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Política

Carnaval: prefeitos do Nordeste se unem contra cachês superfaturados

Pressão orçamentária e disparada nos preços levaram cidades a cancelarem festas e acionarem o Ministério Público

Em vários estados, prefeituras anunciaram cortes ou cancelamentos de eventos por falta de recursos | Foto: Artur Piva/Gemini

A disparada no valor cobrado por bandas e artistas para se apresentarem em festas municipais provocou forte reação entre prefeitos do Nordeste. Em meio à proximidade do Carnaval e dos preparativos para o São João, políticos começaram a articular ações conjuntas para barrar o que classificam como “cachês acima da realidade”. As informações são do portal UOL.

Em vários Estados, prefeituras anunciaram cortes ou cancelamentos de eventos por falta de recursos. No Ceará, três municípios já desistiram oficialmente dos festejos juninos: Tauá, Caucaia e Jaguaretama. No Rio Grande do Norte, a Prefeitura de Paraú cancelou o Carnaval e alegou que o foco será o combate aos efeitos da seca.

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Em Massapê (CE), o prefeito Ozires Pontes (PSDB) decidiu reduzir a festa de quatro para apenas um dia. Segundo ele, o orçamento não suporta as exigências dos artistas.

“Banda que nem é dessas ‘tops das galáxias’ querendo R$ 500 mil”, disse. “A gente vive num Estado pobre, são 184 municípios. As cidades do interior, de pequeno e médio porte, não têm dinheiro. Não tem sentido quebrar uma cidade para fazer uma festa.”

Prefeitos acionam Ministério Público

De acordo com Joacy Alves Junior, presidente da Associação dos Municípios do Ceará, o aumento nos valores de um ano para outro ultrapassa 100% em alguns casos. “Tem banda que era R$ 100 mil em 2025, mas que agora quer cobrar R$ 200 mil, R$ 300 mil”, afirmou. “Tem banda cobrando até R$ 800 mil. Não há como pagar.”

Ele atribui a alta à maior circulação de dinheiro federal nas festas. Além de repasses tradicionais dos ministérios da Cultura e do Turismo, prefeitos agora têm acesso às chamadas emendas parlamentares. Entre elas está a “emenda Pix” — recurso direto e sem necessidade de licitação, usado para bancar eventos com rapidez.

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Na Bahia, prefeitos levaram a pauta ao Ministério Público estadual. Em reunião com o órgão, representantes municipais negociaram regras para os gastos com artistas no São João. O encontro resultou em um Termo de Ajustamento de Conduta, com critérios e limites definidos.

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