publicidade
Política

Prefeitura de São Paulo rescinde com empresa acusada de proibir alunos de repetir merenda

Gestão Nunes fala em graves irregularidades no serviço; companhia nega

merenda
A merenda escolar é a refeição oferecida gratuitamente aos alunos da rede pública de ensino durante o período de aulas | Foto: Agência Brasil/Divulgação

A Prefeitura de São Paulo encerrou o contrato com a Sepat Multi Service LTDA, empresa responsável pelo fornecimento de merenda a escolas da rede municipal. A decisão, publicada no Diário Oficial desta sexta-feira, 8, ocorreu depois de denúncias de que alunos eram proibidos de repetir frutas e lanches.

Em nota, a gestão do prefeito Ricardo Nunes informou que a rescisão foi motivada por “graves irregularidades constatadas e a inadequação na prestação dos serviços”. O comunicado acrescenta que “a decisão foi motivada pela Prefeitura não abrir mão de oferecer alimentação escolar adequada, variada e de alto valor nutricional aos estudantes”.

Receba nossas atualizações

A Sepat, sediada em Joinville (SC), era responsável pela distribuição dos alimentos na região do Campo Limpo, zona sul da capital, e atendia 190 unidades sob responsabilidade da Diretoria Regional de Ensino Campo Limpo — entre creches (CEI), escolas de educação infantil (EMEI), ensino fundamental (EMEF), educação especial (EMEBS) e educação de jovens e adultos (EJA).

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

O cardápio diário da rede inclui lanche, refeição e sobremesa. O contrato, firmado em 1º de novembro do ano passado, tinha validade prevista até o fim deste ano e previa o pagamento de cerca de R$ 12 milhões mensais à empresa.

Nesta semana, funcionários de escolas relataram à Folha de S.Paulo que a falta de alimentos é frequente e que, em alguns casos, ingredientes precisaram ser comprados com recursos próprios. A Secretaria Municipal de Educação declarou não compactuar com esse tipo de prática e afirmou desconhecer qualquer doação de alimentos por servidores ou terceiros.

As denúncias chegaram ao Ministério Público de São Paulo. A representação, baseada em relatos anônimos de professores e diretores, afirma que “nunca houvera antes este controle sob as porções de refeições” e que, depois da entrada da nova terceirizada, “as crianças passaram a ser proibidas de comer além do que está descrito”.

Leia mais:

Controle de porções e restrições na merenda

Segundo o texto, a quantidade fixa de merenda entregue impediria a repetição de itens do lanche, como frutas ou biscoitos. Funcionários das escolas alegam que o cálculo das porções não considera a situação social dos bairros atendidos nem as necessidades de crianças com dietas especiais.

O Ministério Público informou que uma investigação preliminar identificou problemas na distribuição, na qualidade e na quantidade de alimentos fornecidos. Um inquérito civil foi instaurado para apurar o caso.

No lugar da Sepat, foram contratadas as empresas Angá Alimentação e Serviço Ltda, sediada em São Roque (SP), e a Apetece Sistemas de Alimentação LTDA, localizada em São Mateus, na Zona Leste da capital.

Ricardo Nunes concede entrevista ao Arena Oeste | Foto: Revista Oeste/Reprodução
Ricardo Nunes concede entrevista ao Arena Oeste | Foto: Revista Oeste/Reprodução

A Sepat negou as acusações. Em manifestação divulgada na quinta-feira, 7, a empresa declarou que “as denúncias não condizem com a realidade” e que o contrato com a prefeitura prevê “a possibilidade de repetição de frutas, mas não de lanches”.

A nota acrescenta: “A empresa Sepat segue totalmente as diretrizes estabelecidas no edital do contrato, que determina a quantidade e a porção adequada para cada faixa etária, visando atender às necessidades nutricionais de forma responsável”.

A companhia afirmou ainda atender integralmente às solicitações de dietas especiais e garantir o abastecimento constante das escolas. “Ressaltamos que foi apresentada defesa pela empresa nos autos, comprovando a veracidade das informações e o pleno atendimento contratual pela empresa”, declarou.

Leia também: “É uma tragédia – temos comida demais”, artigo de J. R. Guzzo publicado na Edição 200 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.