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Política

Prefeituras recebem valor recorde em emendas parlamentares em 2026

Repasses cresceram 20% em relação a 2022 e reforçam o caixa dos municípios antes das eleições

praça dos três poderes - palácio do planalto - congresso nacional - stf
Vista panorâmica da Praça dos Três Poderes; o Congresso Nacional aparece ao centro; à esquerda está o Palácio do Planalto; já a sede do STF surge à direita da imagem | Foto: Reprodução/https:/villelastay.com.br

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As prefeituras brasileiras receberam 20% a mais em emendas parlamentares até julho de 2026, totalizando R$ 26,5 bilhões, em comparação com R$ 22,1 bilhões no mesmo período de 2022. O aumento se deve à decisão do Congresso de antecipar o pagamento de emendas impositivas antes das restrições eleitorais. A saúde recebeu cerca de 65% das verbas, e municípios como Duque de Caxias (RJ) e Macapá (AP) foram os maiores beneficiários.

As prefeituras brasileiras receberam cerca de 20% a mais em emendas parlamentares neste ano em comparação com o mesmo período das eleições de 2022. Até o início de julho, os municípios receberam R$ 26,5 bilhões, ante R$ 22,1 bilhões registrados há quatro anos.

O aumento foi impulsionado pela decisão do Congresso de obrigar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a antecipar o pagamento de parte das emendas impositivas antes do período de restrições da legislação eleitoral. Dos R$ 34,2 bilhões pagos em emendas em 2026, cerca de 77,6% tiveram como destino as prefeituras.

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Os recursos fortalecem o caixa dos municípios em pleno ano eleitoral e ampliam a capacidade de deputados e senadores de construir alianças políticas locais. Em cidades como Calçoene, Pracuúba e Ferreira Gomes, no Amapá, as emendas representam mais de 80% dos repasses federais aos fundos municipais de saúde.

Ações que receberam mais emendas

Moedas empilhadas em crescimento com gráfico ascendente ao fundo representando inflação e valorização econômica
A saúde concentrou aproximadamente 65% das verbas pagas neste ano. Foto: Freepik/Divulgação

A saúde concentrou aproximadamente 65% das verbas pagas neste ano. Também foram destinados R$ 3,2 bilhões a Estados e ao Distrito Federal e R$ 1,8 bilhão a instituições sem fins lucrativos, como organizações não governamentais (ONGs).

Os dados mostram ainda que parlamentares priorizaram ações de retorno mais imediato. No Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, cerca de 90% dos R$ 70 milhões empenhados por meio de emendas financiaram mutirões de castração de animais realizados por ONGs, enquanto menos de 1,5% foi destinado a políticas voltadas à biodiversidade, vegetação nativa e áreas protegidas.

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As chamadas emendas Pix somaram R$ 4,6 bilhões em pagamentos. Levantamento da plataforma Central das Emendas identificou 66 indicações relacionadas à realização de shows, incluindo uma emenda de R$ 497,5 mil do senador Jorge Kajuru (PSB-GO) para custear uma apresentação da dupla Fernando & Sorocaba em Santa Terezinha de Goiás. Também foram registradas 178 emendas ligadas ao futebol e 111 destinadas à compra de tratores.

Entre os maiores beneficiários aparecem quatro fundos municipais e estaduais de saúde, além da fabricante chinesa XCMG, que recebeu R$ 205 milhões para aquisição de máquinas. Os parlamentares também direcionaram recursos para compra de veículos, equipamentos agrícolas, obras e habitação.

Os municípios que mais receberam

Duque de Caxias (RJ) e Macapá (AP) lideram o ranking dos municípios que mais receberam emendas em 2026, com R$ 208,5 milhões e R$ 152,1 milhões, respectivamente. Na cidade fluminense, quase toda a verba foi destinada à saúde.

As emendas parlamentares seguem no centro de disputas políticas e judiciais. Neste mês, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do ex-deputado Eduardo Cunha, sob suspeita de negociação irregular na liberação de emendas.

A decisão foi criticada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que afirmou não haver comprovação de desvio de recursos.

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