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Política

Procurador é punido por criticar resolução do TSE

Membro do Ministério Público indicou ilegalidades em norma da Corte, quando Alexandre de Moraes era presidente

Conselho Nacional Ministerio Publico
Decisão foi unânime no CNMP | Foto: CNMP/Divulgação

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aplicou uma advertência ao procurador de Justiça do Estado de São Paulo José Carlos Mascari Bonilha, que criticou, em 2022, uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A norma, editada pelo então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, proíbe eleitores de levarem celulares para a cabine de votação e autoriza os mesários a confiscarem os aparelhos, impedindo o eleitor de votar em caso de desobediência.

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Em 2 de setembro de 2022, Bonilha participou do programa Pingos nos Is, da Jovem Pan, em que declarou que a resolução do TSE era “absolutamente autoritária” e sem base constitucional nem legal. Ele esperava que outros membros do TSE derrubassem a resolução imposta por Moraes.

Bonilha afirmou: “Essa [resolução], a mim, me parece extremamente inconstitucional. Mas, ainda que assim não fosse, ainda que fosse menos grave (inconstitucionalidade é gravíssimo), ainda que fosse menos grave, que fosse uma medida polêmica, não se espera do presidente do Tribunal Superior Eleitoral a adoção de uma medida polêmica, porque é seu dever passar tranquilidade, equilíbrio, moderação para toda a população, em especial quando se está às vésperas de um momento tão cívico, tão relevante para a história de uma nação, como é a eleição para a Presidência da República.”

Argumentos sobre direitos políticos

Na entrevista, o procurador destacou que o voto é um direito garantido pela Constituição e obrigatório para maiores de 18 anos. “Não pode a presidência de uma Corte, ainda que Superior Eleitoral, estabelecer uma medida que equivale à perda do direito político”, afirmou Bonilha.

Bonilha esclareceu que a perda de direitos políticos ocorre somente em situações excepcionais, previamente estabelecidas por lei, e que quem legisla no Brasil é o Congresso Nacional, composto da Câmara dos Deputados e do Senado. Portanto, segundo ele, não haveria previsão legal para que o eleitor perdesse o direito de votar por não entregar o celular.

Decisão do CNMP e justificativas

No entanto, para o Conselho Nacional do Ministério Público, mesmo fundamentada, a crítica à resolução do TSE enseja punição ao procurador.

Petição contra Moraes já conta com 1,5 milhão de assinaturas | Foto: Antonio Augusto/TSE
Alexandre de Moraes era presidente do TSE, em 2022 | Foto: Antonio Augusto/TSE

O relator do caso no CNMP, Moacyr Rey Filho, afirmou que, ao “lançar descrédito e desconfiança” sobre o TSE e o sistema eleitoral, Bonilha acabou proferindo uma manifestação que, em tese, poderia até instigar condutas contrárias à norma.

Para Rey Filho, embora o direito de crítica seja crucial na consolidação democrática, ele não é absoluto e deve respeitar o interesse público, além de ser exercido com razoabilidade.

A decisão de advertir Bonilha foi unânime entre os membros do CNMP e foi publicada em 18 de março.

4 comentários
  1. João José Augusto Mendes
    João José Augusto Mendes

    Simão Bacamarte impera soberano no pais, e aí daquele que for contra o que ele determinar.

  2. MARCO ANTONIO CARDOSO VILARINHO
    MARCO ANTONIO CARDOSO VILARINHO

    Esta é a democracia brasileira. Você pode falar o que quiser, desde que eu concorde.

  3. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    Alguém pode afirmar conscientemente que este ato não é autoritário. A liberdade que o artigo 5° da Constituição concede ao cidadão brasileiro é ampla e irrestrita quanto ao colocar dúvidas sobre serviços públicos. As urnas não são infalíveis muito menos os ministros

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