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Política

Projeto que garante 'intervalos bíblicos' nas escolas é rejeitado no Recife

Proposta apresentada pelo vereador Thiago Medina (PL) foi reprovada com margem de 1 voto

Câmara Municipal de Recife | Foto: CMR/Divulgação
Câmara Municipal de Recife | Foto: CMR/Divulgação

A Câmara Municipal do Recife rejeitou, por margem apertada, o projeto que buscava assegurar aos estudantes o direito de se manifestarem religiosamente durante os intervalos escolares. A votação ocorreu na manhã desta terça-feira, 27, com 13 votos contrários e 12 favoráveis.

O projeto previa a garantia do “direito à livre manifestação individual e coletiva de estudantes nas dependências de estabelecimentos públicos e privados de ensino situados no município do Recife” para atividades religiosas, como o uso de espaços apropriados dentro das escolas.

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Em plenário, o autor do projeto, vereador Thiago Medina (PL), argumentou que o texto “quer garantir o direito dos estudantes se reunirem no intervalo da aula para poderem ter o intervalo bíblico ou qualquer outro intervalo”.

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Na justificativa do projeto, Medina defendeu que a proposta se amparava “nos preceitos constitucionais e nos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário” e invocou decisões do Supremo Tribunal Federal sobre neutralidade religiosa do Estado.

O projeto previa que a participação fosse voluntária, que não houvesse prejuízo às atividades acadêmicas e que as manifestações respeitassem a diversidade de crenças. Além disso, estabelecia penalidades administrativas para instituições que impedissem tais atividades de forma indevida.

O vereador Gilson Machado Filho (PL) disse que o texto “incorpora justamente” a liberdade de manifestação de ideias e religiões. Eduardo Moura (Novo) acrescentou: “O que a gente está tratando é de liberdade, liberdade que não incomode os outros”.

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No entanto, o vereador Carlos Muniz (PSB) manifestou preocupação com os desdobramentos do projeto e disse que ele poderia “desandar para uma discussão entre o bem e o mal”, ao criticar o que considera uma politização da religião.

Depois da votação, Medina atribuiu a rejeição do projeto à articulação do prefeito João Campos (PSB). Em vídeo divulgado logo depois a sessão, o parlamentar afirmou que Campos “é contra os cristãos do Recife”.

O parlamentar acusou diretamente o prefeito de interferir no processo legislativo. “Foi tudo a articulação dele”, afirmou. “Há pouco tempo o projeto estava aprovado com votos garantidos. Do nada, os votos viraram. Então o que aconteceu? A ligação entrou.”

“Quando ele for pedir seu voto na eleição do ano que vem, lembre disso”, alerta Medina. “Quando ele for nas igrejas pedir o voto, lembre disso. Ele articulou para que esse projeto fosse reprovado aqui na Câmara do Recife.”

O projeto remete a uma polêmica de 2024, quando o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) denunciou a prática de “intervalos bíblicos” ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), sob a alegação de irregularidades como a participação de terceiros nas reuniões religiosas.

Na ocasião, o MPPE instaurou procedimento administrativo, mas concluiu que “não há necessidade de uma normatização” e reconheceu que “é um direito constitucionalmente consagrado à liberdade religiosa dos alunos”.

Leia também: “Quando a fé é considerada crime”, reportagem de Isabela Jordão e Mateus Conte publicada na Edição 249 da Revista Oeste

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4 comentários
  1. Aristeu Duarte
    Aristeu Duarte

    É curioso que fumar maconha, brigar ou perder tempo no celular seja aceitável, mas se alguém se reúne nesse mesmo período para exercitar a fé, há quem considere errado. Que hipocrisia!
    Além disso, confundem “Estado laico” com “Estado laicista”.

  2. Flávio Marini Fava
    Flávio Marini Fava

    Está certíssimo. Lugar de religião não é na escola é na igreja e nas casas. Assim como também deve ser proibida qualquer ideologia de gênero ou partidária nas escolas.

  3. João Carlos de Souza Carvalho
    João Carlos de Souza Carvalho

    As escolas são para estudar e formar futuros cidadãos ! Quem quiser rezar vá aos templos e igrejas !

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