publicidade
Política

Presidente da CNI não se oporia à anistia

'Se for para resolver o problema e pacificar o país, por que não?', perguntou Ricardo Alban, diante de uma comitiva de mais de 100 empresários brasileiros

Ricardo Alban esteve em uma comitiva diante de mais de 100 empresários | Foto: Valter Pontes/Divulgação/Fieb
Ricardo Alban esteve em uma comitiva diante de mais de 100 empresários | Foto: Valter Pontes/Divulgação/Fieb

À frente de uma comitiva de mais de cem empresários brasileiros nos Estados Unidos, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, disse não se opor a uma anistia política no Brasil.

Questionado sobre o tema, afirmou: “Se for para resolver o problema e pacificar o país, por que não se falar de anistia?”. Mencionou ainda que a medida poderia distensionar o momento conturbado pelo qual passa o país. “Já tivemos experiências de anistias no passado. Acho que muitas tensões podem ser amenizadas. Mas isso é uma competência do Legislativo.”

Receba nossas atualizações

+ Leia notícias de Política em Oeste

A declaração ainda cuidadosa de Alban sobre o tema reflete as dificuldades em resolver as tarifas aplicadas ao Brasil pela Casa Branca, que afetam sobretudo o setor industrial.

Se o governo Lula insiste em ignorar os motivos das sanções — claros até para noviços em diplomacia, conforme exposto na carta de Donald Trump a Lula em 9 de julho de 2025 —, os empresários voltarão de Washington sem nenhuma dúvida: a questão é política, antes de ser comercial.

O lobby dos empresários

Nesta quarta-feira, 4, durante uma conversa fora da agenda com Christopher Landau, vice-secretário de Estado, a CNI ouviu sem ressalvas que o lobby dos empresários brasileiros deveria ser feito em Brasília, e não em Washington. Em outras palavras, o problema político que gerou as sanções foi causado pelo presidente Lula e pelos absurdos do Supremo Tribunal Federal, hoje parceiro do consórcio de poder. O nome de Bolsonaro não teria sido citado, mas a carta de Trump o fez sem tergiversar. Como o inglês não foi barreira para a conversa, fato é que as perseguições políticas, as declarações de Lula e os abusos contra os direitos humanos, as leis e a Constituição no Brasil falam um português fluente e compreensível.

É inegável que uma reunião em Washington pode sempre abrir espaço para alguma outra exceção a produtos brasileiros, além das 700 já anunciadas por decisão exclusiva da Casa Branca. Mas a dúvida da CNI — e da comitiva de senadores brasileiros que também esteve recentemente na capital norte-americana com o mesmo objetivo — sobre os motivos das sanções já não pode mais existir. O problema das tarifas contra o Brasil está em Brasília, no Palácio do Planalto e no STF. E o governo brasileiro deve procurar Marco Rubio antes de qualquer outro departamento do governo Trump. É no Departamento de Estado que estão os problemas de política internacional dos EUA. É lá que também estão os problemas do Brasil.

Anistia à vista

Assim, a anistia defendida timidamente por Ricardo Alban durante a viagem aos Estados Unidos está longe de ser apenas uma tentativa desesperada de encontrar uma solução para a indústria exportadora nacional. Talvez seja a necessária sensatez, já que a pauta da anistia está hoje encampada por ninguém menos que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Isso já basta para mudar o patamar do jogo. Tomara que mais sensatos apareçam. Até outro dia, bastava o Brasil resolver a questão política para solucionar o tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras. Sobrariam apenas 10%, como no início. Mas o tempo e a cabeça de Lula, ainda presa à ideologia mofada dos anos 1970, afetam a economia brasileira e o trabalho da CNI na defesa da indústria nacional.

Sem sinais de boa vontade por parte do Palácio do Planalto em se dedicar de verdade à questão, o Brasil passou a ser investigado pela Seção 301, uma ferramenta muito mais dura e minuciosa de análise de práticas de empresas estrangeiras que concorrem com as norte-americanas. E o que era apenas uma questão comercial relativamente pequena (os 10%) tornou-se um grande problema político (os 50%) e pode evoluir para uma árdua batalha para defender os produtos brasileiros — não de uma decisão da Casa Branca, mas do interesse de cada um dos setores da economia norte-americana convocados a se manifestar. E eles vão escrutinar cada um dos mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados do país em busca de qualquer motivo para sancionar o Brasil.

A anistia interna, ampla, geral e irrestrita, é o primeiro remédio. O segundo é a diplomacia profissional e competente. O Brasil já teve ambos em sua história — e sempre foi bem-sucedido.

2 comentários
  1. Ivan Severo
    Ivan Severo

    Achei estranho ele se opor , ou deixar de se opor o negócio dele é industria .
    Se ponha no seu lugar ,com oi sem você a anistia ,será ampla e irrestrita,e teremos muitos ditadores presos .

  2. Fernanda Machado
    Fernanda Machado

    É! Agora doeu no bolso. Não deu mais para fingir que estava tudo normal.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.