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Política

Prefeito do PT vira alvo de comissão de ética do partido

Congresso da juventude petista aprova moção contra Washington Quaquá, de Maricá (RJ), por ele ter elogiado a Operação Contenção, no Rio de Janeiro

Washington Quaquá prefeito PT comissão ética
Washington Quaquá reagiu às críticas de membros do PT | Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

A Juventude do PT aprovou uma moção exigindo a abertura imediata dos procedimentos na Comissão de Ética do partido contra Washington Quaquá, prefeito de Maricá e vice-presidente nacional da legenda.

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O pedido, feito durante o 6º congresso da entidade, entre 12 e 14, cobra que a Executiva Nacional dê andamento às representações já protocoladas e e apure condutas consideradas, por eles, incompatíveis com o programa e o manifesto do PT. As representações são três ao todo, entre as quais uma apresentada pela ministra Anielle Franco.

A iniciativa tem como causa as declarações feitas por Quaquá em defesa da Operação Contenção, ação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortes, em outubro.

Em um seminário promovido pelo próprio PT sobre segurança pública no estado, nos dias 1º e 2 de dezembro, o dirigente afirmou: “Óbvio que a polícia do Rio, o Bope, só matou ali otário, vagabundo, bandido”.

Para a juventude petista, a fala legitima a violência estatal, afronta diretrizes históricas do partido e se alinha a uma lógica de extermínio da juventude negra e periférica.

O documento sustenta que esse episódio não é isolado. Segundo o texto, há uma escalada de posicionamentos de Quaquá em desacordo com os princípios partidários, sem que as instâncias internas tenham adotado providências proporcionais.

Prefeito do PT rebate as críticas

A moção cita, entre outros pontos, a relação pública mantida por ele com o general Eduardo Pazuello, na época da pandemia, sua desqualificação do papel político da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) nas eleições de 2022 e manifestações em defesa dos irmãos Brazão no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ).

Leia mais: “Novo pede cassação de deputada do PT por agressão a servidor”

Para os jovens, o partido não é terra de ninguém, mas uma organização coletiva com regras e um projeto de transformação social que não pode ser relativizado.

Procurado pela Folha de S. Paulo, Quaquá, por meio de sua assessoria, reagiu às críticas e atacou o perfil dos autores da moção. Disse que o PT não pode ser capturado por uma “juventude de classe média alta, universitária, que não vive a realidade do povo e idealiza a bandidagem”.

Em nota, acrescentou: “Os jovens, principalmente os pretos e pobres das favelas, são as maiores vítimas da violência no Brasil.” O prefeito ainda completou:

“Causa-me espanto e surpresa que, justamente, quem os representa no PT queira me punir por me posicionar contra bandidos que causam morte e dor nas comunidades do País.”

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