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Política

Por unanimidade, CNJ decide punir Marcelo Bretas com aposentadoria compulsória

Relator alegou supostos excessos, parcialidade e conduta política do juiz na Lava Jato. Não cabe mais recurso dentro do conselho

Marcelo Bretas
A atuação do juiz também levou à prisão de nomes como Eike Batista e dezenas de doleiros | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, nesta terça-feira, 3, aposentar compulsoriamente o juiz Marcelo Bretas. A decisão foi unânime entre os 13 conselheiros que votaram. Um magistrado se declarou impedido. Não cabe recurso dentro do Conselho. A única possibilidade de contestação é por meio de mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF).

Bretas, que atuava na 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, está afastado desde fevereiro de 2023 por causa das investigações. Ele foi o responsável pelos processos derivados da extinta Operação Lava Jato em tramitação no Rio.

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Leia mais: “Deltan Dallagnol critica processo contra Marcelo Bretas”

Mesmo afastado definitivamente das funções de juiz, Bretas vai continuar recebendo a remuneração mensal.

Relator diz que Bretas agiu por “vaidade” e “autopromoção”

O relator do processo administrativo, conselheiro José Rotondano, apresentou voto considerando as acusações parcialmente procedentes e propôs a pena máxima prevista pelo CNJ.

“Estou propondo à corte que se julgue parcialmente procedente as imputações trazidas contra o magistrado e aplicar-lhe a pena de aposentadoria compulsória”, afirmou. “O caso não comporta uma mera advertência.”

Ao apresentar seu voto, o relator afirmou que os processos reuniram provas suficientes de que o juiz cometeu “condutas extremamente gravosas que precisam ser repreendidas por este conselho”.

“É um conjunto de práticas inquisitivas e abuso de autoritarismo estatal, que subverte a lógica do processo penal e que objetivava dar pouca ou nenhuma margem ao direito de defesa”, disse Rotondano.

Entre as acusações, o relator listou suposta tentativa de negociar penas, pressão sobre investigados, direcionamento de acordos de colaboração, interferência em eleições e abuso na condução de processos, com quebra da imparcialidade.

Rotondano afirmou também que Bretas atuou de forma “obstinada” para ganhar destaque no Judiciário. Segundo ele, “as provas expuseram a figura de um magistrado que revestiu de figura acusatória por anseio de protagonismo no sistema de Justiça”.

O voto de Barroso

O presidente do CNJ e do STF, ministro Luís Roberto Barroso, também votou a favor da aposentadoria compulsória de Marcelo Bretas. Ele afirmou que combater a corrupção no Brasil exige enfrentar “o pacto oligárquico”, que, segundo ele, atua intensamente para proteger e se beneficiar do esquema.

Barroso disse ver com cautela processos contra juízes que ousaram enfrentar esse problema, ainda presente no país. No entanto, destacou que Bretas cometeu erros graves, como a tentativa deliberada de interferir nas eleições e a conduta parcial durante sua atuação na Lava Jato.

As três acusações contra o juiz

Bretas é alvo de três processos administrativos disciplinares (PADs). O primeiro apurou suposto conluio com Nythalmar em ações da Lava Jato. O segundo processo apurou interferência nas eleições de 2018. A reclamação foi apresentada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. Ele acusou Bretas de tentar prejudicá-lo na disputa pelo governo.

Na ocasião, o juiz convocou audiência com o ex-secretário municipal Alexandre Pinto, que acusou Paes de envolvimento em um esquema de propinas. Segundo Rotondano, Bretas sabia do impacto da audiência durante o período eleitoral e usou o momento para influenciar a imagem pública do então candidato.

O terceiro PAD analisou decisões do juiz que autorizaram buscas e apreensões em endereços de advogados. De acordo com o processo, as medidas violaram prerrogativas da advocacia e usaram fundamentações genéricas para ampliar investigações.

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Rotondano considerou que Bretas violou o princípio do juiz natural e atuou com abusividade e parcialidade. “Tinham o intuito de pescar provas contra os denunciados e possíveis novos investigados”, disse.

O relator também criticou a postura de Bretas nas redes sociais e disse que as manifestações públicas do juiz encobriam irregularidades. “Esse cenário de ascensão vertiginosa encobria muito mais que a busca por popularidade pelo reconhecimento de suas ações”, afirmou.

O que diz a defesa de Bretas

A advogada Ana Luísa Vogado de Oliveira defendeu Marcelo Bretas durante a sessão. Em sua sustentação oral, contestou a aplicação da aposentadoria compulsória.

“Ainda que gere condenação, nem de longe poderia gerar aposentadoria compulsória”, argumentou. “Não existe nenhuma prova de beneficiamento, conluio ou dolo”, afirmou.

Breta é só um dos expoentes da Lava Jato que foram punidos por suas atuações. O ex-juiz Sérgio Moro, atualmente senador, foi considerado parcial pelo STF nos processos da Lava Jato em Curitiba.

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Já o ex-procurador Deltan Dallagnol, que liderou a força-tarefa no Paraná, foi punido pelo Conselho Nacional do Ministério Público por publicações nas redes sociais contra o senador Renan Calheiros (MDB-AL). Eleito deputado federal em 2022, Dallagnol teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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9 comentários
  1. R Fortes
    R Fortes

    Em breve nas telas, “A Lista de Rubio”, onde sempre cabem mais alguns.

  2. MARCO ANTONIO CARDOSO VILARINHO
    MARCO ANTONIO CARDOSO VILARINHO

    No Brasil, pau que bate em Chico, só bate em Chico. Francisco continua em Brasília, ileso. Sem cabelo, ou com boca de sapo, ou dizendo “perdeu, Mané”, não importa. Pau que bate em Chico, no Brasil, só bate em Chico.

  3. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Pois bem, tantos poderiam se aposentar, cuidar dos netinhos, talvez viver para sempre na Coreia do Norte, Rússia sei lá. Mas deixar de ser “estorvo” para este maravilhoso BRASIL.

  4. Dmitri
    Dmitri

    Ah! Então não pode conduta política dentro do judiciário? Ah, bom! Então tá. Agora ficou claro. Teje aposentado!!!
    Mas… e o STF?!

  5. Wall-E
    Wall-E

    Se Bretas cometeu abusos, o que será que o sr. Alexandre de Moaraes está fazendo atualmente? São tantas evidencias que é impossível não comparar

  6. Flávio Mellone
    Flávio Mellone

    Incomodou e mexeu com os peixes grandes, como a juíza exilada nos EUA, sao punidos com aposentadoria !

  7. Lucia campos
    Lucia campos

    Paredão Padrão ! Quem é Paes para falar de Bretas ?
    A verdade chegará 🫡

  8. jose luiz Corte
    jose luiz Corte

    Pelo teor da decisão, se amolda a conduta do chefe do STF, Alexandre de Morais, não é?

  9. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    O interessante é que lendo as acusações contra o juíz Bretãs são exatamente iguais as coisas feitas pelo STF pelo careca

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