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), assume o posto provisoriamente em razão de uma lacuna institucional provocada pela ausência de sucessores naturais na linha hierárquica do Estado.
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Nascido no Rio de Janeiro e atualmente com 61 anos, Ricardo Couto trilhou uma carreira de três décadas no Judiciário antes de chegar ao comando do Estado. Formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e com especialização pela Universidade de Coimbra, em Portugal, ele ingressou na magistratura em 1992 e percorreu varas de diversas especialidades, como Fazenda Pública e Direito Criminal, em municípios como Niterói e São João de Meriti.
Perfil acadêmico e administrativo
Sua ascensão no Judiciário se deu em 2008, quando alcançou o posto de desembargador. Antes disso, atuou como juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça e presidiu a Mútua dos Magistrados. Em novembro de 2024, Couto venceu a eleição para a presidência do TJRJ, com 116 votos, consolidando sua liderança administrativa na Corte.
Paritariamente, o governador temporário mantém forte atuação acadêmica. É professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordena a área de Direito Administrativo na Escola da Magistratura (Emerj). Casado e pai de dois filhos, o desembargador agora divide seu tempo entre a gestão do Judiciário e a administração de um Estado mergulhado em incertezas políticas.
Missão e vácuo no poder
A interinidade de Couto é fruto de um cenário inédito. A situação de dupla vacância se consolidou com o pedido de dispensa anterior do vice-governador, Thiago Pampolha, ocorrido em maio. Normalmente, o substituto imediato seria Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa (Alerj). No entanto, o deputado permanece afastado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), devido a investigações sobre o vazamento de operações policiais contra o crime organizado.
Neste contexto, Couto tem a missão constitucional de deflagrar o processo sucessório definitivo. O magistrado precisa convocar uma eleição indireta no intervalo de 48 horas contado do início de sua interinidade. O novo ocupante do Palácio Guanabara sairá de uma votação realizada pelos deputados estaduais, rito que deve se concluir no final de abril.
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